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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Por que o Nike Free não é drop zero?

Quem já leu "Nascidos para Correr", do jornalista Christopher McDougall conhece a história da criação do Nike Free. Resumidamente, alguns consultores da Nike foram à pista de atletismo da equipe da Universidade de Stanford, que treinava sob tutela de Vin Lananna (um dos técnicos mais vencedores da liga universitária americana), para assistir às práticas e colher feedback dos atletas em relação aos produtos da empresa.

Terminado o treino, todos os atletas tiraram seus tênis/sapatilhas e foram para a parte interna da pista e fizeram o trote de desaquecimento descalços na grama.

Os consultores da Nike, que patrocinam o time de Stanford, perguntaram meio sem graça "O que acontece? Não mandamos tênis o suficiente para vocês?". A resposta de Vin Lananna foi mais ou menos o seguinte: "Não tenho como provar isso, mas eu acredito que quando meus atletas fazem isso, eles correm mais rápido e se lesionam menos". O consultores levaram essa conversa para os headquarters da Nike, que acabou criando o Free.

Aliás, esse história de atletas correrem descalços na grama após os treinos de qualidade é coisa muito antiga e tradicional entre a elite. Meu técnico, Wanderley de Oliveira me falou que todos faziam isso na Europa nos anos 1980. O fotógrafo Tião Moreira, que já foi um tremendo corredor, me falava que o técnico dele também mandava todo mundo tirar o tênis e correr descalço na grama para eliminar a energia "estática".

Mas então por que o Free nunca teve uma versão drop zero? Simples. Todos os estudos de biomecânica feitos para o desenvolvimento do tênis foram feitos com pessoas correndo descalças na grama. A grama é um terreno macio e ameniza o impacto causado pela pisada que começa pelo calcanhar. Portanto, quem usa o calcanhar para iniciar a pisada e corre descalço na grama, dificilmente muda esse padrão de pisada. Só para ser mais exato, drop zero é quando o tênis não tem diferença de altura entre o calcanhar e a frente dos tênis.

De qualquer forma o grau de dorsiflexão do tornozelo é menor, como se vê na foto, mas a pisada não começa com o antepé. (Leia a brochura completa da época de lançamento do Nike Free clicando aqui)

Free

É por isso que não se cogitou tirar totalmente o salto do tênis. A única coisa que me intriga é por que os estudos não foram feitos com outras superfícies? De qualquer forma, o Free foi o primeiro tênis que foi feito pensando no funcionamento adequado do pé e foi feito à frente de seu tempo e quando foi lançado, em 2004, foi pouco compreendido. A própria Nike morria de medo que as pessoas se machucassem usando o tênis, tanto que recomendava que as pessoas o usasse apenas para fortalecer os pés e que não que fosse usado com muita frequência. Eu lembro que a caixa do Free vinha até com um plano de treinamento para que o uso do modelo fosse gradual.

O Free influenciou muitos minimalistas que vemos hoje em dia como as características de flexibilidade, segmentação do solado e forma larga. Até os modelos convencionais da Nike tem algo do dele.

A única coisa que não posso entender é o por que a Nike não dá um passo adiante nesse história de minimalismo e lança um Free drop zero. Penso aqui com os meus botões, que no momento em que ela fizer isso e usar a sua "fabulosa máquina de marketing", acho que a mesa vira de vez para o lado dos minimalistas de verdade. Isso se é que ela não anda preparando algo para o futuro. Será?

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Falando sobre tênis minimalistas e corrida descalça na TV

O amigo e jornalista Gustavo Maia me chamou para gravar um papo sobre tênis minimalistas e corrida descalça na primeira edição do Fôlego 25, programa sobre corrida e qualidade de vida do canal local da NET, em Jundiaí, onde moro.

É sempre bom ter a oportunidade de falar sobre esse assunto. E além do mais,  estar no mesmo programa que tem uma entrevista com o "meu primo", Solonei Rocha, é uma tremenda honra.

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Para ser minimalista, o tênis TEM que ser minimalista

Vira e mexe e me meto em discussões sobre tênis minimalista, ou mínimos, com chamamos aqui na Contra-Relógio. E foi por causa de um bate-papo que tive com o amigo Kléber Corrêa lá no Facebook que decidi escrever este post.

O que tem acontecido é que há muito desconhecimento e achismo no que tange os tais tênis minimalistas. E para piorar,  algumas marcas estão adotando alguns princípios de tênis mínimos e aí, falam que o tênis é minimalista, aumentando a confusão.

Vamos lá. O que seria um tênis minimalista? Tênis minimalista é aquele que simula a corrida descalça. Portanto, o ideal seria um modelo que não interfira em nada o modo natural de se correr. Seu pé tem que se sentir livre, como se não estivese usando nada. O solado tem que ser fino e sem amortecimento para que você possa perceber as diferenças do piso por onde você passa. Um dos fatores mais importantes é não ter diferença de altura entre o calcanhar e a frente dos pés, ou seja, sem salto, para que o corredor fique desde o início da corrida na postura correta e não com o corpo projetado para a frente.

Aqui vai um resumo das características que um tênis minimalista deve ter:

1) Tem que ser "Drop zero", ou seja, não pode haver diferença entre a altura do calcanhar e a frente dos pés

2) Flexibilidade. O tênis deve ser flexível ao ponto de poder "enrolar" ele com a mão.

3) Forma larga. Principalmente na parte da frente dos pés. É lá que os dedos do corredor podem se mexer livremente.

4) Quase nada ou nenhum amortecimento. Por que descalço você não tem proteção nenhuma, então se tiver, que seja apenas um proteção.

5) Não ter suporte medial. O arco dos pés tem que se movimentar livremente.

Não fui eu que inventei esses conceitos. Eles foram elaborados por corredores descalços que em geral são as pessoas as quais as marcas tem recorrido para testar ou ajudar no desenvolvimento de modelos específicos para esse novo nicho de mercado.

Exemplos de tênis:

Tênis mínimos de verdade que são possíveis comprar no Brasil: Vibram Five Fingers, Saucony Hattori (muito em breve nas lojas), New Balance Mininus Trail (as versões novas virão drop zero)

Exemplo de tênis que tem algumas características de minimalistas: Nike Free Run, Saucony Kinvara, Asics Blur 33, Skechers Go Run (também em breve nas lojas).

Tênis de competição não são minimalistas. Apesar de terem pouco amortecimento, grande maioria tem a forma estreita e muitos tem suporte medial. Mas, sem dúvida estão quase lá.

Muitas das grandes marcas estão desenvolvendo tênis mínimos ou quase e a confusão vai aumentar. O importante é sabermos nos informar e não sermos influenciado facilmente pelo marketing.