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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Agora sim: 3h28 em Buenos Aires.

Em 2008, tinha feito 3h36 em Porto Alegre.

No ano seguinte, fui à Punta del Este para tentar melhorar essa marca.

Só que uma lesão, que tinha aparecido durante o treinamento, decidiu ficar crônica justamente na prova uruguaia.

Ainda sim, completei em 3h47.

A lesão era uma síndrome do piriforme e não queria sumir.

Toda vez que pousava o calcanhar durante a corrida, sentia algo como um choque na região dos glúteos.

Dei um tempo. Voltei a treinar mas o choque continuava.

Decidi usar um Nike Free que estava empoerado no armário. Se "simulasse" a corrida descalça, a biomecânica seria diferente e, quem sabe, não sentiria dores.

Dito e feito. Passei a correr regularmente o Free. Comprei um Vibram Five Fingers e fui me adaptando.

Cometi erros, corrigi uns, insisti em outros. Comecei a correr descalço também.

O piriforme nunca mais deu seu sinal de existência  - ao menos a tal da síndrome.

Ano passado já me sentia pronto para correr uma maratona de novo e fui para Porto Alegre. Tive câibras nas panturrilhas e abandonei.

Decidi que deveria mudar o jeito que treinava e passei a receber orientações do técnico e agora grande amigo, Wanderlei de Oliveira.

O resultados começaram a aparecer. Melhorei meu resultado na meia e cheguei perto de ser sub-1h40. Nos 10 km voltei a correr na casa de 45 minutos.

Fiquei alternando entre disputar provas descalço e sandálias para no final descobrir que o melhor era sempre competir com o Five Fingers.

Continuei treinando bem, mas o "pulo do gato" foi mudar algo que achava que não precisava - a alimentação.

Depois de ler bastante coisa a respeito (Phil Maffetone, Tim Noakes, dieta do paleolítico, etc), conversar com alguns nutricionistas e trocar figurinhas com o Danilo Balu (que além de Educador Físico, também é nutricionista) decidi que ia tirar os carboidratos processados da minha alimentação.

Pode parecer radical ou loucura ficar sem comer pães e macarrão, por exemplo. Eu tirei tudo que tenha farinha de trigo (integral ou não) da minha alimentação. Arroz, batatas e milho também estão de fora. Qualquer alimento que tenha sido industrializado também não entra no meu cardápio  - bolachas, massas de microondas, etc. Açucar refinado? Me dou o luxo de usar apenas no cafezinho.

Minha alimentação passou a se basear em sementes, castanhas, ovos, saladas (muita salada), carnes diversas, azeite de oliva, muitas frutas e derivados de leite com o iogurtes e queijos. Tudo isso para que haja um baleanceamento do consumo de gorduras, proteínas e ácidos graxos com baixo consumo de carboidratos. Não, não tive crise de abistinência. Comparo a tirada dos carboidratos processados e alimentos industrializados da minha alimentação como a decisão de parar de fumar (é, sou ex-fumante).

A explicação, a grosso modo, é a seguinte: os carboidratos processados causam aumento da produção de insulina no corpo, porque é a insulina que entra em ação para tranformar o carbos em glicose. Quando há excesso de insulina no sangue (causado por alto consumo de carboidratos) o metabolismo da glicose é prejudicado, ou seja, atrapalha o processo de armazenamento de glicogênio nos músculos e fígado, e esses carbos que eu consumia viravam gordura, empatando a conta. O pessoal chama  isso de "síndrome metabolica" e é, em geral, relacionada à obesidade, mas acontece com várias pessoas com peso "saudável" e uns dizem que é mais comum do que muitos pensam.

No meu caso, portanto, o baixo  consumo de carboidratos associado aos alimentos que venho consumindo acabaram por balancear esse metabolismo fazendo com que o corpo pudesse me fornecer energia de forma mais eficaz e, de quebra, queimou o excesso de gorduras acumuladas.

Devo dizer que isso se aplica ao meu caso. Nem todas pessoas tem essa intolerância à insulina. Há casos e casos e o ideal é que você converse com uma nutricionista para saber melhor a esse respeito, como eu fiz. Alías, se você for nutricionista ou saber mais sobre esse assunto, por favor, me corrija se eu estiver errado.

E o que mudou? Bom, nesses 3 meses em que fiz essa mudança, emagreci 8 quilos e passei a treinar com um nível de energia que nunca tinha tido antes. Nesse interim, bati meu recorde dos 10 km (de 44:45 para 43:30) e da Meia-Maratona - de (1h40 para 1h37).

O único recorde pessoal que perdurava era o da maratona. Foi com essa intenção que desembarquei em Buenos Aires na última sexta-feira.

E agora sim, ao fazer 3:28:19, baixei 8 minutos do tempo que fizera em Porto Alegre há quatro anos atrás. Corri de Vibram Five Fingers e fiquei com as mesmas dores musculares que todos sentem após completar a prova - dificuldade para andar, subir e descer escadas, etc.

Hoje, mais do que nunca, sinto que realmente não basta apenas treinar com dedicação. É necessário observar tudo o que entra na lista para se boas performances e de como nosso corpo dispõe e oferece energia para os exercícios. E saber que para isso não é necessário ficar tomando suplementos alimentares caros ou ficar no senso comum de que sem carboidratos não é possível correr bem, é no mínimo, intrigante.

Carbo em gel? Sim, uso apenas durante a prova e só, até porque durante o exercício, a produção de insulina é reduzida.

Depois tento escrever sobre a prova portenha.

Nesse momento quero apenas permanecer com o sorriso no rosto. E basta.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Calçar ou não calçar: eis a questão

Depois de experimentar muitas coisas no pé nesses últimos dois anos em que adotei o minimalismo e a corrida descalça, consegui agora bater o martelo. Martelo no sentido de como me calçar ou não calçar nos treinos e provas.

Ah! Para aqueles que acham que para correr descalço ou quase é necessário ser "biomecanicamente perfeito": vejam minhas lindas joanetes!

1)  TREINOS DE QUALIDADE EM PISTA DE ATLETISMO: DESCALÇO.



Não tem jeito. Correr descalço na pista do Bolão, em Jundiaí, é imbatível para mim. Já corri com os Vibram Five Fingers, com huaraches e outros minimalistas. Quando descalço consigo me manter atento à técnica e não tenho dúvida que meus treinos são mais rápidos quando não tenho nada nos pés. Qualquer outro calçado eu sinto que perco aderência, a não ser que eu calce uma sapatilha, que é fora de cogitação para mim, dada a “estreiteza” desse tipo de calçado.

2) RODAGENS: DESCALÇO E HUARACHES.





Nas rodagens alternar o descalço com as sandálias me parecem a solução perfeita, principalmente depois da experiência de correr com o mais recente modelo das Lunas Sandals, com os ATS laces. O ajuste ficou mais fácil e o fato de não ter nenhum tipo de cabedal torna a experiência mais próxima do que seria o descalço – o pé inteiro respira. Por vezes, faço as rodagens sem as sandálias, dependendo do local onde estou treinando. O Parque do Ibirapuera, por exemplo, com o asfalto todo recapeado é um verdadeiro tapete para mim.

3) PROVAS: VIBRAM FIVE FINGERS KSO



Depois de ter problemas com o uso dos VFF, abandonei esses calçados por um bom tempo – devo ter ficado mais de um ano sem calçar um. Acontece que toda vez que usava os VFF, eu não conseguia correr corretamente. Quando dava por mim, estava aterrisando com o calcanhar ou tracionando demais para decolar. Então os VFF que eu tinha ficaram esquecidos no fundo do meu armário.

Eu até corri algumas provas descalço por experiência e gostei, mas achava que para competir, quando queremos dar tudo que temos, não dá para ficar se preocupando com a qualidade do asfalto da prova. Com as huaraches, minhas experiências não foram muito boas, pois sou daquele tipo de corredor que pega dois copos no posto de abastecimento. Bebo um e o outro vai para cima da cabeça para “arrefecer o motor”. Quando faço isso, a água desce até os pés e as sandálias ficavam “sambando” neles. Com o VivoBarefoot Ultra, que usei na Maratona de Porto Alegre, acontece a mesma coisa. Como o calçado é todo feito de EVA, não tem escape para a água, e meu pé também deu umas escorregadas durante a prova.

Foi então que decidi dar mais uma chance para os VFF. Na verdade até pensei em usá-los em PoA, mas desisti por ter feito poucos longos com eles. Devia ter usado. Meus recordes nos 10 km (43 min) e na Meia-Maratona (1h39) vieram com os VFF. Fiz um tempo muito bom também na Maratona Beto Carrero, em que corri pouco mais que 21.1 km. O que eu senti, como escrevi nesse post, é que agora, que minha técnica de corrida está melhor, não importa mais o que uso nos pés. Os VFF não “sambam” nos meus pés quando ficam encharcados de água, então acabam sendo perfeitos para a tarefa. O detalhe é que uso meias para correr com eles. São meias que também separam os dedos e preciso delas pois o VFF KSO que uso tem uma costuras que me machucam e elas solucionam esse problema.

No próximo domingo vou correr a Meia Internacional do Rio com os VFF e preciso comprovar para mim mesmo que o tempo que fiz no Beto Carrero é de verdade. A meia servirá como preparação para a Maratona de Buenos Aires, em outubro. Até lá, não farei mais experiências com os calçados em provas, pois como diz o título desse post – bati o martelo.