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No sábado, dia 6 de abril, aconteceu a primeira Clínica de Corrida Natural no Espaço Gaia, em Piracicaba.
Como sempre digo, gosto muito de fazer as Clínicas e conhecer as pessoas que se interessam no assunto. Para mim também é ótimo rever minhas convicções. A volta no quarteirão com todos correndo descalços é sempre o ponto alto da Clínica. Tão alto, que na empolgação, esqueci totalmente de fazer as filmagens posteriores e análise das mudanças no pessoal, a quem me desculpo.
É muito legal observar a reação dos participantes ao fazerem essa volta no quarteirão. Uma série de desconfianças vão embora e fico com a sensação que meu papel de plantar a semente foi cumprido, pois é nesse momento em que os conhecimentos adquiridos na palestra se consolidam.
Agradeço à Gabriela do Espaço Gaia por ter aberto às portas para a palestra e o Augusto das camisetas Vamos Correndo por ter tomado a iniciativa de levar a Clínica à Piracicaba. Já estamos programando uma nova data para o segundo semestre. Se você não pôde ir, fique ligado!
Veja aqui o álbum de fotos da Clínica em Piracicaba da Gaia no Facebook.
A próxima Clínica será realizada na academia CNM Sports, em Jundiaí (SP), no dia 4 de maio (sábado), das 15h às 17h. Inscreva-se clicando aqui.
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segunda-feira, 8 de abril de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
Como foi a Clínica de Corrida Natural na Velocità Moema, em São Paulo
Aconteceu no último sábado, a segunda edição da Clínica de Corrida Natural, na Velocità Moema, em São Paulo.
Gosto muito de fazer essas Clínicas pois é sempre uma boa oportunidade de rever os meus conceitos de corrida e conhecer as pessoas interessadas nesse assunto (Por exemplo: o Dagomar acertou um compromisso de trabalho em São Paulo para participar - ele mora em Joinville, SC. Muito legal!).
As discussões após a palestra sempre são excelentes e fazer todo mundo tirar os tênis e dar uma trotada no quarteirão é uma experiência sem igual.
Às vezes fico pensando se não deveria mudar o foco da palestra e tentar torná-la mais atraente do ponto de vista comercial, mas realmente "não faz parte do meu show". As reações de quem participa da palestra são tão boas que me fazem sentir que o caminho é esse mesmo: um trabalho de formiguinha.
Veja abaixo alguns vídeos do pessoal correndo antes e depois da Clínica. Mudar o padrão de pisada é mais simples do que parece!
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A próxima Clínica será em Piracicaba (se inscreva aqui). Fique de olho no site ou assine a nossa newsletter para ficar sabendo quando serão as próximas!
Gosto muito de fazer essas Clínicas pois é sempre uma boa oportunidade de rever os meus conceitos de corrida e conhecer as pessoas interessadas nesse assunto (Por exemplo: o Dagomar acertou um compromisso de trabalho em São Paulo para participar - ele mora em Joinville, SC. Muito legal!).
As discussões após a palestra sempre são excelentes e fazer todo mundo tirar os tênis e dar uma trotada no quarteirão é uma experiência sem igual.
Às vezes fico pensando se não deveria mudar o foco da palestra e tentar torná-la mais atraente do ponto de vista comercial, mas realmente "não faz parte do meu show". As reações de quem participa da palestra são tão boas que me fazem sentir que o caminho é esse mesmo: um trabalho de formiguinha.
Veja abaixo alguns vídeos do pessoal correndo antes e depois da Clínica. Mudar o padrão de pisada é mais simples do que parece!
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A próxima Clínica será em Piracicaba (se inscreva aqui). Fique de olho no site ou assine a nossa newsletter para ficar sabendo quando serão as próximas!
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sexta-feira, 22 de março de 2013
Matéria na Outside americana, estudos a serem analisados e Clínica amanhã, em SP.
A matéria, escrita por Andrew Tilin, é entitulada "You don't know how to run" (ou 'Você não sabe como correr') fala sobre a "guerra" travada entre adeptos dos minimalistas/descalços e os "tradicionalistas". Tilin soube analisar os dois lados da moeda, sendo que não tem jeito - a ciência sempre acaba pendendo para os minimalistas. A Irene Davis (que esteve no Brasil no ano passado - leia aqui) é a grande fonte da matéria, inclusive botando o jornalista para correr na esteira e ver como funcionam os picos de impacto com o tênis e descalço.
Não quero acabar com a expectativa de ninguém. Compre a sua na banca, versão para tablets ou aguarde a edição brasileira traduzir a matéria nos próximos meses.
ESTUDOS. Tenho um amigo fisioterapeuta que me mandou alguns estudos muito interessantes sobre padrão de pisada e lesões. Devo analisar tudo na semana que vem. Aguardem!
CLÍNICA. Amanhã vou estar na Velocità Moema para a Clínica de Corrida Natural (veja o que é). Ainda dá tempo de se increver (clique aqui) ou o pagamento pode ser feito amanhã mesmo na loja.
Até lá!
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segunda-feira, 11 de março de 2013
Por que temos que reaprender a correr?
[caption id="attachment_3758" align="alignnone" width="580"]
Márcio Almeida, corredor descalço há décadas, ocasionalmente "teima" em pisar de calcanhar, enquanto seus filhos, Tiago e Giovana, ainda correm naturalmente com o antepé. (Foto: arquivo pessoal).[/caption]
N.E.: Essa é a primeira colaboração de Erik Neves, médico e corredor descalço de Brasília, DF.
Christopher McDougall, logo no título do seu famoso livro, falou que somos "Nascidos para Correr". Ora, se é assim, por que existem dezenas de livros e centenas de blogs, como este, que ensinam como correr?
Em qualquer outro esporte, o gesto esportivo é ensinado, treinado, aperfeiçoado e repetido exaustivamente. Tome a natação como exemplo. Não nascemos para nadar ou, melhor dizendo, as pressões evolutivas a que nossos antepassados foram submetidos não os selecionaram para a vida aquática. Mesmo assim, qualquer criança recém-nascida tem reflexos que a permite se locomover na água, mas o estilo é "cachorrinho", distante, em forma e desempenho, do que é visto nas piscinas olímpicas. Se essa criança não continuar sendo estimulada a nadar, alguns anos mais tarde, ela simplesmente esquecerá como fazê-lo e, caso caia numa piscina suficientemente profunda, provavelmente se afogará.
Com a corrida, algo semelhante acontece. Apesar de termos "evoluído para correr", como o professor de Harvard Daniel Lieberman defende, a vida moderna atrapalha o desenvolvimento da corrida natural.
O problema já começa no sapatinho dos bebês. Os pais das crianças (especialmente as mães, por experiência própria) adoram ver seus filhos bem arrumadinhos e querem protegê-los das "apavorantes" doenças que seus filhos podem contrair. Assim, elas não aprender a andar descalças e sim, calçadas. E o tempo vai passando e os sapatos vão ficando mais grossos, mais pesados, menos flexíveis, mais diferentes do andar descalço.
Apesar disso é possível notar, observando crianças de 3, 4 anos correndo descalças, que boa parte delas ainda não teve sua biomecânica alterada pelos sapatos e ainda correm com o antepé.
Ao ficarem mais velhos, as crianças param de correr, porque correr é coisa de criança. Seus pais lhe ensinam isso: "Pare de correr! Comporte-se! Parece criança!" Se não praticarem um esporte, ficarão anos sem correr, apenas andando com seus pesados tênis e sapatos. Quando voltam a correr, adultos, para controlar o peso ou porque "dizem que faz bem à saúde" (normalmente não é por prazer), estão como as crianças que pararam de nadar: não sabem mais como fazê-lo!
Caminhar é bem diferente de correr. A maneira mais eficaz (energeticamente econômica) de caminhar é aterrissar o pé com o calcanhar, rolá-lo, como um mata-borrão e retirá-lo com a ponta. E o novo atleta tem esse modelo motor assimilado por anos. Ao voltar a correr, usará o único modelo que conhece: calcanhar-meio-ponta. Começar correndo devagar e progressivamente mais depressa só piora o quadro.
Por esses e outros motivos, a corrida que os adultos praticam intuitivamente, com o calcanhar, não é a corrida natural para qual o nosso corpo evoluiu.
Por isso tentamos reensinar a correr. Naturalmente, com o antepé.
N.E.: Essa é a primeira colaboração de Erik Neves, médico e corredor descalço de Brasília, DF.
Christopher McDougall, logo no título do seu famoso livro, falou que somos "Nascidos para Correr". Ora, se é assim, por que existem dezenas de livros e centenas de blogs, como este, que ensinam como correr?
Em qualquer outro esporte, o gesto esportivo é ensinado, treinado, aperfeiçoado e repetido exaustivamente. Tome a natação como exemplo. Não nascemos para nadar ou, melhor dizendo, as pressões evolutivas a que nossos antepassados foram submetidos não os selecionaram para a vida aquática. Mesmo assim, qualquer criança recém-nascida tem reflexos que a permite se locomover na água, mas o estilo é "cachorrinho", distante, em forma e desempenho, do que é visto nas piscinas olímpicas. Se essa criança não continuar sendo estimulada a nadar, alguns anos mais tarde, ela simplesmente esquecerá como fazê-lo e, caso caia numa piscina suficientemente profunda, provavelmente se afogará.
Com a corrida, algo semelhante acontece. Apesar de termos "evoluído para correr", como o professor de Harvard Daniel Lieberman defende, a vida moderna atrapalha o desenvolvimento da corrida natural.
O problema já começa no sapatinho dos bebês. Os pais das crianças (especialmente as mães, por experiência própria) adoram ver seus filhos bem arrumadinhos e querem protegê-los das "apavorantes" doenças que seus filhos podem contrair. Assim, elas não aprender a andar descalças e sim, calçadas. E o tempo vai passando e os sapatos vão ficando mais grossos, mais pesados, menos flexíveis, mais diferentes do andar descalço.
Apesar disso é possível notar, observando crianças de 3, 4 anos correndo descalças, que boa parte delas ainda não teve sua biomecânica alterada pelos sapatos e ainda correm com o antepé.
Ao ficarem mais velhos, as crianças param de correr, porque correr é coisa de criança. Seus pais lhe ensinam isso: "Pare de correr! Comporte-se! Parece criança!" Se não praticarem um esporte, ficarão anos sem correr, apenas andando com seus pesados tênis e sapatos. Quando voltam a correr, adultos, para controlar o peso ou porque "dizem que faz bem à saúde" (normalmente não é por prazer), estão como as crianças que pararam de nadar: não sabem mais como fazê-lo!
Caminhar é bem diferente de correr. A maneira mais eficaz (energeticamente econômica) de caminhar é aterrissar o pé com o calcanhar, rolá-lo, como um mata-borrão e retirá-lo com a ponta. E o novo atleta tem esse modelo motor assimilado por anos. Ao voltar a correr, usará o único modelo que conhece: calcanhar-meio-ponta. Começar correndo devagar e progressivamente mais depressa só piora o quadro.
Por esses e outros motivos, a corrida que os adultos praticam intuitivamente, com o calcanhar, não é a corrida natural para qual o nosso corpo evoluiu.
Por isso tentamos reensinar a correr. Naturalmente, com o antepé.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Clínica Corrida Natural na Velocítà Moema, no dia 23/3. Não perca!
Volto mais uma vez à Velocità Moema, em São Paulo, para ministrar a Clínica de Corrida Natural. Dessa vez será no sábado, dia 23 de março, das 09:00 às 10:30 da manhã. Se você quer aprender a correr de maneira adequada com tênis minimalistas ou descalço, não perca. A Clínica também é útil para os atletas que se lesionam com frequência ou que estão em busca de melhorar sua técnica de corrida.
Na Corrida Natural não usamos o calcanhar para iniciar a pisada e sim o antepé. Isso faz com que a corrida seja mais eficiente e, em teoria, menos lesiva, pois o impacto deixa de ser absorvido pelas nossas articulações. É possível correr com a técnica da Corrida Natural com qualquer calçado. Você só precisa aprender ou reaprender a correr dessa maneira.
Assuntos que serão abordados:
1) O que é corrida natural: estudos e evidências
2) Tênis minimalistas e corrida descalça: conceitos e adaptação
3) Técnica de corrida: os três pilares.
4) Prática: a aplicação da técnica na esteira e análise com vídeo.
Serviço:
Dia 23 de março, das 09h00 às 10h30
Quanto custa: R$ 60
Velocità Moema
End.: Rua Pavão, 342 - São Paulo, SP
Tel: (11) 5093 4545
Faça sua inscrição pelo link abaixo:
Saiba mais:
Clique aqui para ver o progrograma completo da Clínica.
Clique aqui para ver como foi a Clínica de São Paulo e aqui para a do Recife.
Leia aqui os depoimentos de quem participou da Clínica e aqui para ler o que saiu na imprensa sobre ela.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Estudo mostra diferença de padrões de pisada entre quenianos. Isso muda alguma coisa?
Estudo publicado na Plos One, uma revista científica online, revelou que nem todos os quenianos que cresceram sem usar calçados tem o mesmo padrão de pisada quando correm.
No trabalho entitulado "Variation in Foot Strike Patterns during Running among Habitually Barefoot Populations" ("Variações de padrão de pisada durante a corrida entre populações habitualmente descalças", em tradução livre), os pesquisadores buscaram entender a evolução do padrão de pisada dos seres humanos e encontraram dados diferentes dos colhidos na pesquisa liderada pelo professor de Harvard Daniel Lieberman, no famoso estudo publicado na revista Nature, em 2010. Na ocasião, o padrão de pisada constatado era, em sua maioria, o antepé e foi feita com quenianos da tribo Kalejin (estimo que pelo menos 95% dos quenianos que disputam provas mundo afora são dessa etnia).
Na pesquisa, agora liderada pelo professor Kevin Hatala, da Universidade George Washington, quenianos da tribo Daasanach foram testados e para surpresa dos pesquisadores, nas velocidades baixas, o padrão de pisada preponderante era o retropé, ou o calcanhar.
Opa! Então está tudo errado? Lógico que não. Veja bem, os Daasanach não são uma tribo de corredores "por natureza". Digo, não há corredores entre eles. Na pesquisa de Harvard, os Kalejin corriam ao menos 20 km semanais e os Daasanach nem chegam nem perto disso. E veja bem, eles usavam o retropé, ou calcanhar, como queira, quando estavam em velocidades mais lentas (no alto, foto 1). O que aconteceu quando a velocidade era maior? A maioria optou pelo antepé (no alto, foto 2).
A grande diferença entre as duas pesquisa é que Liberman comparou pessoas que corriam habitualmente descalças e a pesquisa de Hatala é sobre corrida em populações descalças, o que é uma grande diferença.
Quando começamos a correr, descalços ou não, há um tempo para que nós possamos buscar o que é mais eficiente. A meu ver, os resultados da pesquisa foram precipitados ao dizer que o padrão de corrida entre as populações habitualmente descalças não é apenas o antepé.
Veja bem: tudo se baseia em cultura de corrida, adaptações musculares, entre outros. Para mim, nada mudou. Nem para os pesquisadores, que reconhecem que o uso do antepé na aterrisagem é mais eficiente e é isso o que realmente importa.
O que podemos constatar ao final, é que mesmo sendo "habitualmente" descalço, só quem é um "usuário" habitual de corrida descalça é que desenvolve o padrão "natural" de corrida, ou seja, iniciar a pisada com o antepé. O ideal seria que os pesquisadores colocassem os Dassanah para correr pelo menos uns 10 km semanais. Não tenho dúvida que o resultado seria diferente.
Voltando ao que eu disse há dois parágrafos atrás: ao dizer que o padrão de corrida entre as populações habitualmente descalças não é apenas o antepé, temos que entender que não é o antepé pois é necessário ser um corredor habitual para que isso ocorra.
No trabalho entitulado "Variation in Foot Strike Patterns during Running among Habitually Barefoot Populations" ("Variações de padrão de pisada durante a corrida entre populações habitualmente descalças", em tradução livre), os pesquisadores buscaram entender a evolução do padrão de pisada dos seres humanos e encontraram dados diferentes dos colhidos na pesquisa liderada pelo professor de Harvard Daniel Lieberman, no famoso estudo publicado na revista Nature, em 2010. Na ocasião, o padrão de pisada constatado era, em sua maioria, o antepé e foi feita com quenianos da tribo Kalejin (estimo que pelo menos 95% dos quenianos que disputam provas mundo afora são dessa etnia).
Na pesquisa, agora liderada pelo professor Kevin Hatala, da Universidade George Washington, quenianos da tribo Daasanach foram testados e para surpresa dos pesquisadores, nas velocidades baixas, o padrão de pisada preponderante era o retropé, ou o calcanhar.
Opa! Então está tudo errado? Lógico que não. Veja bem, os Daasanach não são uma tribo de corredores "por natureza". Digo, não há corredores entre eles. Na pesquisa de Harvard, os Kalejin corriam ao menos 20 km semanais e os Daasanach nem chegam nem perto disso. E veja bem, eles usavam o retropé, ou calcanhar, como queira, quando estavam em velocidades mais lentas (no alto, foto 1). O que aconteceu quando a velocidade era maior? A maioria optou pelo antepé (no alto, foto 2).
A grande diferença entre as duas pesquisa é que Liberman comparou pessoas que corriam habitualmente descalças e a pesquisa de Hatala é sobre corrida em populações descalças, o que é uma grande diferença.
Quando começamos a correr, descalços ou não, há um tempo para que nós possamos buscar o que é mais eficiente. A meu ver, os resultados da pesquisa foram precipitados ao dizer que o padrão de corrida entre as populações habitualmente descalças não é apenas o antepé.
Veja bem: tudo se baseia em cultura de corrida, adaptações musculares, entre outros. Para mim, nada mudou. Nem para os pesquisadores, que reconhecem que o uso do antepé na aterrisagem é mais eficiente e é isso o que realmente importa.
O que podemos constatar ao final, é que mesmo sendo "habitualmente" descalço, só quem é um "usuário" habitual de corrida descalça é que desenvolve o padrão "natural" de corrida, ou seja, iniciar a pisada com o antepé. O ideal seria que os pesquisadores colocassem os Dassanah para correr pelo menos uns 10 km semanais. Não tenho dúvida que o resultado seria diferente.
Voltando ao que eu disse há dois parágrafos atrás: ao dizer que o padrão de corrida entre as populações habitualmente descalças não é apenas o antepé, temos que entender que não é o antepé pois é necessário ser um corredor habitual para que isso ocorra.
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Análise de padrão de pisada: Haile Gebrselassie
[caption id="attachment_2847" align="alignleft" width="149"]
Haile na maratona de Dubai em 2008: mais um exemplo do padrão de pisada executado pelo etíope.[/caption]
Em um fórum de discussão sobre corrida descalça e tênis minimalista (este aqui) foi divulgado um vídeo com uma análise da técnica de corrida executada pelo etíope Haile Gebrselassie, que dispensa apresentações (se você não sabe que é esse cara, clique aqui).
É possível ver o padrão de pisada em dois momentos distintos - durante a rodagem e em competição. No caso da última, foi quando ele novamente quebrou o recorde mundial da maratona e se tornou o primeiro atleta a fazer os 42.195 m abaixo de 2h04.
Haile corria para a escola todos os dias - senão me engano eram 10 km para ir e mais 10 km para voltar. Vejam que o tênis que ele calça, mesmo tendo drop e com relativo amortecimento, não influe de forma negativa no seu padrão de pisada. É possível ver como em nenhum momento ele usa o calcanhar para para iniciar o contato com o chão. O pé vem de fora para dentro pela lateral, começando com o antepé - um movimento de rolagem, semelhante ao executado quando corremos descalços. Mais um ponto para a Corrida Natural.
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Em um fórum de discussão sobre corrida descalça e tênis minimalista (este aqui) foi divulgado um vídeo com uma análise da técnica de corrida executada pelo etíope Haile Gebrselassie, que dispensa apresentações (se você não sabe que é esse cara, clique aqui).
É possível ver o padrão de pisada em dois momentos distintos - durante a rodagem e em competição. No caso da última, foi quando ele novamente quebrou o recorde mundial da maratona e se tornou o primeiro atleta a fazer os 42.195 m abaixo de 2h04.
Haile corria para a escola todos os dias - senão me engano eram 10 km para ir e mais 10 km para voltar. Vejam que o tênis que ele calça, mesmo tendo drop e com relativo amortecimento, não influe de forma negativa no seu padrão de pisada. É possível ver como em nenhum momento ele usa o calcanhar para para iniciar o contato com o chão. O pé vem de fora para dentro pela lateral, começando com o antepé - um movimento de rolagem, semelhante ao executado quando corremos descalços. Mais um ponto para a Corrida Natural.
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terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Valeu a pena ter ido ao Simpósio de Lesões na Corrida
[caption id="attachment_2449" align="alignleft" width="960"]
Alexandre Dias Lopes, um dos organizadores do Simpósio, durante sua palestra[/caption]
Foi muito bom ter ido ao Simpósio de Lesões na Corrida neste último sábado. Até escrevi um artigo para o Blog Últimas da revista Contra-Relógio sobre o que rolou por lá (clique aqui para ler).
Aqui vou deixar um "testemunho". Soube da realização do Simpósio através de um grande amigo e corredor rapidíssimo Edvaldo Bueno (vulgo Acerola). Ele me mandou uma mensagem pelo Facebook mais ou menos assim: "Serjão, dá uma olhada no site da FPA que vai rolar um Simpósio que tem assunto do seu interesse".
Fui ao site da Federação Paulista de Atletismo crente de que tratava-se de uma brincadeira dele. Achei o link para o Simpósio e tomei um susto. "Caramba, a Irene Davis no Brasil?", pensei comigo mesmo. Irene é fisioterapeuta com doutorado em biomecânica e atua como pesquisadora no Spaulding National Running Center, da Universidade de Harvard. Ela fez parte da equipe chefiada pela professor Daniel E. Lieberman que publicou o famoso trabalho que foi matéria de capa da edição de janeiro de 2010 da revista Nature. Nele foi levantada a hipótese de que correr descalço pode causar menos lesões do que correr com tênis de corrida tradicional, pois os corredores habitualmente descalços geravam uma força de reação menor em uma plataforma de força do que corredores com o padrão de pisada comumente usado — o que inicia pelo calcanhar.
Bom, nem preciso dizer que o trabalho e o artigo causaram um grande alvoroço tanto na indústria como também entre os corredores. No início houve muito ceticismo, mas como o estudo não foi contestado e as marcas de tênis não vieram a público mostrar trabalhos que mostrassem o contrário, o mercado de tênis minimalista foi crescendo e já ganhou corpo nos EUA e na Europa, até pela demanda dos próprios corredores. Aqui no Brasil a coisa ainda está engatinhando, mas vai indo, pois as grandes marcas já estão trazendo seus lançamentos mais recentes, sendo minimalistas ou reduzidos (vide New Balance, Asics, Nike, Saucony, Skechers e, em breve, Adidas).
Pois bem, entrei em contato com o SPRunIG (São Paulo Running Injury Group), que pertence à Universidade da Cidade de São Paulo (UNICID), para me apresentar, pedir credenciamento para o Simpósio e tentar marcar uma entrevista com a Irene Davis.
Me passaram o contato de um dos responsáveis pelo evento e professor do curso de mestrado em Fisioterapia da UNICID, Alexandre Dias Lopes. Liguei, me identifiquei e passamos horas conversando ao telefone. No bate-papo, descobri que Alexandre tem uma visão muito favorável à corrida natural e trocamos diversas informações sobre estudos, corridas, padrão de pisada e uma infinidade de outras coisas. A conversa foi tão boa, que ao desligar percebi que tinha esquecido de pedir o credenciamento para o Simpósio...
Resolvido o credenciamento, entrei em contato com a assessoria de imprensa da Universidade para marcar a entrevista com a Irene Davis. Fui ao Simpósio de carona com um casal de amigos de Jundiaí, o Max, que é um ótimo corredor e sua mulher, Andréa, educadora física. No Simpósio esbarrei em alguns conhecidos, como o fisioterapeuta Wesley Craveiro, que conheci em Brasília e com o treinador de Piracicaba Rodrigo Murakami. Também pude encontrar pessoalmente o José Eduardo Gonçalves, com quem tinha trocado algumas mensagens pelo Facebook antes do evento.
O Simpósio excedeu em muito as minhas expectativas. Por que? Porque fizeram algo para questionar convenções e por em dúvida o marketing ligado ao esporte. As palestras derrubaram vários conceitos que estão totalmente enraizados na cultura esportiva, não só dos praticantes de corrida, mas como também os treinadores e profissionais ligados à saúde e reabilitação, como fisioterapeutas e ortopedistas.
O alongamento, por exemplo, questionado pela Contra-Relógio desde 2006, foi alvo de debates acalorados, pois foi deixado claro que não há estudos que comprovem que alongamento previna lesões - e essa é a principal razão dada pelos profissionais de educação física aos seus alunos - a de que alongando o corredor estará menos suscetível à elas.
Foi questionado também o uso de meias de compressão e de palmilhas, por também não apresentarem estudos científicos que apoie o uso desses equipamentos.
A palestra de Matheus de Almeida, que falou sobre aspectos controversos nos tênis tradicionais de corrida, somada à excelente apresentação de Irene Davis, deixou claro que é necessário que as pessoas pensem seriamente em mudar seu padrão de pisada e a adoção de tênis menos estruturados pois ao usar o calcanhar como primeiro contato no chão, o corredor eleva o risco de lesões. Irene, que corre descalça, deixou claro que é necessário aprender a correr corretamente sem calçados antes de tentar os minimalistas e usa sua experiência clínica como exemplo.
Depois do almoço, entrevistei Irene, que é de uma simplicidade impressionante. A entrevista durou pouco menos de uma hora e quando desliguei o gravador, ela disse "Pronto? Agora me conte a sua história com a corrida descalça". E continuamos a conversa por mais meia-hora.
Entrei no auditório e a palestra de Alexandre Lopes já estava na metade, mas disse algo muito interessante. Segundo ele, as lesões são multifatoriais, ou seja, algo muito parecido com o que ouvimos sobre acidente de avião - que nunca acontece por um só motivo, mas uma somatória deles. E, para Alexandre, um dos fatores que contribuem para as lesões nos corredores é exatamente o padrão de pisada.
Ao final foi formado um painel de discussão de casos e fui convidado para apresentar algumas dos problemas relatados pelos leitores da CR na seção Medicina Esportiva. As questões são sempre respondidas por José Marques Neto, colaborador da revista de longa data e especialista na área, que aliás, estava presente e fez parte do painel.
Saí do Simpósio contente por ter decidido trilhar pelo caminho (cada vez mais) certo ao adotar os minimalistas e a corrida descalça em 2009. Evidências e pesquisas? Fora o que já apareceu até hoje (ainda pouco), a Irene me disse que tem um grande estudo para ser publicado e que eu vou gostar muito. E você? Já pensou em mudar?
Foi muito bom ter ido ao Simpósio de Lesões na Corrida neste último sábado. Até escrevi um artigo para o Blog Últimas da revista Contra-Relógio sobre o que rolou por lá (clique aqui para ler).
Aqui vou deixar um "testemunho". Soube da realização do Simpósio através de um grande amigo e corredor rapidíssimo Edvaldo Bueno (vulgo Acerola). Ele me mandou uma mensagem pelo Facebook mais ou menos assim: "Serjão, dá uma olhada no site da FPA que vai rolar um Simpósio que tem assunto do seu interesse".
Fui ao site da Federação Paulista de Atletismo crente de que tratava-se de uma brincadeira dele. Achei o link para o Simpósio e tomei um susto. "Caramba, a Irene Davis no Brasil?", pensei comigo mesmo. Irene é fisioterapeuta com doutorado em biomecânica e atua como pesquisadora no Spaulding National Running Center, da Universidade de Harvard. Ela fez parte da equipe chefiada pela professor Daniel E. Lieberman que publicou o famoso trabalho que foi matéria de capa da edição de janeiro de 2010 da revista Nature. Nele foi levantada a hipótese de que correr descalço pode causar menos lesões do que correr com tênis de corrida tradicional, pois os corredores habitualmente descalços geravam uma força de reação menor em uma plataforma de força do que corredores com o padrão de pisada comumente usado — o que inicia pelo calcanhar.
Bom, nem preciso dizer que o trabalho e o artigo causaram um grande alvoroço tanto na indústria como também entre os corredores. No início houve muito ceticismo, mas como o estudo não foi contestado e as marcas de tênis não vieram a público mostrar trabalhos que mostrassem o contrário, o mercado de tênis minimalista foi crescendo e já ganhou corpo nos EUA e na Europa, até pela demanda dos próprios corredores. Aqui no Brasil a coisa ainda está engatinhando, mas vai indo, pois as grandes marcas já estão trazendo seus lançamentos mais recentes, sendo minimalistas ou reduzidos (vide New Balance, Asics, Nike, Saucony, Skechers e, em breve, Adidas).
Pois bem, entrei em contato com o SPRunIG (São Paulo Running Injury Group), que pertence à Universidade da Cidade de São Paulo (UNICID), para me apresentar, pedir credenciamento para o Simpósio e tentar marcar uma entrevista com a Irene Davis.
Me passaram o contato de um dos responsáveis pelo evento e professor do curso de mestrado em Fisioterapia da UNICID, Alexandre Dias Lopes. Liguei, me identifiquei e passamos horas conversando ao telefone. No bate-papo, descobri que Alexandre tem uma visão muito favorável à corrida natural e trocamos diversas informações sobre estudos, corridas, padrão de pisada e uma infinidade de outras coisas. A conversa foi tão boa, que ao desligar percebi que tinha esquecido de pedir o credenciamento para o Simpósio...
Resolvido o credenciamento, entrei em contato com a assessoria de imprensa da Universidade para marcar a entrevista com a Irene Davis. Fui ao Simpósio de carona com um casal de amigos de Jundiaí, o Max, que é um ótimo corredor e sua mulher, Andréa, educadora física. No Simpósio esbarrei em alguns conhecidos, como o fisioterapeuta Wesley Craveiro, que conheci em Brasília e com o treinador de Piracicaba Rodrigo Murakami. Também pude encontrar pessoalmente o José Eduardo Gonçalves, com quem tinha trocado algumas mensagens pelo Facebook antes do evento.
O Simpósio excedeu em muito as minhas expectativas. Por que? Porque fizeram algo para questionar convenções e por em dúvida o marketing ligado ao esporte. As palestras derrubaram vários conceitos que estão totalmente enraizados na cultura esportiva, não só dos praticantes de corrida, mas como também os treinadores e profissionais ligados à saúde e reabilitação, como fisioterapeutas e ortopedistas.
O alongamento, por exemplo, questionado pela Contra-Relógio desde 2006, foi alvo de debates acalorados, pois foi deixado claro que não há estudos que comprovem que alongamento previna lesões - e essa é a principal razão dada pelos profissionais de educação física aos seus alunos - a de que alongando o corredor estará menos suscetível à elas.
Foi questionado também o uso de meias de compressão e de palmilhas, por também não apresentarem estudos científicos que apoie o uso desses equipamentos.
A palestra de Matheus de Almeida, que falou sobre aspectos controversos nos tênis tradicionais de corrida, somada à excelente apresentação de Irene Davis, deixou claro que é necessário que as pessoas pensem seriamente em mudar seu padrão de pisada e a adoção de tênis menos estruturados pois ao usar o calcanhar como primeiro contato no chão, o corredor eleva o risco de lesões. Irene, que corre descalça, deixou claro que é necessário aprender a correr corretamente sem calçados antes de tentar os minimalistas e usa sua experiência clínica como exemplo.
Depois do almoço, entrevistei Irene, que é de uma simplicidade impressionante. A entrevista durou pouco menos de uma hora e quando desliguei o gravador, ela disse "Pronto? Agora me conte a sua história com a corrida descalça". E continuamos a conversa por mais meia-hora.
Entrei no auditório e a palestra de Alexandre Lopes já estava na metade, mas disse algo muito interessante. Segundo ele, as lesões são multifatoriais, ou seja, algo muito parecido com o que ouvimos sobre acidente de avião - que nunca acontece por um só motivo, mas uma somatória deles. E, para Alexandre, um dos fatores que contribuem para as lesões nos corredores é exatamente o padrão de pisada.
Ao final foi formado um painel de discussão de casos e fui convidado para apresentar algumas dos problemas relatados pelos leitores da CR na seção Medicina Esportiva. As questões são sempre respondidas por José Marques Neto, colaborador da revista de longa data e especialista na área, que aliás, estava presente e fez parte do painel.
Saí do Simpósio contente por ter decidido trilhar pelo caminho (cada vez mais) certo ao adotar os minimalistas e a corrida descalça em 2009. Evidências e pesquisas? Fora o que já apareceu até hoje (ainda pouco), a Irene me disse que tem um grande estudo para ser publicado e que eu vou gostar muito. E você? Já pensou em mudar?
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