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sexta-feira, 22 de março de 2013

Matéria na Outside americana, estudos a serem analisados e Clínica amanhã, em SP.

CapaOutsideAcabei de ler uma excelente matéria sobre minimalismo e corrida descalça que saiu na edição de abril da edição americana da revista Outside.

A matéria, escrita por Andrew Tilin, é entitulada "You don't know how to run" (ou 'Você não sabe como correr') fala sobre a "guerra" travada entre adeptos dos minimalistas/descalços e os "tradicionalistas".  Tilin soube analisar os dois lados da moeda, sendo que não tem jeito - a ciência sempre acaba pendendo para os minimalistas. A Irene Davis (que esteve no Brasil no ano passado - leia aqui) é a grande fonte da matéria, inclusive botando o jornalista para correr na esteira e ver como funcionam os picos de impacto com o tênis e descalço.

Não quero acabar com a expectativa de ninguém. Compre a sua na banca, versão para tablets ou aguarde a edição brasileira traduzir a matéria nos próximos meses.

ESTUDOS. Tenho um amigo fisioterapeuta que me mandou alguns estudos muito interessantes sobre padrão de pisada e lesões. Devo analisar tudo na semana que vem. Aguardem!

CLÍNICA. Amanhã vou estar na Velocità Moema para a Clínica de Corrida Natural (veja o que é). Ainda dá tempo de se increver (clique aqui) ou o pagamento pode ser feito amanhã mesmo na loja.

Até lá!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Estudo mostra diferença de padrões de pisada entre quenianos. Isso muda alguma coisa?

Estudo publicado na Plos One, uma revista científica online, revelou que nem todos os quenianos que cresceram sem usar calçados tem o mesmo padrão de pisada quando correm.

No trabalho entitulado "Variation in Foot Strike Patterns during Running among Habitually Barefoot Populations" ("Variações de padrão de pisada durante a corrida entre populações habitualmente descalças", em tradução livre), os pesquisadores buscaram entender a evolução do padrão de pisada dos seres humanos e encontraram dados diferentes dos colhidos na pesquisa liderada pelo professor de Harvard Daniel Lieberman, no famoso estudo publicado na revista Nature, em 2010. Na ocasião, o padrão de pisada constatado era, em sua maioria, o antepé e foi feita com quenianos da tribo Kalejin (estimo que pelo menos 95% dos quenianos que disputam provas mundo afora são dessa etnia).

Na pesquisa, agora liderada pelo professor Kevin Hatala, da Universidade George Washington, quenianos da tribo Daasanach foram testados e para surpresa dos pesquisadores, nas velocidades baixas, o padrão de pisada preponderante era o retropé, ou o calcanhar.

Opa! Então está tudo errado? Lógico que não. Veja bem, os Daasanach não são uma tribo de corredores "por natureza". Digo, não há corredores entre eles. Na pesquisa de Harvard, os Kalejin corriam ao menos 20 km semanais e os Daasanach nem chegam nem perto disso. E veja bem, eles usavam o retropé, ou calcanhar, como queira, quando estavam em velocidades mais lentas (no alto, foto 1). O que aconteceu quando a velocidade era maior? A maioria optou  pelo antepé (no altofoto 2).

A grande diferença entre as duas pesquisa é que Liberman comparou pessoas que corriam habitualmente descalças e a pesquisa de Hatala é sobre corrida em populações descalças, o que é uma grande diferença.

Quando começamos a correr, descalços ou não, há um tempo para que nós possamos buscar o que é mais eficiente. A meu ver, os resultados da pesquisa foram precipitados ao dizer que o padrão de corrida entre as populações habitualmente descalças não é apenas o antepé.

Veja bem: tudo se baseia em cultura de corrida, adaptações musculares, entre outros. Para mim, nada mudou. Nem para os pesquisadores, que reconhecem que o uso do antepé na aterrisagem é mais eficiente e é isso o que realmente importa.

O que podemos constatar ao final, é que mesmo sendo "habitualmente" descalço, só quem é um "usuário" habitual de corrida descalça é que desenvolve o padrão "natural" de corrida, ou seja, iniciar a pisada com o antepé. O ideal seria que os pesquisadores colocassem os Dassanah para correr pelo menos uns 10 km semanais. Não tenho dúvida que o resultado seria diferente.

Voltando ao que eu disse há dois parágrafos atrás: ao dizer que o padrão de corrida entre as populações habitualmente descalças não é apenas o antepé, temos que entender que não é o antepé pois é necessário ser um corredor habitual para que isso ocorra.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Valeu a pena ter ido ao Simpósio de Lesões na Corrida

[caption id="attachment_2449" align="alignleft" width="960"] Alexandre Dias Lopes, um dos organizadores do Simpósio, durante sua palestra[/caption]

Foi muito bom ter ido ao Simpósio de Lesões na Corrida neste último sábado. Até escrevi um artigo para o Blog Últimas da revista Contra-Relógio sobre o que rolou por lá (clique aqui para ler).

Aqui vou deixar um "testemunho". Soube da realização do Simpósio através de um grande amigo e corredor rapidíssimo Edvaldo Bueno (vulgo Acerola). Ele me mandou uma mensagem pelo Facebook mais ou menos assim: "Serjão, dá uma olhada no site da FPA que vai rolar um Simpósio que tem assunto do seu interesse".

Fui ao site da Federação Paulista de Atletismo crente de que tratava-se de uma brincadeira dele. Achei o link para o Simpósio e tomei um susto. "Caramba, a Irene Davis no Brasil?", pensei comigo mesmo. Irene é fisioterapeuta com doutorado em biomecânica e atua como pesquisadora no Spaulding National Running Center, da Universidade de Harvard. Ela fez parte da equipe chefiada pela professor Daniel E. Lieberman que publicou o famoso trabalho que foi matéria de capa da edição de janeiro de 2010 da revista Nature. Nele foi levantada a hipótese de que correr descalço pode causar menos lesões do que correr com tênis de corrida tradicional, pois os corredores habitualmente descalços geravam uma força de reação menor em uma plataforma de força do que corredores com o padrão de pisada comumente usado — o que inicia pelo calcanhar.

Bom, nem preciso dizer que o trabalho e o artigo causaram um grande alvoroço tanto na indústria como também entre os corredores. No início houve muito ceticismo, mas como o estudo não foi contestado e as marcas de tênis não vieram a público mostrar trabalhos que  mostrassem o contrário, o mercado de tênis minimalista foi crescendo e já ganhou corpo nos EUA e na Europa, até pela demanda dos próprios corredores. Aqui no Brasil a coisa ainda está engatinhando, mas vai indo, pois as grandes marcas já estão trazendo seus lançamentos mais recentes, sendo minimalistas ou reduzidos (vide New Balance, Asics, Nike, Saucony, Skechers e, em breve, Adidas).

Pois bem, entrei em contato com o SPRunIG (São Paulo Running Injury Group), que pertence à Universidade da Cidade de São Paulo (UNICID), para me apresentar, pedir credenciamento para o Simpósio e tentar marcar uma entrevista com a Irene Davis.

Me passaram o contato de um dos responsáveis pelo evento e professor do curso de mestrado em Fisioterapia da UNICID, Alexandre Dias Lopes. Liguei, me identifiquei e passamos horas conversando ao telefone. No bate-papo,  descobri que Alexandre tem uma visão muito favorável à corrida natural e trocamos diversas informações sobre estudos, corridas, padrão de pisada e uma infinidade de outras coisas. A conversa foi tão boa, que ao desligar percebi que tinha esquecido de pedir o credenciamento para o Simpósio...

Resolvido o credenciamento, entrei em contato com a assessoria de imprensa da Universidade para marcar a entrevista com a Irene Davis. Fui ao Simpósio de carona com um casal de amigos de Jundiaí, o Max, que é um ótimo corredor e sua mulher, Andréa, educadora física. No Simpósio esbarrei em alguns conhecidos, como o fisioterapeuta Wesley Craveiro, que conheci em Brasília e com o treinador de Piracicaba Rodrigo Murakami. Também pude encontrar pessoalmente o José Eduardo Gonçalves, com quem tinha trocado algumas mensagens pelo Facebook antes do evento.

O Simpósio excedeu em muito as minhas expectativas. Por que? Porque fizeram algo para questionar convenções e por em dúvida o marketing ligado ao esporte. As palestras derrubaram vários conceitos que estão totalmente enraizados na cultura esportiva, não só dos praticantes de corrida, mas como também os treinadores e profissionais ligados à saúde e reabilitação, como fisioterapeutas e ortopedistas.

O alongamento, por exemplo, questionado pela Contra-Relógio desde 2006, foi alvo de debates acalorados, pois foi deixado claro que não há estudos que comprovem que alongamento previna lesões - e essa é a principal razão dada pelos profissionais de educação física aos seus alunos - a de que alongando o corredor estará menos suscetível à elas.

Foi questionado também o uso de meias de compressão e de palmilhas, por também não apresentarem estudos científicos que apoie o uso desses equipamentos.

A palestra de Matheus de Almeida, que falou sobre aspectos controversos nos tênis tradicionais de corrida, somada à excelente apresentação de Irene Davis, deixou claro que é necessário que as pessoas pensem seriamente em mudar seu padrão de pisada e a adoção de tênis menos estruturados pois ao usar o calcanhar como primeiro contato no chão, o corredor eleva o risco de lesões. Irene, que corre descalça, deixou claro que é necessário aprender a correr corretamente sem calçados antes de tentar os minimalistas e usa sua experiência clínica como exemplo.

Depois do almoço, entrevistei Irene, que é de uma simplicidade impressionante. A entrevista durou  pouco menos de uma hora e quando desliguei o gravador, ela disse "Pronto? Agora me conte a sua história com a corrida descalça".  E continuamos a conversa por mais meia-hora.

Entrei no auditório e a palestra de Alexandre Lopes já estava na metade, mas disse algo muito interessante. Segundo ele, as lesões são multifatoriais, ou seja, algo muito parecido com o que ouvimos sobre acidente de avião - que nunca acontece por um só motivo, mas uma somatória deles. E, para Alexandre, um dos fatores que contribuem para as lesões nos corredores é exatamente o padrão de pisada.

Ao final foi formado um painel de discussão de casos e fui convidado para apresentar algumas dos problemas relatados pelos leitores da CR na seção Medicina Esportiva. As questões são sempre respondidas por José Marques Neto, colaborador da revista de longa data e especialista na área, que aliás, estava presente e fez parte do painel.

Saí do Simpósio contente por ter decidido trilhar pelo caminho (cada vez mais) certo ao adotar os minimalistas e a corrida descalça em 2009. Evidências e pesquisas? Fora o que já apareceu até hoje (ainda pouco), a Irene me disse que tem um grande estudo para ser publicado e que eu vou gostar muito. E você? Já pensou em mudar?

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Não deixe seu cérebro ficar sobrecarregado

Essa é primeira colaboração do professor Marcos Almeida, Mestre em Ciencia da Motricidade Humana e autor do Blog Ser Motriz

Esta pesquisa mostra que o cérebro consegue lidar com duas funções ao mesmo tempo porque pode canalizá-las para duas partes frontais da sua anatomia, mas quando uma terceira atividade é introduzida, a mente fica sobrecarregada. Daí, a precisão para realizar outras tarefas diminuiu.

Bem, esta pequena introdução de certa forma, nos explica a importância de se exigir do cérebro uma ou no máximo duas tarefas deste órgão fantástico de cada vez. Sim, e o que isto tem a ver com corrida natural?

Se pensarmos que buscamos através do correr descalço estar integrado a natureza, sentindo e percebendo cada pisada no chão e a forma como este pé interage em contato com o solo e ainda se integrando com suas 33 articulações dos pés que trabalham em busca de equilibrio e harmonia, vamos perceber que neste momento, para ser melhor aproveitado pelo nosso orgão maior, o cérebro, nenhum elemento dispersor, no caso a música, deveria ser introduzido. Por isto, uma outra atividade imposta ao cérebro, talvez, nao seja muito interessante neste momento. Lembro ainda que os orgãos dos sentidos - visão, audição (para ouvir os “tap, tap, tap” ao invés de “tchof, tchof, tchof”), o tato e a propriocepção (que é a percepção do seu corpo no espaço) se encontram em perfeita harmonia e não deve ser "perturbados".

Estas mal traçadas linhas tentam teorizar o conselho dado pelo Sérgio no seu texto "Corrida natural e fones de ouvido não se misturam" onde relata que, ao seu ver e com razão, perde-se o foco de atenção no momento da corrida natural com a audição musical.

Deixo uma observação - enquanto pesquisador da área de neurociência - que após todo o processo de aprendizagem e memória e com a sua devida consolidação -, o cerebelo automatiza este movimento, permitindo de vez em quando, uma breve música para os já iniciados no barefoot running. Portanto, quem é iniciante ou corre numa nova trilha recomendo ouvir, ao invés de música, o som do seu corpo e o da natureza.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Irene Davis, fisioterapeuta e pequisadora de Harvard, virá ao Brasil



Conforme eu postei no meu Blog Corredólatra, da Revista Contra-Relógio, Irene Davis, fisioterapeuta e pesquisadora de Harvard , virá ao Brasil para apresentar seus trabalhos no Simpósio de Lesões na Corrida, que vai rolar no dia 1º de dezembro em São Paulo.

Conversei bastante com Alexandre Dias Lopes, um dos organizadores do Simpósio, e ele tem uma visão muito favorável à Corrida Natural. Ele ainda tem suas reservas quanto a correr absolutamente descalço, mas é favorável aos minimalistas. O fato é que ficamos horas conversando sobre o assunto e é ótimo saber que há pessoas na academia com esse pensamento.

Eu irei ao Simpósio para acompanhar as palestras e espero conseguir um espaço na agenda da Irene para entrevistá-la. Ela pesquisa a corrida descalça há anos e também corre sem nada nos pés. A palestra que ela apresentará será  "Corrida descalço: mudança de paradigmas sobre o padrão de pisada, tênis de corrida e tratamento de lesões em corredores".

O Simpósio tem como público-alvo os profissionais ligados à corrida, como treinadores, fisioterapeutas e ortopedistas, mas segundo Alexandre não há impedimento caso um "corredor-cidadão-comum" quiser se increver para assitir as palestras.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A corrida descalça e a curiosidade científica



A comunidade científica/esportiva adora o tema "correr descalço". Porém, ao invés de tentar entender o porquê de correr descalço gerar menos impacto nas articulações, parece que a diversão atual de parte desse pessoal é pegar argumentos dos descalços e produzir estudos para tentar derrubá-los. Tudo bem, isso faz parte do jogo.

Já tivemos aquele em que disseram que correr com um tênis de 150 gramas é mais vantajoso do ponto de vista metabólico do que correr descalço (leia aqui). Daí você tem acesso ao estudo e vê que o "descalço" era correr de meias antiderrapantes em uma esteira. Descalço é descalço e acabou. Estar de meias não é estar descalço.

Hoje, o amigo Cássio Politi me mandou o seguinte tuíte: "@Sergio_CR Viu isso? O estudo diz que barefoot não fortalece os pés. Difícil de engolir, não? http://bit.ly/MvxIaM". Fui lá ler. É o blog Sweat Science, do Alex Hutchinson, que leio com frequencia. Lá ele fala sobre o estudo apresentado por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, EUA, no último congresso da Faculdade Americana de Medicina Esportiva, dia 31 de maio.

O título é "Magnetic Resonance Analysis of Intrinsic Foot Musculature during Running in Shod and Barefoot Conditions" (ou, "Análise de resonancia magnética da musculatura intrínseca do pé durante a corrida com tênis e descalço"). A intenção dos pesquisadores era ver se havia diferença na ativação dos músculos dos pés com as duas condições. Pegaram quatro corredores (isso mesmo, apenas quatro) e fizeram uma ressonância magnética no pé direito de cada um deles. Então, os quatro corriam uma milha (isso mesmo, apenas uma milha, ou 1,609 km) descalços na esteria e a ressonância era feita novamente. 48 horas depois, repetiam a experiência com os corredores usando tênis.

Conclusão dos pequisadores: correr uma milha na esteira não resulta em ativação significativa dos músculos intrínsecos dos pés (jura? ah, vá!). Correr descalço não resulta em ativação maior desses músculos comparativamente à correr com tênis. Isso sugere que correr descalço talvez (isso mesmo, talvez) não resulte em fortalecimento dos músculos intrínsecos dos pés."

Para começo de conversa, existem várias maneiras medir o esforço da musculatura durante qualquer tipo exercício. Já vi fazerem isso em laboratórios de biomecânica. Colocam-se eletrôdos nos pés e se consegue ver quanto calor tal ponto está produzindo, portanto, acionamento da musculatura (se algum expert do assunto estiver lendo, por favor me corrija). Agora por que foram medir antes e depois de correr? Método científico? Sei lá! E tem mais, 1,6 km? Não dá tempo nem de aquecer o corpo, companheiro!

No final das contas, eu acho isso tudo divertido: ver parte da comunidade científica pesquisando o assunto e olhando de forma errada. São os cientístas que tem que ver as coisas "por fora da caixa". Até porque eu, na minha insignificancia, não consigo provar que correr descalço deixa o meu pé mais forte ou não. Para mim, já está provado que correr com a técnica da corrida descalça resulta em menos impacto na corrida. Eu sinto isso, literalmente na pele. São mais de dois anos sem me lesionar.

A técnica da corrida descalça, ou técnica natural, pode ser praticada com qualquer tênis (vide o amigo e fisioterapeuta David Homsi, que mesmo usando um tênis "tradicional" corre começando a pisada com o antepé). É lógico que com um tênis com o calcanhar elevado e muito "amortecimento", isso fica muito mais difícil de ser feito. Eu mesmo não corro exclusivamente descalço.

Bom mesmo é saber que há cientistas que não procuram simplesmente tentar derrubar os argumentos dos descalços/minimalistas, e que há muitos estudos rolando por aí sobre esse assunto, inclusive no Brasil, e teremos muito assunto e estudos para discutir futuramente.

Mas, por favor, meus caros colegas do mundo acadêmico, apresentar um trabalho feito com apenas quatro corredores, correndo apenas uma milha? Faça-me o favor! Me poupe!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Novo estudo diz que não há vantagem metabólica no correr descalço...

...contanto que você esteja correndo com um tênis que pese 150 gramas e não comece a pisada com o calcanhar, ou seja, contanto que você seja um corredor mais eficiente.

O estudo chamado "Metabolic Cost of Running Barefoot versus Shod: Is Lighter Better?" (ou "Custo Metabólico de correr descalço ou com tênis: quanto mais leve melhor?") foi submetido por Jason Franz, Corbyn M. Wierzbinski e Rodger Kram e aceito pelo American College of Sports Medicine. A intenção era quatificar os "efeitos metabólicos" ao se adicionar massa aos pés dos corredores e comparar o consumo de oxigênio e a potência metabólica quando se corre descalço ou com tênis.

Eles selecionaram 12 corredores com boa experiência na corrida descalça e colocaram os sujeitos correndo na esteira com uma velocidade de 12 km/h (5 min/km). Durante um período de 5 minutos, o atleta corria descalço, alternava para tênis leves (150 gramas - Nike MayFly), tênis de 300 gramas e  400 gramas. Para cada situação foi medido o consumo máximo de oxigênio, produção de dióxido de carbono e a potência metabólica.

O resultado é que correndo com tênis de competição, se constata uma vantagem metabólica de 3 a 4% em relação à corrida descalça. Os tênis de 300 g e 400 g "perderam" a disputa.

Então há de se concluir que correr de tênis é melhor que correr descalço, certo? Calma lá, cowboy. Vamos ver por "fora da caixa". O estudo foi feito com corredores "descalços" experientes. Portanto, todos eles começavam a pisada com o antepé, tinham a pisada mais curta e eram, portanto, corredores mais eficientes do ponto de vista do gasto energético.

Então, é assim que eu vejo a conclusão da pesquisa: para se obter vantagem metabólica usando tênis de competição (150 gramas ou menos), é necessário correr descalço para aumentar sua eficiência biomecânica. Ou seja, correr descalço é benéfico ao ponto de se ter rendimento melhor correndo com tênis leves (competição ou minimalistas).

Se a pesquisa tivesse usado outros grupos de corredores, como os que tradicionalmente começam a pisada com o calcanhar, é óbvio que os resultados teriam sido diferentes, como já notado em outros estudos como os do professor Daniel E. Lieberman, da Universidade de Harvard.

Mais um estudo interessante, com resultados igualmente interessantes. Está ficando cada vez mais evidente de que menos é mais e está mais do que na hora das macas repensaram o amortecimento dos tênis.

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EDIÇÂO

Um leitor deste blog, Adolfo Neto, alertou que o estudo é questionável já que os corredores não correram absolutamente descalços na esteira, e sim, usando uma meia de yoga anti-derrapante. Isso mudaria totalmente os resultados da pesquisa pois os corredores foram avaliados de forma incorreta, já que não puderam correr descalços de verdade, ou seja, sem nada nos pés.

Eu estou de acordo com ele, pois qualquer coisa que se coloca nos pés, por mais leve que seja, muda a percepção do solo, altera-se a postura e não se corre do mesmo jeito. Digo isso por experiência própria.

Aliás, decidiram colocar as meias "por motivos higiênicos e de segurança", o que revela desconhecimento da corrida descalça e preconceito, pois era só limpar a esteira com um papo embebido de álcool que ela já estaria pronta para outra.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Novo estudo diz que iniciar a pisada com o calcanhar pode causar mais lesões

Um novo estudo da turma do professor Daniel E. Lieberman, de Harvard, constatou que corredores que pousam com o calcanhar tem o dobro de lesões dos que pousam com a frente dos pés.

O estudo chamado "Foot strike and injury rates in endurance runners" (ou "Pisada e taxas de lesões em corredores de endurance"), já submetido e aceito pelo American College of Sports Medicine (Faculdade Norte-Americana de Medicina Esportiva), e ainda a ser publicado, teve como proposta saber se havia diferença nas taxas de lesões entre corredores que começam a pisada com o calcanhar e com a frente dos pés.

Para isso, foram coletadas as características de pisada de corredores de média e longa distância de um time de cross-country de uma faculdade e quantificado seu histórico de lesões, incluindo a incidência de lesões específicas, a severidade de cada ocorrência como sendo leve, moderada ou grave.

O resultado foi o seguinte: dos 52 corredores estudados, 36 (59%) começavam a pisada com o calcanhar e 16 (31%) com a frente dos pés. Aproximadamente 74% dos corredores experimentaram lesões moderadas ou graves a cada ano, mas aqueles que pousavam habitualmente com o calcanhar tinham aproximadamente o dobro da taxa de repetição de lesões por estresse do que aqueles que usavam a frente dos pés para começar a pisada.

Como conclusão se chega ao óbvio: competidores desse time de cross-country da faculdade estudada têm altíssimos índices de lesão. Mas o que ficou evidente foi que aqueles que pousavam com o calcanhar se lesionavam muito mais do que usavam a frente dos pés para iniciar a pisada. A hipótese levantada pelos pesquisadores é de que a ausência de impacto na força reativa durante o início da pisada com a frente dos pés contribui para as taxas menores de lesões desse grupo.

Não é de se admirar que o professor Daniel Lieberman esteja nesse estudo. Foi da autoria de seu grupo aquele trabalho tão falado em janeiro de 2010, "Foot strike patterns and collision forces in habitually barefoot versus shod runners" (ou "Padrões de pisada e forças de colisão em corredores habitualmente descalços versus corredores com tênis") publicado na revista Nature, e que causou muito barulho questionar a eficiência dos tênis de corrida convencionais e demonstrar que correr descalço causaria menos impacto nos corredores.

O que era muito escutado e escrito na época é que eram necessários mais estudos para poder verificar as conclusões. Bom, eles estão chegando. E agora?