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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Virrata, o "híbrido" da Saucony

De todas as grandes marcas de tênis que lançaram tênis minimalista ou aplicaram esses conceitos na linha, a Saucony foi a mais sentiu o "baque" da nova tendência. "Baque" no sentindo de que a marca decidiu rever conceitos defendidos por ela mesmo e fez uma mudança completa em sua linha. Eu conversei com um executivo da marca aqui no Brasil e ele me disse que essa mudança foi de baixo para cima.

Os pesquisadores e designers foram convencer os desde os gerentes até o presidente da marca da necessidade de mudar alguns parâmetros dos tênis e o primeiro fruto veio com a queda do drop de todos os tênis da marca. Agora, nenhum tênis da Saucony tem um drop maior do que 12 mm (na verdade, só os modelos de entrada tem esse drop) e agora é possível saber a diferença de altura entre o calcanhar e a ante-pé pois está impresso na palmilha dos tênis (12 mm, 8 mm, 4 mm e 0 mm).

O Saucony Kinvara foi o primeiro tênis da Saucony que apresentou um drop de 4 mm e é hoje o tênis mais vendido da marca americana, ultrapassando o Triumph. Depois apareceu o Hattori, um verdadeiro minimalista, com cabedal super-fino, muito flexível, leve e drop zero.

Boxe

Agora é a vez do Virrata, que considero um híbrido entre o Hatorri e o Kinvara. Teoricamente é um tênis minimalista, pois é bem flexível, leve e também é drop zero. Mas observando bem o tênis, percebe-se que ele está mais para um "upgrade" do Kinvara. Seria quase um Kinvara "drop zero", digamos assim. Até o desenho da forma, que não é muito larga, é bem parecido com o do "irmão mais velho". Mas essas semelhanças param por aí. O Virrata é mais leve (184 gramas contra 221 g), o tecido do cabedal é bem mais fino, respirável e o solado é bem diferente e muito mais flexível.

Eu tive o privilégio de ser um dos primeiros a botar as mãos, quero dizer, os pés no Virrata aqui no Brasil e fui pegá-lo na sede da Saucony, à convite da marca (foto à esq.). Fiz apenas dois treinos com ele, mas posso dizer que mesmo sendo muito espesso (18 mm) para o meu gosto pessoal (prefiro algo menor que 12 mm), o tênis é permite que se corra adequadamente com o ante-pé no início da pisada sem causar desconfortos. Acho que a Saucony vai acertar em cheio aqueles que se interessam por minimalismo, mas ainda não estão preparados ou não querem correr com pouco amortecimento.

Vou inserir o Virrata no meu rodízio de tênis e depois escrevo mais sobre ele. Ele começará a ser comercializado em março e custará R$ 349,90.

Outra coisa que mudou na Saucony é a categoria. Ao invés de "minimalista", a marca chama a linha de "Natural Series" (opa, gostei!). A linha será completada com o Mirage 3, que é o tênis de estabilidade dessa série. Ele tem 4 mm de drop e é um pouco mais pesado (246 g) que o Virrata e o Kinvara.

Veja as fotos de divulgação do tênis:

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Mizuno vai trazer o Wave Universe de volta ao Brasil

O Mizuno Wave Universe (foto) foi lançado mundialmente no primeiro semestre de 2008 e chegou a ser vendido no Brasil (por R$ 499). Era chamado de "tênis mais leve do mundo", pois pesava apenas 99 gramas (tamanho 40). A Mizuno deu sequencia ao Universe no exterior mas as edições subsequentes não desembarcaram por aqui.

No início do "movimento" minimalista, pelos idos de 2009, eu lia que muitos corredores estavam usando o Universe para competições, por causa do seu peso pena, pouquíssimo amortecimento para os padrões da época e flexibilidade. Eu lia e ficava apenas na esperança de vê-lo novamente nas prateleiras brazucas.

Na terça-feira, fui no show-room da Mizuno (em que tive a oportunidade de colocar o EVO Levitas no pé - um dos minimalistas que a marca japonesa lançará no Brasil em fevereiro - leia aqui) e tive uma grata surpresa: a edição 5 do Universe será lançada do Brasil! Tá bom, Sérgio, cadê a foto do novo Universe? Não tenho. É regra de show-room: não se pode fazer foto de nenhum produto. Às vezes não será aquela cor que estará na coleção, pode haver mudanças de última hora nos modelos, etc. Foi por isso que coloquei a foto do único Universe que foi vendido no Brasil...

Mas peguei o tênis na mão (o modelo era feminino 37) e ele é é incrível. O cabedal, com grafismos modernos, parece feito de até papel, de tão fino que ele é. Não levei meu paquímetro, mas se ele seguir os passos do quarta edição, deve ter 4 mm de drop, mas perdeu um pouco de peso e, segundo o pessoal da marca, o número 40 pesa apenas 89 gramas.

A única notícia ruim é que a previsão de chegada do modelo para o Brasil é setembro. Paciência! Vamos ter que esperar até lá.

 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Você usa meias com o Vibram Five Fingers? Saiba como aumentar o feedback.

Quando comecei a usar os Vibram Five Fingers em 2009, meus pés ficavam machucados na região do arco do pé. Sempre achei que era por causa do material do produto. Então passei a colocar esparadrapos nas áreas que geravam maior fricção e funcionou. Mas, convenhamos, haja paciência em ficar colocando esparadrapos nos pés todas as vezes em que queremos sair para correr!

As meias de dedinhos passaram a ser a melhor solução para o meu caso e nunca mais tive machucados ou bolhas nos pés. Mas o problema com as meias é que elas acabam diminuindo a sensibilidade (ou o feedback) dos pés em relação ao solo. Parece besteira, mas não é. Quem consegue usar VFF sem meias, não se machuca e já tentou usar essas meias sabe do que eu estou falando.

Os "bolsos" para cada dedo tem uma tremenda desvantagem. Conforme você encaixa cada um deles no calçado, dá a impressão que os dedos estão "estufados", o que gera um certo desconforto, principalmente entre os dedos. Essa talvez tenha sido uma das razões de eu ter abandonado os VFF por um bom tempo.

DEDOS PARA FORA. Quando estava prestes a correr a Tribuna FM 10 km, em Santos, no ano passado, tive uma idéia: "E se eu cortasse a ponta dos dedos das meias?". Peguei uma tesoura, cortei a meia, coloquei no pé e calcei o VFF. A sensação era outra - é como se os dedos respirassem.

Desde então tenho feito o uso de meias cortadas ou o modelo da Toe Sox (foto) em que a meia já vem cortada nas pontas.

Experimente!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Clínica Corrida Natural no programa Fôlego 25

Fui entrevistado mais uma vez pelo colega Gustavo Maia no Fôlego 25, programa sobre corrida de rua do canal local da Net de Jundiaí.

Desta vez o tema foi a Clínica de Corrida Natural que tenho ministrado.

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

ToPo Athletic mostra seus primeiros modelos

O site já tinha repercurtido a notícia da criação da ToPo Athletic (clique aqui para ler), marca fundada pelo empresário Tony Post (ex-Rockport e Vibram EUA). Ontem, os modelos já puderam ser vistos no site da marca.

Os tênis tem quatro premissas básicas:

Dedão separado: baseado no Tabi shoe, ou naquelas sapatilhas ninja, ou mesmo na Zem. Segundo a marca, a separação "cria um ponto único de fixação com o antepé, oferecendo mais segurança e uma conexão maior com o  calçado". Eu, pessoalmente, sou simpático à divisão apenas do dedão. Eu tenho uma Zem 360 e gosto muito dela, apesar de ter pouco feedback.

Forma larga: segundo o release oficial, a forma é larga para permitir que os dedos restantes (dedão fora, lembra?) se espalhem naturalmente,  oferecendo conforto e controle para ótima performance". Ter a forma larga é realmente essencial para que os dedos se mexam livremente.



Tecidos soldados:  ao contrário da Vibram e outros fabricantes de tênis minimalistas, que inexplicavelmente insistem em deixar algumas costuras à mostra, a Topo não cometerá essa erro. Não faz sentido oferecer uma experiência próxima ao descalço e ao mesmo tempo obrigar que se utilize meias para usar o calçado. Tecidos soldados (são colados à laser, portanto dispensam costuras) são usados por várias marcas de tênis esportivos como a Nike e são uma garantia contra o surgimento de bolhas e ferimentos gerados por fricção.



Drop zero: eles dizem que todos os modelos são drop zero pois não acham que "o tênis deva 'consertar' o jeito que você corre". Assino embaixo!

O preço dos modelos varia entre US$ 100 e US$ 130, que é o praticado entre as marcas tradicionais de tênis de corrida nos EUA.

O de corrida (que mais me interessa, obviamente), é chamado de RR (o da foto lá em cima), tem um esquema de amarração interessante: é feito por cabos de aço superfinos encobertos por nylon. Parece que você terá que girar aquele botão perto da ligueta para fazer o ajuste. Será que funciona? Bom, esse é o topo de linha da marca e custará os tais US$ 130

Os tênis serão expostos na Outdoor Retailer, em Salt Lake City, EUA, que começa no próximo dia 24 e só serão encontrados nas prateleiras americanas a partir de maio.  É bem capaz que alguns dos blogueiros que eu acompanho estejam por lá em Salt Lake para acompanhar a OR e deveremos ter mais notícias sobre os ToPo até o final do mês.

Mais informações no site oficial, na blog da Wired, no RunBlogger e no Wear Tested, que inclusive entrevistou Tony Post.

 




quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A tal dor no topo do pé

Das dores mais comuns que acontecem quando alguém está se adaptando à Corrida Natural, a Dor no Topo do Pé é a mais corriqueira.

O que é

É uma dor aguda na região conhecida como o peito do pé.

O que realmente é

Nem a Irene Davis, fisioterapeuta com especialização em biomecânica que trabalha em Harvard, sabe dizer ao certo o que acontece, mas temos o mesmo diagnóstico. Essa dor só acontece quando a musculatura instrínseca dos pés ainda não está fortalecida o suficiente para "aguentar" a técnica da corrida natural, ou seja, se você está fazendo mais quilometragem do que a musculatura dos pés está pronta para fazer, provavelmente terá essa dor. Ela também ocorre com mais frequência entre aqueles que estão se adaptando aos tênis minimalistas do que com os que estão começando a correr descalços.

Como evitar

Essa dor é conhecida no exterior como TOFP (Top of foot pain) e em geral acontece apenas na fase de transição. Eu mesmo tive essa dor quando estava iniciando. O problema mesmo é que ficamos tão empolgados com a nova técnica, que esquecemos que precisamos ter cautela. A musculatura precisa se adapatar aos novos estímulos e isso se aplica a qualquer esporte. Se você ficou anos sem jogar futebol e vai bater uma bolinha com os amigos no dia seguinte estará todo dolorido, não é mesmo? Tenha paciêcia para esperar seus pés ficarem prontos para corridas mais frequentes.

Como sarar

Quando comentei da TOFP com Christopher McDougall, autor de Nascidos para Correr, ele me disse que ela acontecia com quem tinha técnica ruim. Portanto, se você está sentindo a Dor no Topo do Pé, verifique se você está correndo com a cadência ideal, se sua postura está ereta e se você está correndo relaxado. Se for o caso, dimimua a quilometragem ou tire uns dias de descanso e volte a correr gradualmente. Mas se a dor estiver insuportável (espero que não seja o caso), procure ajuda profissional adequada.

Não é tão grave assim

Se você passou pela fase de transição sem sentir a TOFP, ela dificilmente acontecerá com você. E se aconteceu e você fez as correções na técnica, ela não voltará. Como disse no início, ela ocorre em geral quando a musculatura intrínseca dos pés está se adaptando (ou se fortalecendo) e uma vez que isso foi feito, difícilmente essa dor aparecerá.

Mantra

Assim como outros problemas que podem acontecer durante o período de adaptação ou mesmo se você estiver totalmente adaptado, tenha em mente um dos mantras mais importantes da corrida descalça: se está doendo, você está fazendo algo errrado. A corrida deve ser sempre prazerosa, divertida e não algo que cause dor. Afinal de contas, correr é o esporte mais natural que existe para para o ser humano. Lembre-se sempre disso.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Corrida Natural no programa Gazeta Esportiva, da TV Gazeta de São Paulo

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Na terça-feira, dia 18,  foi ao ar o quadro do programa Gazeta Esportiva da TV Gazeta de São Paulo em que apareço falando do meu histórico com a Corrida Natural. O repórter, Luiz Henrique Gurian, foi bem atento a conversa e a edição foi interessante. O divertido mesmo ficou por do nome dos calçados: "Squeshers", "Seiconi", "Fiver Finger", mas o que eu achava que daria problema saiu direitinho, a huarache.

No finalzinho, um dos apresentadores do programa, Celso Cardoso, soltou algo comum para quem nunca experimentou ou pesquisou a fundo a corrida descalça, algo como "Eu tenho a impressão que o risco de lesão é um pouco maior". É só impressão mesmo, pois estou desde 2009 sem me lesionar, Celsão. :) No entanto, julgo que a reportagem foi bem positiva e ajudará na divulgação da técnica e de que ela pode ajudar a evitar lesões.

Obs: como é interessante a gente se ver correndo. A impressão quando estava alí na grama é que estava me esforçando, afinal de contas, era um tiro de 800 m e fiz 1:22 na passagem dos 400 m. Visuamente eu nem aparento estar fazendo força! Tenho muito o que melhorar, meu amigo!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Minimalistas no Brasil: qual você tem?

Temos poucas opções de tênis verdadeiramente minimalistas aqui no Brasil. Opções reduzidas não faltam, Nike Free, Kivara da Saucony e GoRun da Skechers, por exemplo.

Queria saber, dos que são vendidos no Brasil, qual teve maior aceitação entre vocês. Vote!

[yop_poll id="2"]

 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Empresário responsável pela popularização do Vibram Five Fingers nos EUA lança nova marca de tênis minimalistas

[caption id="attachment_2668" align="alignnone" width="540"]O modelo será revelado apenas em janeiro, mas pela foto divulgada no site é possível perceber que ele lembra um pouco o Merrell Road Glove. O modelo será revelado apenas em janeiro, mas pela foto divulgada no site é possível perceber que ele lembra um pouco o Merrell Road Glove. O solado inclusive parece ser fornecido pela própria Vibram.[/caption]

Tony Post foi o responsável pela entrada dos Vibram Five Fingers nos EUA, e consequentemente, pelo crescimento do mercado minimalista ocorrido com a popularização do modelo causado pelo livro "Nascidos para Correr", do jornalista norte-americano Christopher McDougall. Tony agora aposta em uma nova empresa, a Topo Athletic, em que procura dar continuidade à inovação no mercado de calçados de corrida, mas mantendo o foco em modelos que respeitam a mecânica natural do corpo

Há rumores (leia aquiaqui e aqui) que dão conta de que Tony teria pulado fora da Vibram porque a demanda pelos "tênis de dedinhos" têm caído e também porque marca teme entrar no mercado dos tênis comuns e virar concorrente seus principais compradores - a própria indústria de calçados esportivos. Para quem não sabe, a Vibram é uma empresa especializada em solados e fornece soluções para a New Balance, Merrell e dezenas de outras marcas.

Portanto, com a Topo, ele poderia entrar no mercado que mais cresce em número de modelos nos EUA, os minimalistas e reduzidos. Gostei de ler a seguinte declaraçãode Tony: "Não somos arrogantes a ponto de achar que nossos produtos irão alterar a performance dos atletas. Apenas a vontade dele ou dela é que pode fazer isso. Nosso papel é ajudá-los a chegar lá.” Isso vai de encontro ao que eu penso dos calçados esportivos. Eles são apenas ferramentas e atores coadjuvantes da performance dos atletas. Nós, os atletas, é que somos os atores principais.

Segue abaixo, em tradução livre, o comunicado oficial da criação da marca.

Ex-CEO da Vibram americana lança nova empresa: Topo Athletic


Ícone da indústria e pioneiro do movimento minimalista, Tony Post levantou U$ 5 milhões de investimento da Norwest Venture Partners para lançar uma linha de equipamentos esportivos


DivulgaçãoBoston – 12/12/20012 – Tony Post, ex-presidente e CEO da Vibram EUA, anunciou hoje (ontem, 12/12) a fundação da Topo Athletic, uma marca baseada na convicção de que os produtos devem ter a capacidade inata de amplificar, e não modificar a biomecânica natural do corpo. A empresa é lançada com um aporte de U$ 5 milhões vindos da Norwest Venture Partners (NVP), firma de investimentos múltiplos, sediada no Vale do Silício.

A empresa de Post, marca um novo capítulo em sua busca de desenvolver produtos inovadores para ajudar atletas a se tornarem melhores, mais rápidos e mais fortes. Em 2006, Post lançou o Vibram Five Fingers nos Estados Unidos, fato que catapultou a Vibram americana e os calçados minimalistas às luzes da ribalta – mudando para sempre a maneira como os consumidores pensavam a respeito da sinergia entre o calçado, o pé e o movimento. Como resultado, os calçados mais leves são os maiores responsáveis pelo crescimento do mercado de calçados esportivos, faturando US$ 1,5 bilhão este ano e com expectativa de 50% de crescimento em 2013, de acordo com o SportsOneSource..

“A Topo Athletic visa uma oportunidade chave na indústria de equipamentos esportivos e é destinada ao sucesso com Tony Post no comando do navio”, disse Jon Kossow, sócio da NVP. “Tem sido impressionante observar a chama acesa por Tony em cada marca por onde ele passou, da Rockport à Vibram; então quando ele veio à nós com o seu conceito, toda a nossa empresa aceitou a chance de apoiar a Topo Athletic.”

O novo conceito de Post está fixado no epicentro da tecnologia performance de ponta que ajuda os atletas a otimizar seu treinamento e conseguir atingir metas mais agressivas.

“Nossa visão está se tornando uma realidade por causa da Norwest Venture Partners”, afirmou Tony Post, CEO e fundador da Topo Athletic. “Nós optamos por uma parceria com a NVP por causa das pessoas – eles fizeram as perguntas certas, premiaram nossa missão e forneceram importante apoio de negócios ao mesmo que  permitiram manter nossa independência. No final das contas, escolhemos uns aos outros”.

O público alvo da Topo são atletas que valorizam a simplicidade, o design funcional e a tecnologia onde faz diferença. “Nossa abordagem com o design de produto é de fazer inovações modestas – não somos arrogantes a ponto de achar que nossos produtos irão alterar a performance dos atletas”, afirma Post. “Apenas a vontade dele ou dela é que pode fazer isso. Nosso papel é ajudá-los a chegar lá.”

A companhia irá estrear sua linha de produtos em janeiro, no Outdoor Retailer Winter Market Tradeshow, em Salt Lake City [N.E.: uma espécie de Couro Moda, em que os fabricantes fazem a pré-venda de seus produtos para os lojistas]

Sobre a Topo Athletic

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Topo Athletic é uma companhia de produtos esportivos feitos por atletas e para atletas. Os produtos da Topo são feitos com inovações simples, um reconhecimento de que as coisas mais impressionantes que irão fazer parte de nossos produtos é o atleta. Estamos comprometidos com os estudos em andamento sobre fisiologia, meio-ambiente e as tecnologias que estão surgindo que permitem que os atletas melhorem sua performances constantemente, amplificando o magnífico desing do corpo humano. A Topo Athletic foi fundada em 2012 e está estabelecida em Newton, Massachussets. Para mais informações, por favor, acesse www.topoathletic.com

Sobre a Norwest Venture Partner

Norwest Venture Partners (NVP) é uma firma de multi-investimentos que faz parcerias com empresários para criar negócios bem sucedidos por mais de 50 anos. A firma gerencia mais de US$ 3.7 bilhões de capital e fundou mais de 500 companhias desde sua concepção. Lotada em Palo Alto, California, a NVP tem subsidiárias em Mumbai e Bengaluru, India e Herzelia, Israel. A NVP trabalha desde a fase inicial à fase final de empreendimento e crescimento justo de investimento em uma vasta rede de setores incluindo: tecnologia, serviços de informação, negócios, financeiros, produtos para consumidores e saúde. Para maiores informações acesse www.nvp.com.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

FAAS 100: Puma entrou no minimalismo

Nicholas Pang, autor do Blog Wear Tested, minimalist running shoes and barefoot style running shoes, esteve no The Running Event 2012, em Austin, Texas, reportando o que acontecia por lá para o site Examiner.com (veja aqui). O TRE tem uma série de atividades e as marcas podem mostrar e fazer pré-vendas de lançamentos, que em geral, chegam nas prateleiras no segundo semestre por lá.

Muitos dos modelos e marcas que ele mostrou infelizmente não tem representação no Brasil, mas dos produtos que ele fotografou e comentou, um realmente chamou a atenção: o FAAS 100, um minimalista da Puma que, segundo Pang, é muito leve, drop zero e terá duas versões - rua e trilha.

[caption id="attachment_2558" align="aligncenter" width="590"] Puma apresentou o minimalista da turma, o FAAS 100, na TRE 2012.[/caption]

Tenho a impressão que a forma não parece ser tão larga como deveria, mas já é um sinal de que as coisas estão começando a mudar para valer. Em 2010, quando entrevistei Christopher McDougall, autor de Nascidos para Correr, ele me disse que todas as fabricantes de tênis estavam na prancheta desenvolvendo produtos para esse nicho de mercado. Se pensarmos do ponto de vista do businesss, não faz sentido os grandes players do mercado não atenderem demandas de consumidores por modelos minimalistas. Portanto, veremos mais lançamentos muito em breve.

Segundo a assessoria da Puma não há previsão de lançamento do FAAS 100 no Brasil. Como os lançamentos da marca chegam com um semestre de "delay" é capaz de vermos o FAAS 100 nos pés dos corredores brasileiros apenas em 2014. Por enquanto a alternativa mais "baixa" e leve dos FAAS fica por conta do recém lançado 350 S (240 g) 300 (200 g) e o 250 (220 g), todos com drop de 6 mm.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Das características dos minimalistas: a forma larga

Para um tênis ser considerado minimalistas, ele tem que ter algumas características e isso já foi tema de um post (clique aqui).

Uma das que eu considero essenciais é a forma larga. A forma precisa ser larga o suficiente para que os dedos dos pés possam se mexer naturalmente. Na sexta-feira da semana passada, Peter Larson, do RunBlogger mostrou um raio-X divulgado pela Altra, uma das marcas que investe pesado em minimalismo e que, infelizmente, não temos representantes no Brasil.

O Raio-X foi tirado do pé de uma mesma pessoa usando um modelo da Altra à esquerda e ao lado direito calçando um tênis tradicional, com a forma "naturalmente" estreita. Dá para perceber como os dedos ficam mais a vontade em um tênis com a forma larga, não é mesmo?

[caption id="attachment_2554" align="alignnone" width="437"] Os dedos ficam mais livres para se mexer em uma forma mais larga.[/caption]

Pense em um tênis minimalista como aquele que deixa os seus pés se movimentarem como se tivessem descalços. Em uma forma estreita isso não acontece e é por essa razão que não podemos considerar os tênis de competição como sendo mínimos.

No entanto, nem todos os modelos minimalistas tem a forma larga como os da Altra, mas que é melhor fugir dos tênis "espremem" os seus dedos, não há dúvida.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Veja como foi a Clínica de Corrida Natural em São Paulo

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A Clínica Tênis Minimalistas e Corrida Descalça que aconteceu neste último sábado, dia 8/12, foi muito legal. O evento, que contou com pouco mais de 20 pessoas, foi bem recebido por todos que estiveram presentes na loja Velocità Moema, em São Paulo. Acho que consegui atingir o meu objetivo, que é mostrar como é simples mudar o padrão de corrida e fazer com que as pessoas se conectem novamente com a forma natural de  correr.

Após a palestra houve um grande bate-papo e várias questões foram levantadas, fato que enriqueceu ainda mais o evento. Logo depois demonstrei alguns exercícios educativos que ajudam no entendimento na técnica para que todos pudessem experimentar alguns conceitos, e diria que foi uma das partes em que as pessoas mais se divertiram.

Voltei a filmar os corredores (que foram filmados antes da palestra) e foi muito bom ver as pessoas correndo descalças mudando imediantamente o padrão de pisada. Quando todos terminaram de correr, olhei para a entrada da loja e vi que o sol havia se escondido atrás de algumas nuvens e perguntei para a galera: "Que tal darmos uma volta no quarteirão descalços?". Todos toparam e foi uma das melhores partes do evento, pois na esteira não é possível que se tenha total percepção das sensações que os pés descalços podem nos proporcionar.

Foi interessante observar as pessoas começando a correr de uma maneira, talvez receosas, para estarem totalmente à vontade ao chegarmos novamente na frente da loja. Sinto que meu objetivo foi  atingido. É  claro que a adaptação precisa ser gradual e isso foi dito na palestra, mas a semente foi plantada.

A Clínica deve voltar à Velocità em março de 2013 (ainda sujeito à confirmação) e também estou negociando a realização em outras localidades. Fique do olho por aqui.

Clique aqui se você quiser contratar a Clínica.

Aproveito também a oportunidade para agradecer o Rodrigo Carneiro por ter aberto as portas da Velocità para Clínica. Para quem não sabe, a Velocità é especializada em corrida de rua, contando com três lojas físicas e uma on-line.

Ps: fiquei tão empolgado com a palestra, os educativos e, principalmente, pela volta no quarteirão que esqueci completamente que a Saucony havia oferecido dois pares de Hattori (um masculino e outro feminino) para serem sorteados na Clínica...

Bom, fiz o sorteio hoje via Random.org, no randomizador de lista e os vencedores foram Ricardo Ramos e Andréa Cordeiro. Vou entrar em contato com os sortudos para saber o número do tênis que usam e me encarregar de entregar o prêmio.



 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Asics cede mais um pouquinho, mas ainda falta um "pocão"

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A Asics continua caminhando com passos bem tímidos ao minimalismo. Seu principal pesquisador, Simon Bartold, é muito contrário a esse conceito e vive brigando com os defensores da corrida descalça e tênis minimalistas nos fóruns e blogs mundo a fora.

Mas é difícil ficar lutando com uma tendência que vem ganhando espaço a cada dia. O primeiro sinal de que a marca acabou cedendo (de leve) foi o lançamento da linha 33, uma referência ao número de articulações que temos nos pés.

Os 33 tem a forma um pouco mais larga do que se encontra normalmente nos tênis da Asics e não são tão flexíveis, mas pelo menos os tênis são mais baixos, principalmente o Blur.



Para a versão nova do Excel 33 a Asics criou uma tecnologia chamada "Fluid Axis" e a marca diz que revolucionou o design dos tênis ao permitir que a articulação subtalar (a parte do calcanhar responsável movimento natural de pronação e supinação) se mova livremente. Isso, em teoria, deixaria o corredor  livre para executar a pisada da forma mais natural possível.

Entretanto, qualquer tênis realmente minimalista permite com que essa articulação se mova livremente exatamente pelo calçado não ser estruturado. É claro que esse passo da Asics é tímido, mas já é uma certa evolução.

Eu ainda espero a marca lançar um tênis com drop zero, pouco amortecimento e pouca estrutura, pois mesmo com esse lançamento fico sem ter como usar um tênis da marca japonesa. Cederam um pouco, mas para mim, ainda falta um "pocão".

Ps: Um ponto a se notar no vídeo é que no início aparece um pé descalço fazendo a pisada natural (começando com o ante-pé) e depois a mesma pisada com o calçado. O esqusito foi ao final, em que o corredor parece ter se esquecido a técnica do início do vídeo e começou a pisada com o calcanhar. Deve ser para mostrar que é possível correr com esse modelo usando qualquer tipo de técnica de pisada...

Ps 2: Essa semana vou à pré-venda dos modelos da Asics que estarão nas prateleiras brasileiras no segundo semestre de 2013 e acho que terei a oportunidade de ver o novo Excel 33 in-loco. Vamos ver se mudo ou não minha opinião sobre ele.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

É uma pena a Brooks não ter dado certo no Brasil, porque...

A Brooks tentou aportar aqui no Brasil há uns três anos atrás. É uma pena não ter dado certo, porque a marca faz modelos que agradam muito os corredores em geral.

Para nós, que gostamos de tênis minimalistas, a Brooks vêm desenvolvendo uma linha chamada "Pure". Meu amigo Alex Sant'anna trouxe um dos EUA e prometeu me mostrar em breve.

Como uma boa companhia norte-americana, a Brooks é muito criativa ao fazer marketing de seus produtos. Mesmo não contando com um tênis "puramente" minimalista, depois desse comercial qualquer corredor gostaria de comprar a nova versão do o mais novo modelo da linha, o Pure Drift, que será lançado por lá em janeiro do ano que vem. Se até o "Pé Grande" gostou de um, por que eu não?

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Veja mais informações sobre o Pure Drift clicando aqui.

Nota: o Drift tem uma palmilha removível que deixa o tênis drop zero e com altura total de solado/entresola de 8 mm. Muito bom :)

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Corrida natural e fones de ouvido não se misturam

Quando corremos descalços ou com tênis minimalistas devemos evitar correr ouvindo música.

Por que? Eu costumo dizer que para saber se estamos executando corretamente a técnica de corrida, devemos ouvir o "silêncio dos nossos passos".

Tá, eu sei. Muito filosófico, mas não é. Eu explico.

Uma das coisas que devemos estar atentos quando corremos, é se estamos fazendo muito barulho a cada pisada. Quem já não ouviu sujeitos literalmente martelando o chão quando corre? Façamos uma analogia com um carro. A lataria ou o motor pode estar fazendo barulhos esquisitos que podem ser facilmente abafados pelo volume do som estar no máximo.

A corrida natural deve ser suave. Ser suave significa ouvir seus tênis fazendo sons como "tap, tap, tap" ao invés de "tchof, tchof, tchof", com o perdão das onomatopeias. Se você corre descalço não deve ouvir barulho algum ao correr, caso contrário corre sério risco de se machucar. É quase uma arte "ninja".

Deixe para escutar música antes ou depois de correr. Seja suave: a corrida e seus pés agradecem.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Irene Davis, fisioterapeuta e pequisadora de Harvard, virá ao Brasil



Conforme eu postei no meu Blog Corredólatra, da Revista Contra-Relógio, Irene Davis, fisioterapeuta e pesquisadora de Harvard , virá ao Brasil para apresentar seus trabalhos no Simpósio de Lesões na Corrida, que vai rolar no dia 1º de dezembro em São Paulo.

Conversei bastante com Alexandre Dias Lopes, um dos organizadores do Simpósio, e ele tem uma visão muito favorável à Corrida Natural. Ele ainda tem suas reservas quanto a correr absolutamente descalço, mas é favorável aos minimalistas. O fato é que ficamos horas conversando sobre o assunto e é ótimo saber que há pessoas na academia com esse pensamento.

Eu irei ao Simpósio para acompanhar as palestras e espero conseguir um espaço na agenda da Irene para entrevistá-la. Ela pesquisa a corrida descalça há anos e também corre sem nada nos pés. A palestra que ela apresentará será  "Corrida descalço: mudança de paradigmas sobre o padrão de pisada, tênis de corrida e tratamento de lesões em corredores".

O Simpósio tem como público-alvo os profissionais ligados à corrida, como treinadores, fisioterapeutas e ortopedistas, mas segundo Alexandre não há impedimento caso um "corredor-cidadão-comum" quiser se increver para assitir as palestras.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Clínica de tênis minimalistas e corrida descalça



Já faz algum tempo que venho amadurecendo a ideia de organizar uma Clínica para aqueles corredores que se interessam ou já correm com tênis minimalistas ou mesmo descalço.

A maioria dos leitores deste blog sabem que estou "nessa história" de correr descalço ou com tênis mínimos há cerca de 3 anos e nesse período li, pesquisei e experimentei vários tipos de calçados em treinos e provas. A ideia que eu tenho por trás da Clínica é de poder ter a oportunidade de ajudar as pessoas que estão interessadas em correr com esses tipos de calçados ou sem nenhum mesmo. Os que estão iniciando poderão aprimorar sua visão sobre o assunto e obter dicas valiosas para que sua transição não venha acompanhada de lesões inesperadas.  Para aqueles que já tem vivência no assunto, é uma chance de rever conceitos, esclarecer dúvidas e compartilhar experiências.

Assuntos que serão abordados:

1) O que é corrida natural: estudos e evidências

2) Tênis minimalistas e corrida descalça: conceitos e adaptação

3) Técnica de corrida: os três pilares.

4) Prática: a aplicação da técnica na esteira e análise com vídeo.

A primeira Clínica será realizada no dia 8 de dezembro (sábado) na Loja Velocità Moema (rua Pavão, 342 - São Paulo, SP), das 9:00 às 10:30 da manhã. O custo é de R$ 60 e as inscrições podem ser feitas clicando no botão abaixo.



Eu também criei uma página especial da Clínica no Facebook (clique aqui)  para divulgar e incentivar a troca de informações entre os corredores.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

E a Mizuno finalmente entra no bonde do minimalismo

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A Mizuno lançará em janeiro de 2013 (ao menos no exterior) uma linha de minimalistas para valer.

A linha será chamada de "Evo" (aliás, esse nome deve render processo por parte da Vivo Barefoot - veja aqui) e os tênis tem zero de drop (sem diferença entre a altura do calcanhar para a frente do pé e tem a forma larga. Serão dois modelos:

- Evo Levitas: amortecimento de 15 mm; 200 gramas de peso - modelo 40 masc.; preço lá fora - US$ 110)

- Evo Cursoris: amortecimento de 18 mm, 230 gramas - modelo 40 masc.; preço lá fora - US$ 120)

No vídeo, os designers dizem que a Mizuno decidiu desenvolver um produto para as pessoas que estão usando o médio-pé como contato inicial da pisada ao invés do calcanhar, e por isso, tranferiram a placa wave para a frente do calçado. Apesar de dizerem que o tênis é bastante flexível, não é possível saber, pois não fizeram o "show de contorcionismo" como modelo, que deve ser apenas uma amostra. Porém, a forma é larga e me interessei bastante pelo produto.

Ainda não entrei em contato com a Mizuno brasileira, mas farei um update desse post assim que tiver mais informações sobre eles.

Atualização: Fui informado pela assessoria de imprensa da Mizuno, que a linha Evo será lançada no Brasil em fevereiro de 2013. Isso de certa forma vem ao encontro com a política da marca, que é de fazer os lançamentos do novos modelos em nível mundial, ou seja, chega aqui quase ao mesmo tempo que lá fora. Em geral as outras marcas internacionais (Asics, Adidas e Nike, por exemplo) lançam seus novos modelos ou atualiações por aqui com um semestre de diferença. Ficou faltando a informação do preço dos modelos, mas devem ser ficar entre R$ 500 e R$ 600 por causa dos impostos, tarifas anti-dumping, etc.

Atualização 2: Supresa! Os dois modelos serão comercializados por R$ 299 no Brasil e a venda será restrita às lojas especializadas em corrida, como a Procorrer, Velocità, Fast Runner, etc. Ótimo preço, sem dúvida!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Falando sobre tênis minimalistas e corrida descalça na TV

O amigo e jornalista Gustavo Maia me chamou para gravar um papo sobre tênis minimalistas e corrida descalça na primeira edição do Fôlego 25, programa sobre corrida e qualidade de vida do canal local da NET, em Jundiaí, onde moro.

É sempre bom ter a oportunidade de falar sobre esse assunto. E além do mais,  estar no mesmo programa que tem uma entrevista com o "meu primo", Solonei Rocha, é uma tremenda honra.

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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Agora sim: 3h28 em Buenos Aires.

Em 2008, tinha feito 3h36 em Porto Alegre.

No ano seguinte, fui à Punta del Este para tentar melhorar essa marca.

Só que uma lesão, que tinha aparecido durante o treinamento, decidiu ficar crônica justamente na prova uruguaia.

Ainda sim, completei em 3h47.

A lesão era uma síndrome do piriforme e não queria sumir.

Toda vez que pousava o calcanhar durante a corrida, sentia algo como um choque na região dos glúteos.

Dei um tempo. Voltei a treinar mas o choque continuava.

Decidi usar um Nike Free que estava empoerado no armário. Se "simulasse" a corrida descalça, a biomecânica seria diferente e, quem sabe, não sentiria dores.

Dito e feito. Passei a correr regularmente o Free. Comprei um Vibram Five Fingers e fui me adaptando.

Cometi erros, corrigi uns, insisti em outros. Comecei a correr descalço também.

O piriforme nunca mais deu seu sinal de existência  - ao menos a tal da síndrome.

Ano passado já me sentia pronto para correr uma maratona de novo e fui para Porto Alegre. Tive câibras nas panturrilhas e abandonei.

Decidi que deveria mudar o jeito que treinava e passei a receber orientações do técnico e agora grande amigo, Wanderlei de Oliveira.

O resultados começaram a aparecer. Melhorei meu resultado na meia e cheguei perto de ser sub-1h40. Nos 10 km voltei a correr na casa de 45 minutos.

Fiquei alternando entre disputar provas descalço e sandálias para no final descobrir que o melhor era sempre competir com o Five Fingers.

Continuei treinando bem, mas o "pulo do gato" foi mudar algo que achava que não precisava - a alimentação.

Depois de ler bastante coisa a respeito (Phil Maffetone, Tim Noakes, dieta do paleolítico, etc), conversar com alguns nutricionistas e trocar figurinhas com o Danilo Balu (que além de Educador Físico, também é nutricionista) decidi que ia tirar os carboidratos processados da minha alimentação.

Pode parecer radical ou loucura ficar sem comer pães e macarrão, por exemplo. Eu tirei tudo que tenha farinha de trigo (integral ou não) da minha alimentação. Arroz, batatas e milho também estão de fora. Qualquer alimento que tenha sido industrializado também não entra no meu cardápio  - bolachas, massas de microondas, etc. Açucar refinado? Me dou o luxo de usar apenas no cafezinho.

Minha alimentação passou a se basear em sementes, castanhas, ovos, saladas (muita salada), carnes diversas, azeite de oliva, muitas frutas e derivados de leite com o iogurtes e queijos. Tudo isso para que haja um baleanceamento do consumo de gorduras, proteínas e ácidos graxos com baixo consumo de carboidratos. Não, não tive crise de abistinência. Comparo a tirada dos carboidratos processados e alimentos industrializados da minha alimentação como a decisão de parar de fumar (é, sou ex-fumante).

A explicação, a grosso modo, é a seguinte: os carboidratos processados causam aumento da produção de insulina no corpo, porque é a insulina que entra em ação para tranformar o carbos em glicose. Quando há excesso de insulina no sangue (causado por alto consumo de carboidratos) o metabolismo da glicose é prejudicado, ou seja, atrapalha o processo de armazenamento de glicogênio nos músculos e fígado, e esses carbos que eu consumia viravam gordura, empatando a conta. O pessoal chama  isso de "síndrome metabolica" e é, em geral, relacionada à obesidade, mas acontece com várias pessoas com peso "saudável" e uns dizem que é mais comum do que muitos pensam.

No meu caso, portanto, o baixo  consumo de carboidratos associado aos alimentos que venho consumindo acabaram por balancear esse metabolismo fazendo com que o corpo pudesse me fornecer energia de forma mais eficaz e, de quebra, queimou o excesso de gorduras acumuladas.

Devo dizer que isso se aplica ao meu caso. Nem todas pessoas tem essa intolerância à insulina. Há casos e casos e o ideal é que você converse com uma nutricionista para saber melhor a esse respeito, como eu fiz. Alías, se você for nutricionista ou saber mais sobre esse assunto, por favor, me corrija se eu estiver errado.

E o que mudou? Bom, nesses 3 meses em que fiz essa mudança, emagreci 8 quilos e passei a treinar com um nível de energia que nunca tinha tido antes. Nesse interim, bati meu recorde dos 10 km (de 44:45 para 43:30) e da Meia-Maratona - de (1h40 para 1h37).

O único recorde pessoal que perdurava era o da maratona. Foi com essa intenção que desembarquei em Buenos Aires na última sexta-feira.

E agora sim, ao fazer 3:28:19, baixei 8 minutos do tempo que fizera em Porto Alegre há quatro anos atrás. Corri de Vibram Five Fingers e fiquei com as mesmas dores musculares que todos sentem após completar a prova - dificuldade para andar, subir e descer escadas, etc.

Hoje, mais do que nunca, sinto que realmente não basta apenas treinar com dedicação. É necessário observar tudo o que entra na lista para se boas performances e de como nosso corpo dispõe e oferece energia para os exercícios. E saber que para isso não é necessário ficar tomando suplementos alimentares caros ou ficar no senso comum de que sem carboidratos não é possível correr bem, é no mínimo, intrigante.

Carbo em gel? Sim, uso apenas durante a prova e só, até porque durante o exercício, a produção de insulina é reduzida.

Depois tento escrever sobre a prova portenha.

Nesse momento quero apenas permanecer com o sorriso no rosto. E basta.