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terça-feira, 9 de abril de 2013

Estréia "Natural Born Runner", revista britânica sobre corrida descalça, natural e minimalista

Foi lançada no Reino Unido a primeira edição da revista "Natural Born Runner" (ou "Corredor por Natureza").

Começa com o pé direito pois tem no painel de colaboradores nada menos que Daniel E. Liberman, Irene Davis, Mark Cucuzzella, Ken Bob Saxton, Barefoot Ted,  Nicholas Campitelli, Lee Saxby, entre outros.

Os textos são de altíssima qualidade (em inglês) e o design da revista é muito bom.

Clique aqui e baixe o PDF da primeira edição.

Você também pode pedir para assinar a revista através do e-mail subscriptions@eddingtonmedia.com ou acessar o site oficial aqui.

Troquei alguns e-mails com John Eddington, publisher da NBR, e ele me afirmou que planejava o lançamento da revista há alguns anos e que só a lançou quando conseguiu reunir os colaboradores que ele gostaria de envolver no projeto. À princípio, a revista terá quatro edições no ano e se houver demanda, eles diminuirão a periodicidade.

Fiz uma tradução livre do da apresentação da revista no site para que vocês possam saber das intenções dos editores. Esses são também os três primeiros parágrafos do editorial da primeira edição.

"Benvindo à revista Corredor por Natureza

A motivação para essa revista foi a falta de informações claras sobre o estilo de corrida natural e descalço quando eu comecei a pesquisar a respeito. Contradições e desinformação parecem ser abundantes. Algumas revistas de corrida abordaram esse tópico de forma superficial, mas eu queria ler artigos profundos e não notas de 400 palavras sugerindo que há algo ali, mas quem sabe?

Nós decidimos produzir uma revista que pudesse ser foco de debate e discussão sobre corrida descalça e natural - um lugar em que você possa ler histórias de corredores descalços/naturais experientes; saber dos potenciais benefícios para a sua saúde se você correr com um gesto de corrida mais eficiente; e onde você possa ficar atualizado com o desenvolvimento das pesquisas científicas desses tópicos.

Está na mão dos leitores, é claro, de escolher quais ideias funcionam melhor para eles, mas se você está escolhendo a partir de uma reunião de ideias apresentadas por especialistas no assunto é um ótimo ponto de partida. A meta portanto, é de esclarecer para as pessoas quais opções existem, na esperança de que todos possam curtir mais a sua corrida.

John Eddington, publisher"

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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Boa matéria sobre corrida descalça no portal Eu Atleta, do GloboEsporte.com

Euatleta

É sempre bom ler matérias em português abordando a corrida descalça, principalmente quando não é tendenciosa para o "outro lado da força", se é que vocês me entendem.

"Correndo descalço: descubra o que acontece com o corpo no exercício" foi escrita pela fisioterapeuta Raquel Castanharo, que tem mestrado em biomecânica de corrida. A matéria descreve bem os prováveis benefícios da técnica natural/descalça e também a falta mais de estudos científicos que comprovem isso (existem alguns, é verdade, mas precisamos de mais).

Vejam bem, o portal Eu Atleta tem uma audiência altíssima, os textos não são extensos e não podem ser muito profundos exatamente por essa razão. Se tenho uma crítica ao artigo, seria o fato de não citar a falta de estudos reversos ao da corrida descalça, como por exemplo a falta de estudos que mostrem que correr usando o calcanhar na aterrisagem é melhor.

A Raquel mudou para Jundiaí há pouco e nos conhecemos recentemente. Compartilhamos o interesse na corrida descalça (eu na prática e ela na ciência e em sua clínica), e já estou tratando de arregimentá-la para contribuir para o site Corrida Natural.

Clique aqui e leia o artigo completo

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quinta-feira, 28 de março de 2013

É possível correr descalço em qualquer terreno? Conheça o Arnoldo...

Arnoldo_Catia

Arnoldo Boson, de Belo Horizonte, é o ninja da corrida descalça brasileira. Se você acha que é impossível correr rápido no cascalho e regiões cheias de pedras e pedrinhas, lá vem o Arnoldo voando baixo.

Esse vídeo mostra como ele domina bem a técnica. Sua companheira de Vibram é a Cátia Caldeira, que apesar de estar protegendo os pés, já fez a Maratona do Rio descalça.

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segunda-feira, 25 de março de 2013

Como foi a Clínica de Corrida Natural na Velocità Moema, em São Paulo

Aconteceu no último sábado, a segunda edição da Clínica de Corrida Natural, na Velocità Moema, em São Paulo.

Gosto muito de fazer essas Clínicas pois é sempre uma boa oportunidade de rever os meus conceitos de corrida e conhecer as pessoas interessadas nesse assunto (Por exemplo: o Dagomar acertou um compromisso de trabalho em São Paulo para participar - ele mora em Joinville, SC. Muito legal!).

As discussões após a palestra sempre são excelentes e fazer todo mundo tirar os tênis e dar uma trotada no quarteirão é uma experiência sem igual.

Às vezes fico pensando se não deveria mudar o foco da palestra e tentar torná-la mais atraente do ponto de vista comercial, mas realmente "não faz parte do meu show". As reações de quem participa da palestra são tão boas que me fazem sentir que o caminho é esse mesmo: um trabalho de formiguinha.

Veja abaixo alguns vídeos do pessoal correndo antes e depois da Clínica. Mudar o padrão de pisada é mais simples do que parece!

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A próxima Clínica será em Piracicaba (se inscreva aqui). Fique de olho no site ou assine a nossa newsletter para ficar sabendo quando serão as próximas!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Clínica Corrida Natural na Velocítà Moema, no dia 23/3. Não perca!


Volto mais uma vez à Velocità Moema, em São Paulo, para ministrar a Clínica de Corrida Natural. Dessa vez será no sábado, dia 23 de março, das 09:00 às 10:30 da manhã. Se você quer aprender a correr de maneira adequada com tênis minimalistas ou descalço, não perca. A Clínica também é útil para os atletas que se lesionam com frequência ou que estão em busca de melhorar sua técnica de corrida.

Na Corrida Natural não usamos o calcanhar para iniciar a pisada e sim o antepé. Isso faz com que a corrida seja mais eficiente e, em teoria, menos lesiva, pois o impacto deixa de ser absorvido pelas nossas articulações. É possível correr com a técnica da Corrida Natural com qualquer calçado. Você só precisa aprender ou reaprender a correr dessa maneira.

Assuntos que serão abordados:

1) O que é corrida natural: estudos e evidências

2) Tênis minimalistas e corrida descalça: conceitos e adaptação

3) Técnica de corrida: os três pilares.

4) Prática: a aplicação da técnica na esteira e análise com vídeo.

Serviço:

Dia 23 de março, das 09h00 às 10h30

Quanto custa: R$ 60

Velocità Moema

End.: Rua Pavão, 342 - São Paulo, SP

Tel:  (11) 5093 4545

Logo Velocita com slogan v11

Faça sua inscrição pelo link abaixo:

Saiba mais:

Clique aqui para ver o progrograma completo da Clínica.

Clique aqui para ver como foi a Clínica de São Paulo e aqui para a do Recife.

Leia aqui os depoimentos de quem participou da Clínica e aqui para ler o que saiu na imprensa sobre ela.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Clínica de tênis minimalistas e corrida descalça



Já faz algum tempo que venho amadurecendo a ideia de organizar uma Clínica para aqueles corredores que se interessam ou já correm com tênis minimalistas ou mesmo descalço.

A maioria dos leitores deste blog sabem que estou "nessa história" de correr descalço ou com tênis mínimos há cerca de 3 anos e nesse período li, pesquisei e experimentei vários tipos de calçados em treinos e provas. A ideia que eu tenho por trás da Clínica é de poder ter a oportunidade de ajudar as pessoas que estão interessadas em correr com esses tipos de calçados ou sem nenhum mesmo. Os que estão iniciando poderão aprimorar sua visão sobre o assunto e obter dicas valiosas para que sua transição não venha acompanhada de lesões inesperadas.  Para aqueles que já tem vivência no assunto, é uma chance de rever conceitos, esclarecer dúvidas e compartilhar experiências.

Assuntos que serão abordados:

1) O que é corrida natural: estudos e evidências

2) Tênis minimalistas e corrida descalça: conceitos e adaptação

3) Técnica de corrida: os três pilares.

4) Prática: a aplicação da técnica na esteira e análise com vídeo.

A primeira Clínica será realizada no dia 8 de dezembro (sábado) na Loja Velocità Moema (rua Pavão, 342 - São Paulo, SP), das 9:00 às 10:30 da manhã. O custo é de R$ 60 e as inscrições podem ser feitas clicando no botão abaixo.



Eu também criei uma página especial da Clínica no Facebook (clique aqui)  para divulgar e incentivar a troca de informações entre os corredores.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Calçar ou não calçar: eis a questão

Depois de experimentar muitas coisas no pé nesses últimos dois anos em que adotei o minimalismo e a corrida descalça, consegui agora bater o martelo. Martelo no sentido de como me calçar ou não calçar nos treinos e provas.

Ah! Para aqueles que acham que para correr descalço ou quase é necessário ser "biomecanicamente perfeito": vejam minhas lindas joanetes!

1)  TREINOS DE QUALIDADE EM PISTA DE ATLETISMO: DESCALÇO.



Não tem jeito. Correr descalço na pista do Bolão, em Jundiaí, é imbatível para mim. Já corri com os Vibram Five Fingers, com huaraches e outros minimalistas. Quando descalço consigo me manter atento à técnica e não tenho dúvida que meus treinos são mais rápidos quando não tenho nada nos pés. Qualquer outro calçado eu sinto que perco aderência, a não ser que eu calce uma sapatilha, que é fora de cogitação para mim, dada a “estreiteza” desse tipo de calçado.

2) RODAGENS: DESCALÇO E HUARACHES.





Nas rodagens alternar o descalço com as sandálias me parecem a solução perfeita, principalmente depois da experiência de correr com o mais recente modelo das Lunas Sandals, com os ATS laces. O ajuste ficou mais fácil e o fato de não ter nenhum tipo de cabedal torna a experiência mais próxima do que seria o descalço – o pé inteiro respira. Por vezes, faço as rodagens sem as sandálias, dependendo do local onde estou treinando. O Parque do Ibirapuera, por exemplo, com o asfalto todo recapeado é um verdadeiro tapete para mim.

3) PROVAS: VIBRAM FIVE FINGERS KSO



Depois de ter problemas com o uso dos VFF, abandonei esses calçados por um bom tempo – devo ter ficado mais de um ano sem calçar um. Acontece que toda vez que usava os VFF, eu não conseguia correr corretamente. Quando dava por mim, estava aterrisando com o calcanhar ou tracionando demais para decolar. Então os VFF que eu tinha ficaram esquecidos no fundo do meu armário.

Eu até corri algumas provas descalço por experiência e gostei, mas achava que para competir, quando queremos dar tudo que temos, não dá para ficar se preocupando com a qualidade do asfalto da prova. Com as huaraches, minhas experiências não foram muito boas, pois sou daquele tipo de corredor que pega dois copos no posto de abastecimento. Bebo um e o outro vai para cima da cabeça para “arrefecer o motor”. Quando faço isso, a água desce até os pés e as sandálias ficavam “sambando” neles. Com o VivoBarefoot Ultra, que usei na Maratona de Porto Alegre, acontece a mesma coisa. Como o calçado é todo feito de EVA, não tem escape para a água, e meu pé também deu umas escorregadas durante a prova.

Foi então que decidi dar mais uma chance para os VFF. Na verdade até pensei em usá-los em PoA, mas desisti por ter feito poucos longos com eles. Devia ter usado. Meus recordes nos 10 km (43 min) e na Meia-Maratona (1h39) vieram com os VFF. Fiz um tempo muito bom também na Maratona Beto Carrero, em que corri pouco mais que 21.1 km. O que eu senti, como escrevi nesse post, é que agora, que minha técnica de corrida está melhor, não importa mais o que uso nos pés. Os VFF não “sambam” nos meus pés quando ficam encharcados de água, então acabam sendo perfeitos para a tarefa. O detalhe é que uso meias para correr com eles. São meias que também separam os dedos e preciso delas pois o VFF KSO que uso tem uma costuras que me machucam e elas solucionam esse problema.

No próximo domingo vou correr a Meia Internacional do Rio com os VFF e preciso comprovar para mim mesmo que o tempo que fiz no Beto Carrero é de verdade. A meia servirá como preparação para a Maratona de Buenos Aires, em outubro. Até lá, não farei mais experiências com os calçados em provas, pois como diz o título desse post – bati o martelo.

domingo, 17 de junho de 2012

Técnica é fundamental

Quando comecei meus experimentos com os tênis minimalistas há 2 anos e meio, minha primeira escolha foi o Vibram Five Fingers. No início, abusei e fiz o que o pessoal no exterior chama de TMTS (Too much, too soon - fazer demais, cedo demais), ou seja, já saí correndo 8 km de cara e minhas panturrilhas gritavam no dia seguinte. Moderei e fui me acertando.

Depois de um certo tempo, comecei a ter uma tal de TOFP (Top of the foot pain), uma dor aguda no peito do pé - fruto de técnica incorreta. Só quando decidi tirar o Five Fingers e começar a correr descalço eventualmente, foi que entendi o que estava fazendo de errado. Minha cadência (quantidade de vezes em que o pé toca no chão durante a corrida, medida em passos por segundo) estava abaixo de 180 e ainda pousava os pés um pouco à frente do meu centro de gravidade.

Fui acertando a técnica correndo ora com as sandálias do tipo huarache, ora descalço e fui aprimorando o jeito de correr. De vez em quando corria com o Vibram e não dava certo. Apareciam certas dores e passei a me distanciar deles. Até criei minha própria teoria da conspiração: separar os dedos dos pés não é natural. Até faz sentido. Acho que tirando o dedão, rola uma certa conversa entre os dedos, do tipo: "Escuta, acabei de encostar no chão, e você?", e o mindinho responde: "Eu já saí do chão" e assim por diante.

Correndo descalço e com as huaraches os dedos ficam livres para se esticarem e se mexerem sem interferencia alguma. Portanto, os VFF eram vilões. Meses passaram e quando fui correr a Tribuna, em Santos, decidi dar outra chance às luvas dos pés. Deu certo. Na verdade, deu mais certo do que eu pensava. Na verdade, foi ótimo.

Ontem, antes de começar a Maratona de São Paulo (que acompanhei pela TV, pois tinha festa junina da escola dos meus filhos*), calcei os VFF e fiz um excelente treino de 15 km. Minha teoria da conspiração era uma fraude. Se tem alguma conversa entre os dedos dos pés eu realmente não sei, mas cheguei à conclusão de que o que importa é realmente a técnica da corrida. Se ela não é boa, não importa o que você está calçando - você terá problemas. Com os tênis minimalistas, isso é fundamental.

Foi por isso que escrevi a matéria que está na edição deste mês da Contra-Relógio - "Adapte-se aos tênis minimalistas", em que faço um pequeno guia para aqueles que desejam correr com os tênis mínimos não cometam erros que eu cometi e que possam colher bons frutos e uma corrida com uma técnica mais "limpa", ou como nós que corremos descalços chamamos: com uma técnica natural.

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* Lógico que depois do treino acompanhei a MSP e fiquei emocionado com a vitória do Solonei. Por tudo que esse cara passou nos últimos meses, vejo a conquista em São Paulo como uma volta por cima e a retomada da confiança que ele tanto precisa. Vamos ver o que ele vai aprontar na Maratona de Nova York, onde tem presença já confirmada. Parabéns, Solis!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Novo estudo diz que não há vantagem metabólica no correr descalço...

...contanto que você esteja correndo com um tênis que pese 150 gramas e não comece a pisada com o calcanhar, ou seja, contanto que você seja um corredor mais eficiente.

O estudo chamado "Metabolic Cost of Running Barefoot versus Shod: Is Lighter Better?" (ou "Custo Metabólico de correr descalço ou com tênis: quanto mais leve melhor?") foi submetido por Jason Franz, Corbyn M. Wierzbinski e Rodger Kram e aceito pelo American College of Sports Medicine. A intenção era quatificar os "efeitos metabólicos" ao se adicionar massa aos pés dos corredores e comparar o consumo de oxigênio e a potência metabólica quando se corre descalço ou com tênis.

Eles selecionaram 12 corredores com boa experiência na corrida descalça e colocaram os sujeitos correndo na esteira com uma velocidade de 12 km/h (5 min/km). Durante um período de 5 minutos, o atleta corria descalço, alternava para tênis leves (150 gramas - Nike MayFly), tênis de 300 gramas e  400 gramas. Para cada situação foi medido o consumo máximo de oxigênio, produção de dióxido de carbono e a potência metabólica.

O resultado é que correndo com tênis de competição, se constata uma vantagem metabólica de 3 a 4% em relação à corrida descalça. Os tênis de 300 g e 400 g "perderam" a disputa.

Então há de se concluir que correr de tênis é melhor que correr descalço, certo? Calma lá, cowboy. Vamos ver por "fora da caixa". O estudo foi feito com corredores "descalços" experientes. Portanto, todos eles começavam a pisada com o antepé, tinham a pisada mais curta e eram, portanto, corredores mais eficientes do ponto de vista do gasto energético.

Então, é assim que eu vejo a conclusão da pesquisa: para se obter vantagem metabólica usando tênis de competição (150 gramas ou menos), é necessário correr descalço para aumentar sua eficiência biomecânica. Ou seja, correr descalço é benéfico ao ponto de se ter rendimento melhor correndo com tênis leves (competição ou minimalistas).

Se a pesquisa tivesse usado outros grupos de corredores, como os que tradicionalmente começam a pisada com o calcanhar, é óbvio que os resultados teriam sido diferentes, como já notado em outros estudos como os do professor Daniel E. Lieberman, da Universidade de Harvard.

Mais um estudo interessante, com resultados igualmente interessantes. Está ficando cada vez mais evidente de que menos é mais e está mais do que na hora das macas repensaram o amortecimento dos tênis.

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EDIÇÂO

Um leitor deste blog, Adolfo Neto, alertou que o estudo é questionável já que os corredores não correram absolutamente descalços na esteira, e sim, usando uma meia de yoga anti-derrapante. Isso mudaria totalmente os resultados da pesquisa pois os corredores foram avaliados de forma incorreta, já que não puderam correr descalços de verdade, ou seja, sem nada nos pés.

Eu estou de acordo com ele, pois qualquer coisa que se coloca nos pés, por mais leve que seja, muda a percepção do solo, altera-se a postura e não se corre do mesmo jeito. Digo isso por experiência própria.

Aliás, decidiram colocar as meias "por motivos higiênicos e de segurança", o que revela desconhecimento da corrida descalça e preconceito, pois era só limpar a esteira com um papo embebido de álcool que ela já estaria pronta para outra.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Huaraches “made in Brazil”



Como muitos dos leitores deste blog sabem, tenho experimentado correr descalço (ou quase) por cerca de um ano e meio. Nesse ínterim, fui correndo com vários calçados alternativos, como os Vibram Five Fingers, RunAmocs, Merrell Trail Glove e alguns modelos de huaraches (as tais sandálias que os índios Rarámuri do México usam para correr e popularizadas pelo livro “Nascido para Correr”, do jornalista Christopher McDougall).

Dentre todas as alternativas, sinto que as sandálias são as que menos interferem na dinâmica do movimento do pé quando corremos. De modo que é possível correr com elas da mesma maneira com a qual correríamos descalços. Com as outras alternativas, tenho que me policiar para correr com a técnica “natural” correta, o que considero chato, pois é ter que ficar correndo e pensando se está com a técnica correta é um tanto frustrante, pois tira o prazer de correr se preocupando com outras coisas, como o rendimento ou simplesmente a paisagem.

Eu freqüento alguns fóruns de discussão sobre corrida descalça e um deles é uma comunidade brasileira do Orkut chamada “Corredores Descalços” e nesses dias fui surpreendido pela notícia de um sujeito que está fazendo huaraches aqui no Brasil, em Minas Gerais, para ser mais exato – curiosamente o local onde aparentemente há mais simpatia pela corrida descalça (ou quase). Até então ficávamos restritos aos modelos feitos nos EUA, como a Invisible Shoe, Luna Sandas, Wokova (ex-Unshoes) e Run Branca (para citar apenas alguns). O modelo que tenho usado ultimamente é uma mistura entre uma Invisible Shoe e o laço de couro elástico “Equus” das Luna Sandals, carinhosamente chamada de Huarache Frankstein por mim.

Genaro Kummer é designer de produtos decidiu aproveitar sua experiência trabalhando em uma fábrica de calçados para fazer suas próprias sandálias, usando os modelos americanos como referência. O site em que vende suas sandálias é o www.taboosandals.com e, segundo Genaro tem tido sucesso por estar no ar há pouco mais de 15 dias no ar.

No site é possível encomendar o modelo Cobra (modelo único, por ora) a partir do traço do seu pé por R$ 60, mais o custo de envio ou pedir um kit DIY (Do-It-Yourself, ou seja, faça você mesmo) por R$ 35 (mais envio). Há também um vídeo de instruções sobre como amarrar as sandálias e outras informações.

Devo receber um de seus modelos em breve para poder opinar sobre a qualidade das huaraches brazucas.

Se alguém já experimentou uma Taboo me avise!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Comprou um Five Fingers? Legal! Agora, vá com calma, por favor.



A leitura do Livro “Nascido para Correr”, do jornalista norte-americano Christopher McDougall (editora Globo, R$ 50; 383 pags.)  fez com que várias pessoas, por todo o mundo, passassem a correr descalças ou com tênis diferentes do tradicionais (leia a matéria: “Correr descalço ou quase: uma tendência?”).

Embora seja um movimento ainda pequeno em relação ao enorme número de corredores “calçados”, já há um número considerável de corredores descalços (ou quase) em provas no exterior, como alguns leitores da revista têm nos relatado.

Agora que a rede de lojas Track &Field passou a vender os Vibram Five Fingers (ou VFF), muitos  poderão matar sua curiosidade e correr com essa “luva” para os pés.

CAUTELA. No entanto, devo alertar a todos que querem experimentar os VFF, para sejam cautelosos. Como a técnica de corrida é diferente da que a maioria das pessoas estão acostumadas a usar, o estímulo neuro-muscular também é diferente. O maior desafio de correr com os Five Fingers é a postura correta da corrida e de ter paciencia com a transição.

TÉCNICA. Assim como quando corremos descalços deve-se primeiro pousar com o médio-pé para aí então, colocar o calcanhar no chão e prosseguir para a próxima passada. Tente realizar o primeiro contato com o chão logo abaixo do seu centro de gravidade, de forma com que seus joelhos fiquem ligeiramente flexionado durante esse estágio. Na transição, procure tirar os pés do chão, ao invés de se empurrar com os dedos dos pés. É algo parecido com o que nós todos fazemos quando ficamos correndo no mesmo lugar.

Dica: Eu recomendo correr pequenas distâncias, algo entre 100 a 200 metros completamente descalços para ver como nosso corpo se porta e observar como é natural não usar o calcanhar no primeiro estágio da pisada. Após ver como a técnica funciona, calce o VFF para uma primeira corrida-teste.

OUÇA O CORPO. Mais do que nunca a máxima de que devemos “ouvir o corpo" deve ser aplicada ao uso do VFF. Sua primeira corrida com o calçado não deve passar de 400 metros, com velocidade bem leve. No segundo dia deve-se avaliar como seu corpo reagiu e reavaliar a distância.  Tente sempre observar sua postura e no caso de sentir dores, tente identificar sua origem. Em caso de dor nos tendões, principalmente no de aquiles, é caso de parar imediatamente e voltar a correr só no próximo dia.  Às vezes é necessário conviver com algumas dores musculares no início, mas não abuse para não “pagar” no futuro.

CADÊNCIA. Para evitar que se fique "pulando" enquanto corre, o ideal é manter um número alto na cadência de passadas, pelo menos 180 passos por minuto (ou 90 por perna). Isso faz com que a corrida seja mais eficiente e econômica do ponto de vista de gasto energético. Para ficar mais fácil, conte os passos de apenas um de seus pés por 30 segundos, se der igual ou mais que 45, você está no caminho certo.

TRAVESSEIRO. Deve-se procurar correr da forma mais “leve” possível – como se tivesse correndo em cima de travesseiros. Quando o corredor atinge com perfeição a técnica “descalça”, o VFF não faz barulho, assim como quando corremos descalços. Lembre-se também de deixar os ombros sempre relaxados.

TRANSIÇÃO. Vá aumentando gradualmente a distância conforme perceber que sua musculatura está "em ordem". Esse período é de intensa obsevação de como suas panturrilha e tendões estão evoluindo com o novo estímulo. Não faça loucuras, como correr 10 km no primeiro dia, ou na segunda ou mesmo na terceira semana. Vá devagar, começando com pequenas distâncias, até se sentir seguro para aumentar cada vez mais um pouco. Lembre sempre de parar quando sentir dores mais fortes, agudas ou persistentes. O período de adaptação, até que se consiga correr na mesma velocidade e como o mesmo volume de quilometragem varia de pessoa para pessoa, mas pode chegar a 6 meses. Muitos especialistas em corrida descalças dizem para que o corredor espere pelo menos um ano para participar de forma competitiva de corridas.

LESÕES. Apesar de muitos defensores da corrida descalça falarem que tem menos lesões do que os corredores “calçados”, ninguém está imune a elas. As lesões mais comuns são fraturas no metatarso (por bater os pés com força demais no chão) e a “Dor no topo do pé” (uma espécie de pontada no peito do pé - eu já tive), que em geral é associada ao aumento de volume de quilometragem sem critérios ou paciência. Na maioria das vezes, os que se queixam de lesões são os corredores na fase de transição – é muito raro ouvir falar de corredores descalços mais experientes que tenham se lesionado por algum desses motivos.

BENEFÍCIOS PARA TODOS. Mesmo que você não queira largar o seus tênis de corrida, os VFF podem ser uma boa forma de fortalecer seus pés e estimular, de forma mais abrangente, a musculatura das pernas e dos pés. Faça a transição nos dias de treino leve, e de pequenas distâncias, como um trote de 6 km, por exemplo. Você pode substituir o tênis pelos VFF no último km e aumentar gradualmente até se sentir seguro para fazer o treino completo com eles.

Meu conselho para quem está começando com os VFF é simples: tenha calma e paciência, que os resultados virão com o tempo.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Corri a meia de SP...descalço

Faz pouco mais de um ano em que eu comecei a correr com aquela tal "luva" para os pés, o Vibram Five Fingers. Corri com dois modelos, o KSO e o Bikila. Depois veio o RunAmoc e comecei a sentir vontade de correr sem nada nos pés. E ontem, corri minha primeira prova absolutamente descalço.

Lógico que esse caminho teve alguns percalços. Apesar da musculatura já estar muito bem adaptada, a pele dos pés tem algumas particularidades. Todos nós corredores, quando corremos e sentimos alguma dor muscular, sabemos que ela é oriunda do exercício em si, e em geral, "corremos" por cima da dor e continuamos nosso caminho.

Para correr descalço, se você sente alguma dor na pele da sola do pé, em geral, significa que você ganhou uma bolha. Demorou algum tempo para que eu pudesse entender o momento em que eu deveria parar de correr imediatamente para evitar incômodos. A partir do momento em que passei a captar as mensagens de bolhas prenunciadas, evoluí rapidamente.

Ontem, na Meia de SP, corri ao lado do amigo Fausto Corteze, que faz parte do grupo de corredores de Jundiaí do qual faço parte - os Corredólatras. Havíamos combinado de correr em um ritmo bem conservador, de acordo com a planilha que nós dois estamos seguindo rumo à Maratona de Porto Alegre, dia 22 de maio,

Começamos bem devagar mesmo, e o primeiro km passamos com 6:10 min/km. Mas conseguimos imprimir um ritmo progressivo e terminamos a prova com 1h54.

Meus pés terminaram muito bem a prova. Os piores lugares para correr foram alguns trechos do Minhocão, em que o asfalto estava muito ruim - tipo choquito -, mas no geral, fiquei muito feliz por terminar com meus pés inteiros, apenas um pouco doloridos. O forte calor que marcou a prova só enquentou mesmo o asfalto no final da prova, mas era absolutamente suportável.

Vou correr a Maratona de Porto Alegre descalço? Sinceramente, eu não sei. Muita água vai passar embaixo da ponte, mas completar essa Meia me mostrou que pode ser viável.

Queria agradecer o amigo Erik Neves pela sugestão de levar minha huarache em uma pochete, caso os pés pedissem água, o que não foi necessário. Também preciso deixar meu muito obrigado ao Fausto pela companhia durante a prova. Se tivesse corrido sozinho, com certeza teria relaxado e não teria forçado na segunda parte, quando o calor passou a castigar.

BOM HUMOR. Durante a prova, alguns corredores curiosos vieram conversar comigo, perguntando se eu ia correr todo o percurso descalço, etc. Outros tiravam sarro como quando encontrei o Tomaz: "Que foi? Esqueceu o tênis?". O mais divertido mesmo foi quando faltavam cerca de 2 km para o final da prova e escutei alguém comentar: "Caramba, a gente vai 'perder' para aquele cara que tá descalço!"

Eu não sei quanto à vocês, mas eu só corro para ganhar de mim mesmo. :)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Correr descalço ou com um Newton?



Ontem, dia 8, compareci a uma palestra chamada “Join the Natural Running Revolution. Learn how to run faster, stronger, more efficiently, and with less injury” (“Faça parte da revolução da corrida natural. Aprenda como correr mais rápido, mais forte, com mais eficiencia e com menos lesões”) ministrada por Iam Adamson, que é diretor de Pesquisa e Ensino da Newton Running. O evento foi organizado pela Track & Field, que comercializada os tênis Newton desde novembro de 2010, conforme foi publicado neste blog  (clique aqui para ler).

Se eu não soubesse de que o Newton é uma marca de tênis de corrida, acharia que a palestra era um grande incentivo para se correr descalço. Quando Adamson perfilou o histórico do uso de calçados pela humanidade e citou os estudos feitos em Harvard, pelo professor de Biologia Evolucionária Daniel Lieberman, ficou claro que a marca está perfilada a esse estilo de corrida, a tal “corrida natural”, em que a pisada começa pela parte da frente dos pés (não pelos dedos) e a postura de nosso corpo passa a ser mais ereta do que projetada para a frente, ou seja, como se estivéssemos correndo descalços. Falou também sobre o “problema” da elevação do calcanhar e do período de “breque” quando há o contato do calcanhar com o chão durante a pisada, que faz com que haja, supostamente, mais gasto energético quando corremos.

Os tênis da Newton são feitos de modo com que você não consiga começar a pisada com o calcanhar como nos tênis convencionais e para isso, lançam mão de uma espécie de salto na parte da frente do tênis. A impressão quando se calça o modelo é de que a parte da frente é mais alta do que a de trás, e quando corremos essa impressão muda. Eu recebi um Newton para experimentar e posteriormente falo o que achei.

Das coisas que Adamson falou, uma me chamou bastante a atenção. Ele disse que tem gente que usou o tênis por mais de 1.600 km (!). Se isso for realmente verdade será muito bom para os bolsos dos corredores, pois como se sabe, um tênis convencional de corrida dura cerca de 500 km, dependendo da marca, pois é quando o amortecimento deixaria de ser eficiente.

Mas vá devagar ao pote. Assim como correr descalço ou com os Vibram Five Fingers (aquela "luva" para os pés), é necessário um período de adaptação muscular que não ocorre de uma hora para outra. A dica é ir introduzindo o tênis no final dos treinos, ou naquele dia em que que a planilha manda você fazer um trote de 5 km.

De qualquer forma, os Newton serão testados para o Guia do Tênis da edição de abril da CR, aguardem!

No site da Track & Field há mais informações sobre os Newton (Clique aqui)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Five Fingers no Brasil, em março



Se você é um dos corredores que morria de vontade de experimentar correr "quase" descalço com aquela "luva para os pés" tão falada por aí - inclusive na própria Contra-Relógio (clique aqui para ler) -, pode preparar suas panturrilhas.

A empresa Davison Division começará a distribuir o Vibram Five Fingers no Brasil através das lojas da rede Track & Field, a partir de março.

A princípio, apenas os modelos KSO, Sprint e Classic estarão disponíveis, com preço entre R$ 289 e R$ 310 (segundo a assessoria de imprensa).

O modelo feito especificamente para os corredores, o Bikila, chegará às prateleiras em maio.

A Davison Division mantém uma página no Facebook e conta no Twitter para quem quiser obter mais informações.

Mais detalhes na edição de fevereiro da CR.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O que há de novo entre os tênis mínimos?


New Balance  Minimus Trail


Surgiram algumas novidades para aqueles que ficaram curiosos ao ler a matéria "Os tênis mínimos estão chegando" (Contra-Relógio 204,  setembro de 2010 - clique aqui para ler).

A New Balance  americana já colocou uma página especial em seu site a respeito da linha Minimus (clique aqui para ver). São três modelos, um para uso casual, um para "rua" (road) e outro para trilha (foto). Esses modelos serão lançados mundialmente em março de 2011, e isso inclui o Brasil.


The Adam, da Altra


Outra opçao agora é a Altra (http://altrarunning.com) que diferentemente da NB, leva a sério o "zero drop", o que significa que não há diferença entre a altura do calcanhar dos tênis para o restante do pé. Eles também tem três modelos na linha, o The Adam, The Instint e o The Lone Peak. O The Adam (foto) é uma espécie de Vibram Five Fingers Bikila só que sem os dedos separados. Os tênis da Altra serão comercializados nos EUA a partir do primeiro semestre de 2011, mas sem previsão de venda por aqui.

Vamos aguardar 2011 para ver o que as outras grandes marcas vão lançar para este novo segmento de tênis de corrida.

Enquanto isso fica a sugestão de leitura: Correr descalço ou quase: uma tendência (CR 198, março de 2010)