Ontem fiz um treino muito bom. Foram 3.000 m na pista do Bolão, em Jundiaí, local onde sempre faço meus treinos de qualidade. O detalhe é que meu técnico, Wanderlei de Oliveira, sempre aplica o famoso teste de 3.000 m (leia aqui), em que você tem que ir 100%. A partir do resultado do teste, ele estipula os ritmos de treinamento na periodização.
A última vez que tinha feito os 3.000 m, tinha sido no início de agosto de 2012 e fiz 12:03 – meu melhor tempo até então. No teste, a gente tem que dar tudo o que tem no tanque de combustível e terminar esgotado. Só que dessa vez, quando conversamos, ele me disse que eu deveria encarar apenas como um treino forte.
Cheguei na pista e encontrei com o amigo Edvaldo, mais conhecido como Acerola, que é um sujeito muito, muito rápido (1h13 na Meia). Ele estava indo embora e me perguntou o que eu ia fazer. Expliquei e disse que o treino era pesado, mas não 100%. Nos despedimos e fui aquecer. Não passou 5 minutos e o Acerola aparece de novo na pista e me pergunta brincando: “Tudo bem se eu correr de tênis?”, aja visto que sempre faço meus treinos de qualidade descalço. Já fiz alguns testes e se calço qualquer coisa, por mais mínima que seja, perco de 1 a 2 segundos em uma volta de 400 m. Portanto a pedida na pista é sempre zero-calçado.
O Acerola disse que decidiu voltar para me ajudar no treino. Terminado o aquecimento e as acelerações, disse a ele: “Não puxe o ritmo, deixa ver o que eu consigo sem ajuda” e ele concordou. “Só vou te fazer companhia. Vou na raia 2”, completou.
Eram 8:45 da noite, quando apertei o cronometro do relógio novinho que a Fernanda Paradizo comprou para mim em Orlando e que o André tinha trazido, recém-chegado do Desafio do Pateta da Disney (aliás, obrigado aos dois!).
Na primeira passagem dos 200 m (mania de “pisteiro”), vi que estava no ritmo de 4:00 min/km (48 segundos). Fechamos o primeiro km com 3:59. O ritmo permaneceu constante e passamos pelo segundo km com 3:58.
Nos últimos 400 m começamos a puxar o ritmo e fechamos em 3:53 – 11:52.09 no total. Foi a primeira vez que fiz 3.000 m abaixo de 4:00 min/km e com o detalhe de estar correndo descalço.
Fiquei exultante com o resultado e com a melhora que venho sentindo desde a metade do ano passado, quando fiz as algumas mudanças na minha alimentação.
2013 promete!
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terça-feira, 22 de janeiro de 2013
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Clínica Corrida Natural no programa Fôlego 25
Fui entrevistado mais uma vez pelo colega Gustavo Maia no Fôlego 25, programa sobre corrida de rua do canal local da Net de Jundiaí.
Desta vez o tema foi a Clínica de Corrida Natural que tenho ministrado.
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Desta vez o tema foi a Clínica de Corrida Natural que tenho ministrado.
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Sexta-feira sem limites: Correr descalço no gelo e só de shorts? Tem louco para tudo...
Se você é daqueles que acha que correr descalço é loucura, que tal correr uma meia-maratona descalço sobre o círculo polar na Finlândia com temperaturas beirando os 15 graus negativos e vestindo apenas um shorts?
Apresento-lhes Wim Hof, o Homem-Gelo da série "Super-Humanos" do Discovery Channel, que tem Stan Lee (criador de personagens como o Quarteto Fantático, Thor, Hulk, Homem Aranha, X-Man, entre outros) como um de seus idealizadores.
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Apresento-lhes Wim Hof, o Homem-Gelo da série "Super-Humanos" do Discovery Channel, que tem Stan Lee (criador de personagens como o Quarteto Fantático, Thor, Hulk, Homem Aranha, X-Man, entre outros) como um de seus idealizadores.
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Estudo mostra diferença de padrões de pisada entre quenianos. Isso muda alguma coisa?
Estudo publicado na Plos One, uma revista científica online, revelou que nem todos os quenianos que cresceram sem usar calçados tem o mesmo padrão de pisada quando correm.
No trabalho entitulado "Variation in Foot Strike Patterns during Running among Habitually Barefoot Populations" ("Variações de padrão de pisada durante a corrida entre populações habitualmente descalças", em tradução livre), os pesquisadores buscaram entender a evolução do padrão de pisada dos seres humanos e encontraram dados diferentes dos colhidos na pesquisa liderada pelo professor de Harvard Daniel Lieberman, no famoso estudo publicado na revista Nature, em 2010. Na ocasião, o padrão de pisada constatado era, em sua maioria, o antepé e foi feita com quenianos da tribo Kalejin (estimo que pelo menos 95% dos quenianos que disputam provas mundo afora são dessa etnia).
Na pesquisa, agora liderada pelo professor Kevin Hatala, da Universidade George Washington, quenianos da tribo Daasanach foram testados e para surpresa dos pesquisadores, nas velocidades baixas, o padrão de pisada preponderante era o retropé, ou o calcanhar.
Opa! Então está tudo errado? Lógico que não. Veja bem, os Daasanach não são uma tribo de corredores "por natureza". Digo, não há corredores entre eles. Na pesquisa de Harvard, os Kalejin corriam ao menos 20 km semanais e os Daasanach nem chegam nem perto disso. E veja bem, eles usavam o retropé, ou calcanhar, como queira, quando estavam em velocidades mais lentas (no alto, foto 1). O que aconteceu quando a velocidade era maior? A maioria optou pelo antepé (no alto, foto 2).
A grande diferença entre as duas pesquisa é que Liberman comparou pessoas que corriam habitualmente descalças e a pesquisa de Hatala é sobre corrida em populações descalças, o que é uma grande diferença.
Quando começamos a correr, descalços ou não, há um tempo para que nós possamos buscar o que é mais eficiente. A meu ver, os resultados da pesquisa foram precipitados ao dizer que o padrão de corrida entre as populações habitualmente descalças não é apenas o antepé.
Veja bem: tudo se baseia em cultura de corrida, adaptações musculares, entre outros. Para mim, nada mudou. Nem para os pesquisadores, que reconhecem que o uso do antepé na aterrisagem é mais eficiente e é isso o que realmente importa.
O que podemos constatar ao final, é que mesmo sendo "habitualmente" descalço, só quem é um "usuário" habitual de corrida descalça é que desenvolve o padrão "natural" de corrida, ou seja, iniciar a pisada com o antepé. O ideal seria que os pesquisadores colocassem os Dassanah para correr pelo menos uns 10 km semanais. Não tenho dúvida que o resultado seria diferente.
Voltando ao que eu disse há dois parágrafos atrás: ao dizer que o padrão de corrida entre as populações habitualmente descalças não é apenas o antepé, temos que entender que não é o antepé pois é necessário ser um corredor habitual para que isso ocorra.
No trabalho entitulado "Variation in Foot Strike Patterns during Running among Habitually Barefoot Populations" ("Variações de padrão de pisada durante a corrida entre populações habitualmente descalças", em tradução livre), os pesquisadores buscaram entender a evolução do padrão de pisada dos seres humanos e encontraram dados diferentes dos colhidos na pesquisa liderada pelo professor de Harvard Daniel Lieberman, no famoso estudo publicado na revista Nature, em 2010. Na ocasião, o padrão de pisada constatado era, em sua maioria, o antepé e foi feita com quenianos da tribo Kalejin (estimo que pelo menos 95% dos quenianos que disputam provas mundo afora são dessa etnia).
Na pesquisa, agora liderada pelo professor Kevin Hatala, da Universidade George Washington, quenianos da tribo Daasanach foram testados e para surpresa dos pesquisadores, nas velocidades baixas, o padrão de pisada preponderante era o retropé, ou o calcanhar.
Opa! Então está tudo errado? Lógico que não. Veja bem, os Daasanach não são uma tribo de corredores "por natureza". Digo, não há corredores entre eles. Na pesquisa de Harvard, os Kalejin corriam ao menos 20 km semanais e os Daasanach nem chegam nem perto disso. E veja bem, eles usavam o retropé, ou calcanhar, como queira, quando estavam em velocidades mais lentas (no alto, foto 1). O que aconteceu quando a velocidade era maior? A maioria optou pelo antepé (no alto, foto 2).
A grande diferença entre as duas pesquisa é que Liberman comparou pessoas que corriam habitualmente descalças e a pesquisa de Hatala é sobre corrida em populações descalças, o que é uma grande diferença.
Quando começamos a correr, descalços ou não, há um tempo para que nós possamos buscar o que é mais eficiente. A meu ver, os resultados da pesquisa foram precipitados ao dizer que o padrão de corrida entre as populações habitualmente descalças não é apenas o antepé.
Veja bem: tudo se baseia em cultura de corrida, adaptações musculares, entre outros. Para mim, nada mudou. Nem para os pesquisadores, que reconhecem que o uso do antepé na aterrisagem é mais eficiente e é isso o que realmente importa.
O que podemos constatar ao final, é que mesmo sendo "habitualmente" descalço, só quem é um "usuário" habitual de corrida descalça é que desenvolve o padrão "natural" de corrida, ou seja, iniciar a pisada com o antepé. O ideal seria que os pesquisadores colocassem os Dassanah para correr pelo menos uns 10 km semanais. Não tenho dúvida que o resultado seria diferente.
Voltando ao que eu disse há dois parágrafos atrás: ao dizer que o padrão de corrida entre as populações habitualmente descalças não é apenas o antepé, temos que entender que não é o antepé pois é necessário ser um corredor habitual para que isso ocorra.
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Por que o Nike Free não é drop zero?
Quem já leu "Nascidos para Correr", do jornalista Christopher McDougall conhece a história da criação do Nike Free. Resumidamente, alguns consultores da Nike foram à pista de atletismo da equipe da Universidade de Stanford, que treinava sob tutela de Vin Lananna (um dos técnicos mais vencedores da liga universitária americana), para assistir às práticas e colher feedback dos atletas em relação aos produtos da empresa.
Terminado o treino, todos os atletas tiraram seus tênis/sapatilhas e foram para a parte interna da pista e fizeram o trote de desaquecimento descalços na grama.
Os consultores da Nike, que patrocinam o time de Stanford, perguntaram meio sem graça "O que acontece? Não mandamos tênis o suficiente para vocês?". A resposta de Vin Lananna foi mais ou menos o seguinte: "Não tenho como provar isso, mas eu acredito que quando meus atletas fazem isso, eles correm mais rápido e se lesionam menos". O consultores levaram essa conversa para os headquarters da Nike, que acabou criando o Free.
Aliás, esse história de atletas correrem descalços na grama após os treinos de qualidade é coisa muito antiga e tradicional entre a elite. Meu técnico, Wanderley de Oliveira me falou que todos faziam isso na Europa nos anos 1980. O fotógrafo Tião Moreira, que já foi um tremendo corredor, me falava que o técnico dele também mandava todo mundo tirar o tênis e correr descalço na grama para eliminar a energia "estática".
Mas então por que o Free nunca teve uma versão drop zero? Simples. Todos os estudos de biomecânica feitos para o desenvolvimento do tênis foram feitos com pessoas correndo descalças na grama. A grama é um terreno macio e ameniza o impacto causado pela pisada que começa pelo calcanhar. Portanto, quem usa o calcanhar para iniciar a pisada e corre descalço na grama, dificilmente muda esse padrão de pisada. Só para ser mais exato, drop zero é quando o tênis não tem diferença de altura entre o calcanhar e a frente dos tênis.
De qualquer forma o grau de dorsiflexão do tornozelo é menor, como se vê na foto, mas a pisada não começa com o antepé. (Leia a brochura completa da época de lançamento do Nike Free clicando aqui)

É por isso que não se cogitou tirar totalmente o salto do tênis. A única coisa que me intriga é por que os estudos não foram feitos com outras superfícies? De qualquer forma, o Free foi o primeiro tênis que foi feito pensando no funcionamento adequado do pé e foi feito à frente de seu tempo e quando foi lançado, em 2004, foi pouco compreendido. A própria Nike morria de medo que as pessoas se machucassem usando o tênis, tanto que recomendava que as pessoas o usasse apenas para fortalecer os pés e que não que fosse usado com muita frequência. Eu lembro que a caixa do Free vinha até com um plano de treinamento para que o uso do modelo fosse gradual.
O Free influenciou muitos minimalistas que vemos hoje em dia como as características de flexibilidade, segmentação do solado e forma larga. Até os modelos convencionais da Nike tem algo do dele.
A única coisa que não posso entender é o por que a Nike não dá um passo adiante nesse história de minimalismo e lança um Free drop zero. Penso aqui com os meus botões, que no momento em que ela fizer isso e usar a sua "fabulosa máquina de marketing", acho que a mesa vira de vez para o lado dos minimalistas de verdade. Isso se é que ela não anda preparando algo para o futuro. Será?
Terminado o treino, todos os atletas tiraram seus tênis/sapatilhas e foram para a parte interna da pista e fizeram o trote de desaquecimento descalços na grama.
Os consultores da Nike, que patrocinam o time de Stanford, perguntaram meio sem graça "O que acontece? Não mandamos tênis o suficiente para vocês?". A resposta de Vin Lananna foi mais ou menos o seguinte: "Não tenho como provar isso, mas eu acredito que quando meus atletas fazem isso, eles correm mais rápido e se lesionam menos". O consultores levaram essa conversa para os headquarters da Nike, que acabou criando o Free.
Aliás, esse história de atletas correrem descalços na grama após os treinos de qualidade é coisa muito antiga e tradicional entre a elite. Meu técnico, Wanderley de Oliveira me falou que todos faziam isso na Europa nos anos 1980. O fotógrafo Tião Moreira, que já foi um tremendo corredor, me falava que o técnico dele também mandava todo mundo tirar o tênis e correr descalço na grama para eliminar a energia "estática".
Mas então por que o Free nunca teve uma versão drop zero? Simples. Todos os estudos de biomecânica feitos para o desenvolvimento do tênis foram feitos com pessoas correndo descalças na grama. A grama é um terreno macio e ameniza o impacto causado pela pisada que começa pelo calcanhar. Portanto, quem usa o calcanhar para iniciar a pisada e corre descalço na grama, dificilmente muda esse padrão de pisada. Só para ser mais exato, drop zero é quando o tênis não tem diferença de altura entre o calcanhar e a frente dos tênis.
De qualquer forma o grau de dorsiflexão do tornozelo é menor, como se vê na foto, mas a pisada não começa com o antepé. (Leia a brochura completa da época de lançamento do Nike Free clicando aqui)
É por isso que não se cogitou tirar totalmente o salto do tênis. A única coisa que me intriga é por que os estudos não foram feitos com outras superfícies? De qualquer forma, o Free foi o primeiro tênis que foi feito pensando no funcionamento adequado do pé e foi feito à frente de seu tempo e quando foi lançado, em 2004, foi pouco compreendido. A própria Nike morria de medo que as pessoas se machucassem usando o tênis, tanto que recomendava que as pessoas o usasse apenas para fortalecer os pés e que não que fosse usado com muita frequência. Eu lembro que a caixa do Free vinha até com um plano de treinamento para que o uso do modelo fosse gradual.
O Free influenciou muitos minimalistas que vemos hoje em dia como as características de flexibilidade, segmentação do solado e forma larga. Até os modelos convencionais da Nike tem algo do dele.
A única coisa que não posso entender é o por que a Nike não dá um passo adiante nesse história de minimalismo e lança um Free drop zero. Penso aqui com os meus botões, que no momento em que ela fizer isso e usar a sua "fabulosa máquina de marketing", acho que a mesa vira de vez para o lado dos minimalistas de verdade. Isso se é que ela não anda preparando algo para o futuro. Será?
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
A tal dor no topo do pé
Das dores mais comuns que acontecem quando alguém está se adaptando à Corrida Natural, a Dor no Topo do Pé é a mais corriqueira.
O que é
É uma dor aguda na região conhecida como o peito do pé.
O que realmente é
Nem a Irene Davis, fisioterapeuta com especialização em biomecânica que trabalha em Harvard, sabe dizer ao certo o que acontece, mas temos o mesmo diagnóstico. Essa dor só acontece quando a musculatura instrínseca dos pés ainda não está fortalecida o suficiente para "aguentar" a técnica da corrida natural, ou seja, se você está fazendo mais quilometragem do que a musculatura dos pés está pronta para fazer, provavelmente terá essa dor. Ela também ocorre com mais frequência entre aqueles que estão se adaptando aos tênis minimalistas do que com os que estão começando a correr descalços.
Como evitar
Essa dor é conhecida no exterior como TOFP (Top of foot pain) e em geral acontece apenas na fase de transição. Eu mesmo tive essa dor quando estava iniciando. O problema mesmo é que ficamos tão empolgados com a nova técnica, que esquecemos que precisamos ter cautela. A musculatura precisa se adapatar aos novos estímulos e isso se aplica a qualquer esporte. Se você ficou anos sem jogar futebol e vai bater uma bolinha com os amigos no dia seguinte estará todo dolorido, não é mesmo? Tenha paciêcia para esperar seus pés ficarem prontos para corridas mais frequentes.
Como sarar
Quando comentei da TOFP com Christopher McDougall, autor de Nascidos para Correr, ele me disse que ela acontecia com quem tinha técnica ruim. Portanto, se você está sentindo a Dor no Topo do Pé, verifique se você está correndo com a cadência ideal, se sua postura está ereta e se você está correndo relaxado. Se for o caso, dimimua a quilometragem ou tire uns dias de descanso e volte a correr gradualmente. Mas se a dor estiver insuportável (espero que não seja o caso), procure ajuda profissional adequada.
Não é tão grave assim
Se você passou pela fase de transição sem sentir a TOFP, ela dificilmente acontecerá com você. E se aconteceu e você fez as correções na técnica, ela não voltará. Como disse no início, ela ocorre em geral quando a musculatura intrínseca dos pés está se adaptando (ou se fortalecendo) e uma vez que isso foi feito, difícilmente essa dor aparecerá.
Mantra
Assim como outros problemas que podem acontecer durante o período de adaptação ou mesmo se você estiver totalmente adaptado, tenha em mente um dos mantras mais importantes da corrida descalça: se está doendo, você está fazendo algo errrado. A corrida deve ser sempre prazerosa, divertida e não algo que cause dor. Afinal de contas, correr é o esporte mais natural que existe para para o ser humano. Lembre-se sempre disso.
O que é
É uma dor aguda na região conhecida como o peito do pé.
O que realmente é
Nem a Irene Davis, fisioterapeuta com especialização em biomecânica que trabalha em Harvard, sabe dizer ao certo o que acontece, mas temos o mesmo diagnóstico. Essa dor só acontece quando a musculatura instrínseca dos pés ainda não está fortalecida o suficiente para "aguentar" a técnica da corrida natural, ou seja, se você está fazendo mais quilometragem do que a musculatura dos pés está pronta para fazer, provavelmente terá essa dor. Ela também ocorre com mais frequência entre aqueles que estão se adaptando aos tênis minimalistas do que com os que estão começando a correr descalços.
Como evitar
Essa dor é conhecida no exterior como TOFP (Top of foot pain) e em geral acontece apenas na fase de transição. Eu mesmo tive essa dor quando estava iniciando. O problema mesmo é que ficamos tão empolgados com a nova técnica, que esquecemos que precisamos ter cautela. A musculatura precisa se adapatar aos novos estímulos e isso se aplica a qualquer esporte. Se você ficou anos sem jogar futebol e vai bater uma bolinha com os amigos no dia seguinte estará todo dolorido, não é mesmo? Tenha paciêcia para esperar seus pés ficarem prontos para corridas mais frequentes.
Como sarar
Quando comentei da TOFP com Christopher McDougall, autor de Nascidos para Correr, ele me disse que ela acontecia com quem tinha técnica ruim. Portanto, se você está sentindo a Dor no Topo do Pé, verifique se você está correndo com a cadência ideal, se sua postura está ereta e se você está correndo relaxado. Se for o caso, dimimua a quilometragem ou tire uns dias de descanso e volte a correr gradualmente. Mas se a dor estiver insuportável (espero que não seja o caso), procure ajuda profissional adequada.
Não é tão grave assim
Se você passou pela fase de transição sem sentir a TOFP, ela dificilmente acontecerá com você. E se aconteceu e você fez as correções na técnica, ela não voltará. Como disse no início, ela ocorre em geral quando a musculatura intrínseca dos pés está se adaptando (ou se fortalecendo) e uma vez que isso foi feito, difícilmente essa dor aparecerá.
Mantra
Assim como outros problemas que podem acontecer durante o período de adaptação ou mesmo se você estiver totalmente adaptado, tenha em mente um dos mantras mais importantes da corrida descalça: se está doendo, você está fazendo algo errrado. A corrida deve ser sempre prazerosa, divertida e não algo que cause dor. Afinal de contas, correr é o esporte mais natural que existe para para o ser humano. Lembre-se sempre disso.
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
10 dicas de como preparar seus pés para a corrida natural
Estas dicas são bem básicas para quem pensa em fazer boas adaptações para os seus pés. Ainda assim, apesar de bem simples, em um primeiro momento acredito que são as ideais para as novas plasticidades cerebrais que estão em formação e de preferência, sempre com ótimas emoções, facilitando assim qualquer forma de aprendizagem.
1) Ande descalço pela casa
2) Vá à padaria, banca, mercado e outros sem carro e a pé;
3) Realize uma breve caminhada descalço como atividade prévia ou após a sua corrida;
4) Bata aquela bola com seu filho(a) com os pés no chão e estimule os baixinhos para fazer o mesmo;
5) Se possível for, no trabalho, fique diferente, digo, descalço (claro, se trabalha no MIT* fica fácil, se for num banco, complica);
6) Se estiver pelo litoral a areia da praia é tudo de bom. O maior cuidado é com a temperatura, pois se for se movimentar num horário quente, pode ser perigoso;
7) Se treina numa academia, digamos particular, é possível realizar treinos de equilíbrio, coordenação motora e porque não, trabalho de força com os pés in natura;
8) Durante seminários, congressos e afins, fique descalço, vá para a hora do café e diga "estou com calo", fiz isto e deu certo;
9) Na casa da sogra, mãe e amigos, não tenha grilo, fique e ande descalço e ainda fale: "é a ultima moda nos EUA" para justificar seu novo hábito;
10) Após estas 10 dicas, está pronto para dar aquela corridinha intercalando com caminhada. Vá devagar, sempre respeitando o principio da sobrecarga que significa sempre do mais fácil para o mais difícil.
*MIT: Massachusetts Institute of Technology
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Corrida Natural no programa Gazeta Esportiva, da TV Gazeta de São Paulo
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Na terça-feira, dia 18, foi ao ar o quadro do programa Gazeta Esportiva da TV Gazeta de São Paulo em que apareço falando do meu histórico com a Corrida Natural. O repórter, Luiz Henrique Gurian, foi bem atento a conversa e a edição foi interessante. O divertido mesmo ficou por do nome dos calçados: "Squeshers", "Seiconi", "Fiver Finger", mas o que eu achava que daria problema saiu direitinho, a huarache.
No finalzinho, um dos apresentadores do programa, Celso Cardoso, soltou algo comum para quem nunca experimentou ou pesquisou a fundo a corrida descalça, algo como "Eu tenho a impressão que o risco de lesão é um pouco maior". É só impressão mesmo, pois estou desde 2009 sem me lesionar, Celsão. :) No entanto, julgo que a reportagem foi bem positiva e ajudará na divulgação da técnica e de que ela pode ajudar a evitar lesões.
Obs: como é interessante a gente se ver correndo. A impressão quando estava alí na grama é que estava me esforçando, afinal de contas, era um tiro de 800 m e fiz 1:22 na passagem dos 400 m. Visuamente eu nem aparento estar fazendo força! Tenho muito o que melhorar, meu amigo!
Na terça-feira, dia 18, foi ao ar o quadro do programa Gazeta Esportiva da TV Gazeta de São Paulo em que apareço falando do meu histórico com a Corrida Natural. O repórter, Luiz Henrique Gurian, foi bem atento a conversa e a edição foi interessante. O divertido mesmo ficou por do nome dos calçados: "Squeshers", "Seiconi", "Fiver Finger", mas o que eu achava que daria problema saiu direitinho, a huarache.
No finalzinho, um dos apresentadores do programa, Celso Cardoso, soltou algo comum para quem nunca experimentou ou pesquisou a fundo a corrida descalça, algo como "Eu tenho a impressão que o risco de lesão é um pouco maior". É só impressão mesmo, pois estou desde 2009 sem me lesionar, Celsão. :) No entanto, julgo que a reportagem foi bem positiva e ajudará na divulgação da técnica e de que ela pode ajudar a evitar lesões.
Obs: como é interessante a gente se ver correndo. A impressão quando estava alí na grama é que estava me esforçando, afinal de contas, era um tiro de 800 m e fiz 1:22 na passagem dos 400 m. Visuamente eu nem aparento estar fazendo força! Tenho muito o que melhorar, meu amigo!
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Flexione os joelhos e relaxe
(ou acertando a técnica de corrida natural com apenas duas lições)
Nota do Editor: esta é a primeira colaboração que o mineiro Leonardo Liporati faz ao Corrida Natural. Léo corre descalço desde 2005 e já completou cinco maratonas sem nada nos pés.
O ser humano não é um animal aquático. Para nós a água, como habitat, não é natural. Quem nunca aprendeu a nadar, se cair numa piscina funda irá se debater em desespero. Nadar exige o aprendizado de uma técnica própria. Por outro lado, a terra é nosso habitat. Correr é uma atividade básica, que era fundamental para a sobrevivência de nossos antepassados antes da invenção da agricultura. Então, correr com boa técnica deve estar gravado em nosso DNA. Entretanto, quando um iniciante começa a pesquisar sobre corrida descalça (ou natural), é comum encontrar sites e materiais no exterior que focam excessivamente nos detalhes da técnica de corrida: como o pé deve tocar no solo; como os dedos devem estar posicionadas; qual a inclinação do quadril, do tronco, da cabeça; qual o tamanho do passo; qual a cadência e etc. Não que isto não seja importante, mas eu sempre achei que sendo uma “técnica” natural, ela iria surgir naturalmente. O principal argumento contra o aparecimento espontâneo da corrida natural é o fato de usarmos calçados, a maioria de calcanhar elevado, desde a infância. Ao usar tênis com calcanhar elevado, nosso cérebro teve que desenvolver outra forma de correr, que chamarei de "mata-borrão". Nossos neurônios gravaram esta forma e irá levar um tempo para eles desaprenderem e readquirirem a forma natural. Lembrando e parafraseando o guru Ken Bob Saxton, se correr em asfalto e concreto não é natural, então correr nestes pisos usando tênis de borracha é menos natural ainda! Assim, o reaprendizado da forma natural é mais eficaz se você permitir que os elementos sensoriais do seu corpo, que estão obstruídos pelos calçados, sejam usados. Sendo assim, tire os calçados e deixei que os dois treinadores, que você tem na parte inferior do seu corpo, voltem a fornecer o feedback sensitivo ao seu sistema nervoso!
Infelizmente nem todos estão dispostos a tirar seus calçados, principalmente por questões sociais, e não terão o benefício destes sensores. Para estes considero muito importantes as duas lições que propus no título. Para os que se aventurarem totalmente descalços, elas não são menos importantes. O argumento da forma mata-borrão ter sido gravada em nossos neurônios é muito forte. Além disto, eu sempre achei que correr mentalizando os detalhes da forma, tais como contar passos ou ver como o pé toca no chão, pesam contra a naturalidade e o relaxamento. Para mim, a função do cérebro é escolher o caminho e a estratégia. A função dos pés, pernas, enfim, do restante do corpo envolvido na corrida é executar o movimento “ouvindo” os sensores. Assim, o cérebro decide quando aumentar ou diminuir a velocidade mas quem decide a forma de correr nesta nova velocidade é o restante do corpo.
A primeira, e talvez a mais importante lição, é flexionar os joelhos. No momento do contato do pé com o solo o joelho deve estar flexionado. Ao flexionar os joelhos você transforma seu membro inferior numa mola ou amortecedor ao invés de uma barra rígida. O joelho flexionado muda tudo. Vários detalhes da técnica surgem por si só. É impossível aterrissar com o calcanhar! É impossível correr com o tronco inclinado acentuadamente! É muito difícil correr com baixa cadência! Se você ainda está conseguindo fazer alguma destas coisas é porque você não flexionou os joelhos suficientemente (ou não está correndo). Na dúvida flexione mais os joelhos. Flexionar (mais) os joelhos é tão importante que, além de ser útil para amortecer o impacto em qualquer situação, é útil para aumentar a segurança nas descidas íngremes, em terrenos escorregadios e para aumentar o conforto em pisos difíceis tais como as ruas de paralelepípedos. Veja os vídeos abaixo, do Ken Bob na esteira, para entender o que significa flexionar os joelhos. Sempre que eu começo a sentir o impacto, eu lembro do mantra: "flexione mais os joelhos". Em situações extremas você deveria sentir como se estivesse correndo agachado (ou sentado). Não se esqueça deste mantra, ele faz milagres mas pode não ser o suficiente. Aí vem a segunda lição: o relaxamento.
É comum o relato de corredores que dizem ter feito a melhor prova da vida quando correram relaxados. Relaxe. Começe relaxando a panturrilha. Abaixo dos joelhos flexionados, o contato inicial do pé com o solo é usualmente na almofada, a panturrilha trabalha como amortecedor e depois deve relaxar pois toda a sola do pé deve tocar o chão distribuindo o peso corporal por uma área maior. Relaxe também os pés. O principal motivo para mantê-los tensos é a antecipação de dor. Não mentalize que o próximo passo será dolorido, mesmo que o piso seja áspero ou rugoso. Mas o relaxamento não se restringe somente as pernas e pés. Relaxe as mãos. Parece que temos uma herança dos antepassados quadrúpedes, relaxando as mãos é mais fácil relaxar os pés. Relaxe também ombros, braços, o quadril, enfim relaxe também a mente. Na minha opinião, a maioria das tensões são causadas pela antecipação infundada de problemas pelo cérebro. É por isto que não gosto de ficar mentalizando detalhes da técnica enquanto corro. A mente pode até dar uma ordem pontual para corrigir um detalhe mas logo deve desligar e deixar os sensores e a natureza trabalharem. Se estiver em dificuldade depois de flexionar mais os joelhos, lembre-se deste segundo mantra: "relaxe, relaxe e relaxe ainda mais".
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Minimalistas no Brasil: qual você tem?
Temos poucas opções de tênis verdadeiramente minimalistas aqui no Brasil. Opções reduzidas não faltam, Nike Free, Kivara da Saucony e GoRun da Skechers, por exemplo.
Queria saber, dos que são vendidos no Brasil, qual teve maior aceitação entre vocês. Vote!
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Queria saber, dos que são vendidos no Brasil, qual teve maior aceitação entre vocês. Vote!
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Veja como foi a Clínica de Corrida Natural em São Paulo
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A Clínica Tênis Minimalistas e Corrida Descalça que aconteceu neste último sábado, dia 8/12, foi muito legal. O evento, que contou com pouco mais de 20 pessoas, foi bem recebido por todos que estiveram presentes na loja Velocità Moema, em São Paulo. Acho que consegui atingir o meu objetivo, que é mostrar como é simples mudar o padrão de corrida e fazer com que as pessoas se conectem novamente com a forma natural de correr.
Após a palestra houve um grande bate-papo e várias questões foram levantadas, fato que enriqueceu ainda mais o evento. Logo depois demonstrei alguns exercícios educativos que ajudam no entendimento na técnica para que todos pudessem experimentar alguns conceitos, e diria que foi uma das partes em que as pessoas mais se divertiram.
Voltei a filmar os corredores (que foram filmados antes da palestra) e foi muito bom ver as pessoas correndo descalças mudando imediantamente o padrão de pisada. Quando todos terminaram de correr, olhei para a entrada da loja e vi que o sol havia se escondido atrás de algumas nuvens e perguntei para a galera: "Que tal darmos uma volta no quarteirão descalços?". Todos toparam e foi uma das melhores partes do evento, pois na esteira não é possível que se tenha total percepção das sensações que os pés descalços podem nos proporcionar.
Foi interessante observar as pessoas começando a correr de uma maneira, talvez receosas, para estarem totalmente à vontade ao chegarmos novamente na frente da loja. Sinto que meu objetivo foi atingido. É claro que a adaptação precisa ser gradual e isso foi dito na palestra, mas a semente foi plantada.
A Clínica deve voltar à Velocità em março de 2013 (ainda sujeito à confirmação) e também estou negociando a realização em outras localidades. Fique do olho por aqui.
Clique aqui se você quiser contratar a Clínica.
Aproveito também a oportunidade para agradecer o Rodrigo Carneiro por ter aberto as portas da Velocità para Clínica. Para quem não sabe, a Velocità é especializada em corrida de rua, contando com três lojas físicas e uma on-line.
Ps: fiquei tão empolgado com a palestra, os educativos e, principalmente, pela volta no quarteirão que esqueci completamente que a Saucony havia oferecido dois pares de Hattori (um masculino e outro feminino) para serem sorteados na Clínica...
Bom, fiz o sorteio hoje via Random.org, no randomizador de lista e os vencedores foram Ricardo Ramos e Andréa Cordeiro. Vou entrar em contato com os sortudos para saber o número do tênis que usam e me encarregar de entregar o prêmio.


A Clínica Tênis Minimalistas e Corrida Descalça que aconteceu neste último sábado, dia 8/12, foi muito legal. O evento, que contou com pouco mais de 20 pessoas, foi bem recebido por todos que estiveram presentes na loja Velocità Moema, em São Paulo. Acho que consegui atingir o meu objetivo, que é mostrar como é simples mudar o padrão de corrida e fazer com que as pessoas se conectem novamente com a forma natural de correr.
Após a palestra houve um grande bate-papo e várias questões foram levantadas, fato que enriqueceu ainda mais o evento. Logo depois demonstrei alguns exercícios educativos que ajudam no entendimento na técnica para que todos pudessem experimentar alguns conceitos, e diria que foi uma das partes em que as pessoas mais se divertiram.
Voltei a filmar os corredores (que foram filmados antes da palestra) e foi muito bom ver as pessoas correndo descalças mudando imediantamente o padrão de pisada. Quando todos terminaram de correr, olhei para a entrada da loja e vi que o sol havia se escondido atrás de algumas nuvens e perguntei para a galera: "Que tal darmos uma volta no quarteirão descalços?". Todos toparam e foi uma das melhores partes do evento, pois na esteira não é possível que se tenha total percepção das sensações que os pés descalços podem nos proporcionar.
Foi interessante observar as pessoas começando a correr de uma maneira, talvez receosas, para estarem totalmente à vontade ao chegarmos novamente na frente da loja. Sinto que meu objetivo foi atingido. É claro que a adaptação precisa ser gradual e isso foi dito na palestra, mas a semente foi plantada.
A Clínica deve voltar à Velocità em março de 2013 (ainda sujeito à confirmação) e também estou negociando a realização em outras localidades. Fique do olho por aqui.
Clique aqui se você quiser contratar a Clínica.
Aproveito também a oportunidade para agradecer o Rodrigo Carneiro por ter aberto as portas da Velocità para Clínica. Para quem não sabe, a Velocità é especializada em corrida de rua, contando com três lojas físicas e uma on-line.
Ps: fiquei tão empolgado com a palestra, os educativos e, principalmente, pela volta no quarteirão que esqueci completamente que a Saucony havia oferecido dois pares de Hattori (um masculino e outro feminino) para serem sorteados na Clínica...
Bom, fiz o sorteio hoje via Random.org, no randomizador de lista e os vencedores foram Ricardo Ramos e Andréa Cordeiro. Vou entrar em contato com os sortudos para saber o número do tênis que usam e me encarregar de entregar o prêmio.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Corrida natural e fones de ouvido não se misturam
Por que? Eu costumo dizer que para saber se estamos executando corretamente a técnica de corrida, devemos ouvir o "silêncio dos nossos passos".
Tá, eu sei. Muito filosófico, mas não é. Eu explico.
Uma das coisas que devemos estar atentos quando corremos, é se estamos fazendo muito barulho a cada pisada. Quem já não ouviu sujeitos literalmente martelando o chão quando corre? Façamos uma analogia com um carro. A lataria ou o motor pode estar fazendo barulhos esquisitos que podem ser facilmente abafados pelo volume do som estar no máximo.
A corrida natural deve ser suave. Ser suave significa ouvir seus tênis fazendo sons como "tap, tap, tap" ao invés de "tchof, tchof, tchof", com o perdão das onomatopeias. Se você corre descalço não deve ouvir barulho algum ao correr, caso contrário corre sério risco de se machucar. É quase uma arte "ninja".
Deixe para escutar música antes ou depois de correr. Seja suave: a corrida e seus pés agradecem.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Irene Davis, fisioterapeuta e pequisadora de Harvard, virá ao Brasil
Conforme eu postei no meu Blog Corredólatra, da Revista Contra-Relógio, Irene Davis, fisioterapeuta e pesquisadora de Harvard , virá ao Brasil para apresentar seus trabalhos no Simpósio de Lesões na Corrida, que vai rolar no dia 1º de dezembro em São Paulo.
Conversei bastante com Alexandre Dias Lopes, um dos organizadores do Simpósio, e ele tem uma visão muito favorável à Corrida Natural. Ele ainda tem suas reservas quanto a correr absolutamente descalço, mas é favorável aos minimalistas. O fato é que ficamos horas conversando sobre o assunto e é ótimo saber que há pessoas na academia com esse pensamento.
Eu irei ao Simpósio para acompanhar as palestras e espero conseguir um espaço na agenda da Irene para entrevistá-la. Ela pesquisa a corrida descalça há anos e também corre sem nada nos pés. A palestra que ela apresentará será "Corrida descalço: mudança de paradigmas sobre o padrão de pisada, tênis de corrida e tratamento de lesões em corredores".
O Simpósio tem como público-alvo os profissionais ligados à corrida, como treinadores, fisioterapeutas e ortopedistas, mas segundo Alexandre não há impedimento caso um "corredor-cidadão-comum" quiser se increver para assitir as palestras.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Post inaugural do site
Sei que pode parecer esquisito dizer que este post inaugura o blog Corrida Natural, já que você pode perceber que há várias postagens antigas nele.
Eu sou o autor do Blog Corredólatra, que fica no site da Revista Contra-Relógio desde 2010 e venho escrevendo entre outras coisas, sobre minimalismo e corrida descalça. São exatamente esses posts que estão aqui. Migrei de lá tudo que eu tinha escrito sobre o assunto.
Esse site é aberto à colaborações de todos. Em breve, alguns dos meu amigos "descalços" e que correm com tênis minimalistas passarão a escrever no site e compartilhar suas experiências.
Fiquem a vontade para comentar, cornetar, sugerir e mandar suas contribuições para que este site seja um ponto de encontro daqueles que se interessam por corrida descalça e minimalistas ou mesmo aqueles que procuram simplesmente melhorar sua técnica.
Vamos em frente!
Sérgio Rocha
Editor
Eu sou o autor do Blog Corredólatra, que fica no site da Revista Contra-Relógio desde 2010 e venho escrevendo entre outras coisas, sobre minimalismo e corrida descalça. São exatamente esses posts que estão aqui. Migrei de lá tudo que eu tinha escrito sobre o assunto.
Esse site é aberto à colaborações de todos. Em breve, alguns dos meu amigos "descalços" e que correm com tênis minimalistas passarão a escrever no site e compartilhar suas experiências.
Fiquem a vontade para comentar, cornetar, sugerir e mandar suas contribuições para que este site seja um ponto de encontro daqueles que se interessam por corrida descalça e minimalistas ou mesmo aqueles que procuram simplesmente melhorar sua técnica.
Vamos em frente!
Sérgio Rocha
Editor
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Clínica de tênis minimalistas e corrida descalça
Já faz algum tempo que venho amadurecendo a ideia de organizar uma Clínica para aqueles corredores que se interessam ou já correm com tênis minimalistas ou mesmo descalço.
A maioria dos leitores deste blog sabem que estou "nessa história" de correr descalço ou com tênis mínimos há cerca de 3 anos e nesse período li, pesquisei e experimentei vários tipos de calçados em treinos e provas. A ideia que eu tenho por trás da Clínica é de poder ter a oportunidade de ajudar as pessoas que estão interessadas em correr com esses tipos de calçados ou sem nenhum mesmo. Os que estão iniciando poderão aprimorar sua visão sobre o assunto e obter dicas valiosas para que sua transição não venha acompanhada de lesões inesperadas. Para aqueles que já tem vivência no assunto, é uma chance de rever conceitos, esclarecer dúvidas e compartilhar experiências.
Assuntos que serão abordados:
1) O que é corrida natural: estudos e evidências
2) Tênis minimalistas e corrida descalça: conceitos e adaptação
3) Técnica de corrida: os três pilares.
4) Prática: a aplicação da técnica na esteira e análise com vídeo.
A primeira Clínica será realizada no dia 8 de dezembro (sábado) na Loja Velocità Moema (rua Pavão, 342 - São Paulo, SP), das 9:00 às 10:30 da manhã. O custo é de R$ 60 e as inscrições podem ser feitas clicando no botão abaixo.
Eu também criei uma página especial da Clínica no Facebook (clique aqui) para divulgar e incentivar a troca de informações entre os corredores.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
E a Mizuno finalmente entra no bonde do minimalismo
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A Mizuno lançará em janeiro de 2013 (ao menos no exterior) uma linha de minimalistas para valer.
A linha será chamada de "Evo" (aliás, esse nome deve render processo por parte da Vivo Barefoot - veja aqui) e os tênis tem zero de drop (sem diferença entre a altura do calcanhar para a frente do pé e tem a forma larga. Serão dois modelos:
- Evo Levitas: amortecimento de 15 mm; 200 gramas de peso - modelo 40 masc.; preço lá fora - US$ 110)
- Evo Cursoris: amortecimento de 18 mm, 230 gramas - modelo 40 masc.; preço lá fora - US$ 120)
No vídeo, os designers dizem que a Mizuno decidiu desenvolver um produto para as pessoas que estão usando o médio-pé como contato inicial da pisada ao invés do calcanhar, e por isso, tranferiram a placa wave para a frente do calçado. Apesar de dizerem que o tênis é bastante flexível, não é possível saber, pois não fizeram o "show de contorcionismo" como modelo, que deve ser apenas uma amostra. Porém, a forma é larga e me interessei bastante pelo produto.
Ainda não entrei em contato com a Mizuno brasileira, mas farei um update desse post assim que tiver mais informações sobre eles.
Atualização: Fui informado pela assessoria de imprensa da Mizuno, que a linha Evo será lançada no Brasil em fevereiro de 2013. Isso de certa forma vem ao encontro com a política da marca, que é de fazer os lançamentos do novos modelos em nível mundial, ou seja, chega aqui quase ao mesmo tempo que lá fora. Em geral as outras marcas internacionais (Asics, Adidas e Nike, por exemplo) lançam seus novos modelos ou atualiações por aqui com um semestre de diferença. Ficou faltando a informação do preço dos modelos, mas devem ser ficar entre R$ 500 e R$ 600 por causa dos impostos, tarifas anti-dumping, etc.
Atualização 2: Supresa! Os dois modelos serão comercializados por R$ 299 no Brasil e a venda será restrita às lojas especializadas em corrida, como a Procorrer, Velocità, Fast Runner, etc. Ótimo preço, sem dúvida!
A Mizuno lançará em janeiro de 2013 (ao menos no exterior) uma linha de minimalistas para valer.
A linha será chamada de "Evo" (aliás, esse nome deve render processo por parte da Vivo Barefoot - veja aqui) e os tênis tem zero de drop (sem diferença entre a altura do calcanhar para a frente do pé e tem a forma larga. Serão dois modelos:
- Evo Levitas: amortecimento de 15 mm; 200 gramas de peso - modelo 40 masc.; preço lá fora - US$ 110)
- Evo Cursoris: amortecimento de 18 mm, 230 gramas - modelo 40 masc.; preço lá fora - US$ 120)
No vídeo, os designers dizem que a Mizuno decidiu desenvolver um produto para as pessoas que estão usando o médio-pé como contato inicial da pisada ao invés do calcanhar, e por isso, tranferiram a placa wave para a frente do calçado. Apesar de dizerem que o tênis é bastante flexível, não é possível saber, pois não fizeram o "show de contorcionismo" como modelo, que deve ser apenas uma amostra. Porém, a forma é larga e me interessei bastante pelo produto.
Ainda não entrei em contato com a Mizuno brasileira, mas farei um update desse post assim que tiver mais informações sobre eles.
Atualização: Fui informado pela assessoria de imprensa da Mizuno, que a linha Evo será lançada no Brasil em fevereiro de 2013. Isso de certa forma vem ao encontro com a política da marca, que é de fazer os lançamentos do novos modelos em nível mundial, ou seja, chega aqui quase ao mesmo tempo que lá fora. Em geral as outras marcas internacionais (Asics, Adidas e Nike, por exemplo) lançam seus novos modelos ou atualiações por aqui com um semestre de diferença. Ficou faltando a informação do preço dos modelos, mas devem ser ficar entre R$ 500 e R$ 600 por causa dos impostos, tarifas anti-dumping, etc.
Atualização 2: Supresa! Os dois modelos serão comercializados por R$ 299 no Brasil e a venda será restrita às lojas especializadas em corrida, como a Procorrer, Velocità, Fast Runner, etc. Ótimo preço, sem dúvida!
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Falando sobre tênis minimalistas e corrida descalça na TV
O amigo e jornalista Gustavo Maia me chamou para gravar um papo sobre tênis minimalistas e corrida descalça na primeira edição do Fôlego 25, programa sobre corrida e qualidade de vida do canal local da NET, em Jundiaí, onde moro.
É sempre bom ter a oportunidade de falar sobre esse assunto. E além do mais, estar no mesmo programa que tem uma entrevista com o "meu primo", Solonei Rocha, é uma tremenda honra.
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É sempre bom ter a oportunidade de falar sobre esse assunto. E além do mais, estar no mesmo programa que tem uma entrevista com o "meu primo", Solonei Rocha, é uma tremenda honra.
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segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Calçar ou não calçar: eis a questão
Depois de experimentar muitas coisas no pé nesses últimos dois anos em que adotei o minimalismo e a corrida descalça, consegui agora bater o martelo. Martelo no sentido de como me calçar ou não calçar nos treinos e provas.
Ah! Para aqueles que acham que para correr descalço ou quase é necessário ser "biomecanicamente perfeito": vejam minhas lindas joanetes!
1) TREINOS DE QUALIDADE EM PISTA DE ATLETISMO: DESCALÇO.

Não tem jeito. Correr descalço na pista do Bolão, em Jundiaí, é imbatível para mim. Já corri com os Vibram Five Fingers, com huaraches e outros minimalistas. Quando descalço consigo me manter atento à técnica e não tenho dúvida que meus treinos são mais rápidos quando não tenho nada nos pés. Qualquer outro calçado eu sinto que perco aderência, a não ser que eu calce uma sapatilha, que é fora de cogitação para mim, dada a “estreiteza” desse tipo de calçado.
2) RODAGENS: DESCALÇO E HUARACHES.


Nas rodagens alternar o descalço com as sandálias me parecem a solução perfeita, principalmente depois da experiência de correr com o mais recente modelo das Lunas Sandals, com os ATS laces. O ajuste ficou mais fácil e o fato de não ter nenhum tipo de cabedal torna a experiência mais próxima do que seria o descalço – o pé inteiro respira. Por vezes, faço as rodagens sem as sandálias, dependendo do local onde estou treinando. O Parque do Ibirapuera, por exemplo, com o asfalto todo recapeado é um verdadeiro tapete para mim.
3) PROVAS: VIBRAM FIVE FINGERS KSO

Depois de ter problemas com o uso dos VFF, abandonei esses calçados por um bom tempo – devo ter ficado mais de um ano sem calçar um. Acontece que toda vez que usava os VFF, eu não conseguia correr corretamente. Quando dava por mim, estava aterrisando com o calcanhar ou tracionando demais para decolar. Então os VFF que eu tinha ficaram esquecidos no fundo do meu armário.
Eu até corri algumas provas descalço por experiência e gostei, mas achava que para competir, quando queremos dar tudo que temos, não dá para ficar se preocupando com a qualidade do asfalto da prova. Com as huaraches, minhas experiências não foram muito boas, pois sou daquele tipo de corredor que pega dois copos no posto de abastecimento. Bebo um e o outro vai para cima da cabeça para “arrefecer o motor”. Quando faço isso, a água desce até os pés e as sandálias ficavam “sambando” neles. Com o VivoBarefoot Ultra, que usei na Maratona de Porto Alegre, acontece a mesma coisa. Como o calçado é todo feito de EVA, não tem escape para a água, e meu pé também deu umas escorregadas durante a prova.
Foi então que decidi dar mais uma chance para os VFF. Na verdade até pensei em usá-los em PoA, mas desisti por ter feito poucos longos com eles. Devia ter usado. Meus recordes nos 10 km (43 min) e na Meia-Maratona (1h39) vieram com os VFF. Fiz um tempo muito bom também na Maratona Beto Carrero, em que corri pouco mais que 21.1 km. O que eu senti, como escrevi nesse post, é que agora, que minha técnica de corrida está melhor, não importa mais o que uso nos pés. Os VFF não “sambam” nos meus pés quando ficam encharcados de água, então acabam sendo perfeitos para a tarefa. O detalhe é que uso meias para correr com eles. São meias que também separam os dedos e preciso delas pois o VFF KSO que uso tem uma costuras que me machucam e elas solucionam esse problema.
No próximo domingo vou correr a Meia Internacional do Rio com os VFF e preciso comprovar para mim mesmo que o tempo que fiz no Beto Carrero é de verdade. A meia servirá como preparação para a Maratona de Buenos Aires, em outubro. Até lá, não farei mais experiências com os calçados em provas, pois como diz o título desse post – bati o martelo.
Ah! Para aqueles que acham que para correr descalço ou quase é necessário ser "biomecanicamente perfeito": vejam minhas lindas joanetes!
1) TREINOS DE QUALIDADE EM PISTA DE ATLETISMO: DESCALÇO.
Não tem jeito. Correr descalço na pista do Bolão, em Jundiaí, é imbatível para mim. Já corri com os Vibram Five Fingers, com huaraches e outros minimalistas. Quando descalço consigo me manter atento à técnica e não tenho dúvida que meus treinos são mais rápidos quando não tenho nada nos pés. Qualquer outro calçado eu sinto que perco aderência, a não ser que eu calce uma sapatilha, que é fora de cogitação para mim, dada a “estreiteza” desse tipo de calçado.
2) RODAGENS: DESCALÇO E HUARACHES.
Nas rodagens alternar o descalço com as sandálias me parecem a solução perfeita, principalmente depois da experiência de correr com o mais recente modelo das Lunas Sandals, com os ATS laces. O ajuste ficou mais fácil e o fato de não ter nenhum tipo de cabedal torna a experiência mais próxima do que seria o descalço – o pé inteiro respira. Por vezes, faço as rodagens sem as sandálias, dependendo do local onde estou treinando. O Parque do Ibirapuera, por exemplo, com o asfalto todo recapeado é um verdadeiro tapete para mim.
3) PROVAS: VIBRAM FIVE FINGERS KSO
Depois de ter problemas com o uso dos VFF, abandonei esses calçados por um bom tempo – devo ter ficado mais de um ano sem calçar um. Acontece que toda vez que usava os VFF, eu não conseguia correr corretamente. Quando dava por mim, estava aterrisando com o calcanhar ou tracionando demais para decolar. Então os VFF que eu tinha ficaram esquecidos no fundo do meu armário.
Eu até corri algumas provas descalço por experiência e gostei, mas achava que para competir, quando queremos dar tudo que temos, não dá para ficar se preocupando com a qualidade do asfalto da prova. Com as huaraches, minhas experiências não foram muito boas, pois sou daquele tipo de corredor que pega dois copos no posto de abastecimento. Bebo um e o outro vai para cima da cabeça para “arrefecer o motor”. Quando faço isso, a água desce até os pés e as sandálias ficavam “sambando” neles. Com o VivoBarefoot Ultra, que usei na Maratona de Porto Alegre, acontece a mesma coisa. Como o calçado é todo feito de EVA, não tem escape para a água, e meu pé também deu umas escorregadas durante a prova.
Foi então que decidi dar mais uma chance para os VFF. Na verdade até pensei em usá-los em PoA, mas desisti por ter feito poucos longos com eles. Devia ter usado. Meus recordes nos 10 km (43 min) e na Meia-Maratona (1h39) vieram com os VFF. Fiz um tempo muito bom também na Maratona Beto Carrero, em que corri pouco mais que 21.1 km. O que eu senti, como escrevi nesse post, é que agora, que minha técnica de corrida está melhor, não importa mais o que uso nos pés. Os VFF não “sambam” nos meus pés quando ficam encharcados de água, então acabam sendo perfeitos para a tarefa. O detalhe é que uso meias para correr com eles. São meias que também separam os dedos e preciso delas pois o VFF KSO que uso tem uma costuras que me machucam e elas solucionam esse problema.
No próximo domingo vou correr a Meia Internacional do Rio com os VFF e preciso comprovar para mim mesmo que o tempo que fiz no Beto Carrero é de verdade. A meia servirá como preparação para a Maratona de Buenos Aires, em outubro. Até lá, não farei mais experiências com os calçados em provas, pois como diz o título desse post – bati o martelo.
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segunda-feira, 25 de junho de 2012
A corrida descalça e a curiosidade científica
A comunidade científica/esportiva adora o tema "correr descalço". Porém, ao invés de tentar entender o porquê de correr descalço gerar menos impacto nas articulações, parece que a diversão atual de parte desse pessoal é pegar argumentos dos descalços e produzir estudos para tentar derrubá-los. Tudo bem, isso faz parte do jogo.
Já tivemos aquele em que disseram que correr com um tênis de 150 gramas é mais vantajoso do ponto de vista metabólico do que correr descalço (leia aqui). Daí você tem acesso ao estudo e vê que o "descalço" era correr de meias antiderrapantes em uma esteira. Descalço é descalço e acabou. Estar de meias não é estar descalço.
Hoje, o amigo Cássio Politi me mandou o seguinte tuíte: "@Sergio_CR Viu isso? O estudo diz que barefoot não fortalece os pés. Difícil de engolir, não? http://bit.ly/MvxIaM". Fui lá ler. É o blog Sweat Science, do Alex Hutchinson, que leio com frequencia. Lá ele fala sobre o estudo apresentado por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, EUA, no último congresso da Faculdade Americana de Medicina Esportiva, dia 31 de maio.
O título é "Magnetic Resonance Analysis of Intrinsic Foot Musculature during Running in Shod and Barefoot Conditions" (ou, "Análise de resonancia magnética da musculatura intrínseca do pé durante a corrida com tênis e descalço"). A intenção dos pesquisadores era ver se havia diferença na ativação dos músculos dos pés com as duas condições. Pegaram quatro corredores (isso mesmo, apenas quatro) e fizeram uma ressonância magnética no pé direito de cada um deles. Então, os quatro corriam uma milha (isso mesmo, apenas uma milha, ou 1,609 km) descalços na esteria e a ressonância era feita novamente. 48 horas depois, repetiam a experiência com os corredores usando tênis.
Conclusão dos pequisadores: correr uma milha na esteira não resulta em ativação significativa dos músculos intrínsecos dos pés (jura? ah, vá!). Correr descalço não resulta em ativação maior desses músculos comparativamente à correr com tênis. Isso sugere que correr descalço talvez (isso mesmo, talvez) não resulte em fortalecimento dos músculos intrínsecos dos pés."
Para começo de conversa, existem várias maneiras medir o esforço da musculatura durante qualquer tipo exercício. Já vi fazerem isso em laboratórios de biomecânica. Colocam-se eletrôdos nos pés e se consegue ver quanto calor tal ponto está produzindo, portanto, acionamento da musculatura (se algum expert do assunto estiver lendo, por favor me corrija). Agora por que foram medir antes e depois de correr? Método científico? Sei lá! E tem mais, 1,6 km? Não dá tempo nem de aquecer o corpo, companheiro!
No final das contas, eu acho isso tudo divertido: ver parte da comunidade científica pesquisando o assunto e olhando de forma errada. São os cientístas que tem que ver as coisas "por fora da caixa". Até porque eu, na minha insignificancia, não consigo provar que correr descalço deixa o meu pé mais forte ou não. Para mim, já está provado que correr com a técnica da corrida descalça resulta em menos impacto na corrida. Eu sinto isso, literalmente na pele. São mais de dois anos sem me lesionar.
A técnica da corrida descalça, ou técnica natural, pode ser praticada com qualquer tênis (vide o amigo e fisioterapeuta David Homsi, que mesmo usando um tênis "tradicional" corre começando a pisada com o antepé). É lógico que com um tênis com o calcanhar elevado e muito "amortecimento", isso fica muito mais difícil de ser feito. Eu mesmo não corro exclusivamente descalço.
Bom mesmo é saber que há cientistas que não procuram simplesmente tentar derrubar os argumentos dos descalços/minimalistas, e que há muitos estudos rolando por aí sobre esse assunto, inclusive no Brasil, e teremos muito assunto e estudos para discutir futuramente.
Mas, por favor, meus caros colegas do mundo acadêmico, apresentar um trabalho feito com apenas quatro corredores, correndo apenas uma milha? Faça-me o favor! Me poupe!
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domingo, 17 de junho de 2012
Técnica é fundamental
Quando comecei meus experimentos com os tênis minimalistas há 2 anos e meio, minha primeira escolha foi o Vibram Five Fingers. No início, abusei e fiz o que o pessoal no exterior chama de TMTS (Too much, too soon - fazer demais, cedo demais), ou seja, já saí correndo 8 km de cara e minhas panturrilhas gritavam no dia seguinte. Moderei e fui me acertando.
Depois de um certo tempo, comecei a ter uma tal de TOFP (Top of the foot pain), uma dor aguda no peito do pé - fruto de técnica incorreta. Só quando decidi tirar o Five Fingers e começar a correr descalço eventualmente, foi que entendi o que estava fazendo de errado. Minha cadência (quantidade de vezes em que o pé toca no chão durante a corrida, medida em passos por segundo) estava abaixo de 180 e ainda pousava os pés um pouco à frente do meu centro de gravidade.
Fui acertando a técnica correndo ora com as sandálias do tipo huarache, ora descalço e fui aprimorando o jeito de correr. De vez em quando corria com o Vibram e não dava certo. Apareciam certas dores e passei a me distanciar deles. Até criei minha própria teoria da conspiração: separar os dedos dos pés não é natural. Até faz sentido. Acho que tirando o dedão, rola uma certa conversa entre os dedos, do tipo: "Escuta, acabei de encostar no chão, e você?", e o mindinho responde: "Eu já saí do chão" e assim por diante.
Correndo descalço e com as huaraches os dedos ficam livres para se esticarem e se mexerem sem interferencia alguma. Portanto, os VFF eram vilões. Meses passaram e quando fui correr a Tribuna, em Santos, decidi dar outra chance às luvas dos pés. Deu certo. Na verdade, deu mais certo do que eu pensava. Na verdade, foi ótimo.
Ontem, antes de começar a Maratona de São Paulo (que acompanhei pela TV, pois tinha festa junina da escola dos meus filhos*), calcei os VFF e fiz um excelente treino de 15 km. Minha teoria da conspiração era uma fraude. Se tem alguma conversa entre os dedos dos pés eu realmente não sei, mas cheguei à conclusão de que o que importa é realmente a técnica da corrida. Se ela não é boa, não importa o que você está calçando - você terá problemas. Com os tênis minimalistas, isso é fundamental.
Foi por isso que escrevi a matéria que está na edição deste mês da Contra-Relógio - "Adapte-se aos tênis minimalistas", em que faço um pequeno guia para aqueles que desejam correr com os tênis mínimos não cometam erros que eu cometi e que possam colher bons frutos e uma corrida com uma técnica mais "limpa", ou como nós que corremos descalços chamamos: com uma técnica natural.
-------------
* Lógico que depois do treino acompanhei a MSP e fiquei emocionado com a vitória do Solonei. Por tudo que esse cara passou nos últimos meses, vejo a conquista em São Paulo como uma volta por cima e a retomada da confiança que ele tanto precisa. Vamos ver o que ele vai aprontar na Maratona de Nova York, onde tem presença já confirmada. Parabéns, Solis!
Depois de um certo tempo, comecei a ter uma tal de TOFP (Top of the foot pain), uma dor aguda no peito do pé - fruto de técnica incorreta. Só quando decidi tirar o Five Fingers e começar a correr descalço eventualmente, foi que entendi o que estava fazendo de errado. Minha cadência (quantidade de vezes em que o pé toca no chão durante a corrida, medida em passos por segundo) estava abaixo de 180 e ainda pousava os pés um pouco à frente do meu centro de gravidade.
Fui acertando a técnica correndo ora com as sandálias do tipo huarache, ora descalço e fui aprimorando o jeito de correr. De vez em quando corria com o Vibram e não dava certo. Apareciam certas dores e passei a me distanciar deles. Até criei minha própria teoria da conspiração: separar os dedos dos pés não é natural. Até faz sentido. Acho que tirando o dedão, rola uma certa conversa entre os dedos, do tipo: "Escuta, acabei de encostar no chão, e você?", e o mindinho responde: "Eu já saí do chão" e assim por diante.
Correndo descalço e com as huaraches os dedos ficam livres para se esticarem e se mexerem sem interferencia alguma. Portanto, os VFF eram vilões. Meses passaram e quando fui correr a Tribuna, em Santos, decidi dar outra chance às luvas dos pés. Deu certo. Na verdade, deu mais certo do que eu pensava. Na verdade, foi ótimo.
Ontem, antes de começar a Maratona de São Paulo (que acompanhei pela TV, pois tinha festa junina da escola dos meus filhos*), calcei os VFF e fiz um excelente treino de 15 km. Minha teoria da conspiração era uma fraude. Se tem alguma conversa entre os dedos dos pés eu realmente não sei, mas cheguei à conclusão de que o que importa é realmente a técnica da corrida. Se ela não é boa, não importa o que você está calçando - você terá problemas. Com os tênis minimalistas, isso é fundamental.
Foi por isso que escrevi a matéria que está na edição deste mês da Contra-Relógio - "Adapte-se aos tênis minimalistas", em que faço um pequeno guia para aqueles que desejam correr com os tênis mínimos não cometam erros que eu cometi e que possam colher bons frutos e uma corrida com uma técnica mais "limpa", ou como nós que corremos descalços chamamos: com uma técnica natural.
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* Lógico que depois do treino acompanhei a MSP e fiquei emocionado com a vitória do Solonei. Por tudo que esse cara passou nos últimos meses, vejo a conquista em São Paulo como uma volta por cima e a retomada da confiança que ele tanto precisa. Vamos ver o que ele vai aprontar na Maratona de Nova York, onde tem presença já confirmada. Parabéns, Solis!
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