segunda-feira, 30 de julho de 2012

Convite, diversão, política e recorde pessoal em Piracicaba



Já era a segunda vez que o Augusto Verrengia, das camisetas Vamos Correndo me convidava para correr em sua cidade. "Sérgio, é uma corrida de uma parceira minha, a Gaia Esportes. Seria muito legal se você viesse", disse. Topei. À princípio eu correria a Golden 4 Asics do Rio, mas o bom resultado que obti na Meia das Cataratas no início do mês e o bolso meio que vazio me fez mudar de planos.

Piracicaba fica distante uma hora de Jundiaí, onde moro. A corrida, realizada ontem, dia 29/7, começaria às 8:30, portanto, bastava sair de casa às 6:30 para chegar lá com folga. Dito e feito - estacionei o carro próximo à largada às 7:30. Telefonei para o Augusto e me econtrei com ele, sua mulher, Rossana e o seu filho, Gu (na foto, tirada por Rossana - da esq. para a dir.: eu, Augusto e Gu).

Batemos um papo e oAugusto me presenteou com uma camiseta. Fui até meu carro para pegar minha carteira para retirar o kit e decidi que vestir o presente. Encontrei com Verrengia, que logicamente ficou feliz em me ver com a nova vestimenta. "De repente pode dar sorte", eu disse. "Deu sorte para o Vicent", ele respondeu (clique aqui).

A 7ª Corrida Cidade de Piracicaba foi realizada no Distrito Industrial da cidade, o que facilitou o controle do trânsito, que é quase inexistente no local durante o final de semana. A corrida era tradicionamente organizada pelo clube de corredores de Piracicaba, mas este ano, como não tinham mais condições financeiras de bancar o evento, o mesmo foi adotado pela Gaia Esportes.

Início do momento político (pule para o final do momento político se não quiser ler a cornetada nas prefeituras que pouco incentivam e dificultam a realização de provas pedestres nos municípios)

A diretora-técnica da corrida, Gabi Pacífico, me disse que ao escolherem o Distrito Industrial optaram por ter menos problemas com a prefeitura da cidade que é daquelas que não abraça esse tipo de evento esportivo. Eu entendo bem desse problema , que é, na verdade, político. A cidade está sob o governo do mesmo partido anos a fio, a mentalidade da prefeitura é antiga e não consegue perceber os benefícios que a cidade colhe com as corridas.

É uma equação fácil: incentiva a pratica de esportes entre a população, diminui a ocorrência de doenças ligadas ao sedentarismo, dá-se exemplo para crianças ao verem seus pais ou conhecidos fazendo exercícios, promove a ocupação de hotéis em períodos de baixa estação, aumenta a circulação nos restaurantes, ou seja, o governo economiza recursos e, com isso, consegue investir mais em educação e saúde. Por fim, ainda promove o setor de serviços da cidade.

Mas alguns políticos não vêem dessa maneira - eles acham que a corrida só traz prejuízos porque tem que ceder funcionários da engenharia de trânsito na data, tem que fazer reuniões, definir percursos, acham que prejudicam a circulação dos carros e que travar o trânsito da cidade - durante 4 horas de um domingo é um absurdo. Ou seja, dá trabalho. Isso acontece em Piracicaba, na minha cidade, Jundiaí e em outras praças.

Bom é saber que nem todos os municípios tem esse problema. Centenas de outros fazem melhor e incentivam a realizações de corridas. Em uma analogia, nessas cidades, a prefeitura tem a mesma mentalidade das empresas modernas: funcionário que pratica exercícios fica menos doente e trabalha melhor. Para a municipalidade, cidadão que se exercita é um cidadão que fica menos doente e vive melhor.

Final do momente político deste blog. Estamos de volta à programação normal.

A prova ainda é pequena, com cerca de 350 corredores participando, mas a hidratação foi ótima, com 3 postos de abastecimento no circuito, que era de 5 km (duas voltas para os 10 km, obviamente) e contava até com chip descartável. O percurso era basicamente plano até o km 3,5 onde os corredores se deparavam  com uma forte subida de cerca de 200 metros.

Dessa vez decidi fazer a prova no controle de esforço e deixei o GPS em casa. Como todos sabem, se você quer fazer um bom resultado nos 10 km, a prova tem que ser desconfortável o tempo todo, ou seja, "faca nos dentes". Me posicionei bem na largada e já pude correr no ritmo desde o princípio. No km 3, olhei meu relógio-cronômetro, vi que estava correndo bem e me preparei para a subida, que por certo iria tirar bons segundos do tempo final da prova.

Quando tinha conversado com o meu técnico, Wanderlei de Oliveira, sobre a prova, ele me disse: "Se tiver subidas, faça sub-45 minutos, se for plana, tente sub-43." Como tinha uma "senhora" subida, sabia que sub 43 estava fora de cogitação. A subida era realmente dura e demorava alguns metros após o final dela para conseguir voltar a correr no ritmo.

Passei o pórtico dos 5 km com 21:45. "Legal", pensei. "Se conseguir manter, descolo um sub-44." A segunda volta do percurso já estava mais vazia, pois a maioria dos corredores preferiu percorrer a distância menor. Quando me aproximava pela segunda vez da subida encostei em um rapaz que estava na minha frente o tempo todo, mas com o ritmo caindo. "Vambora, vambora", disse acenando com a mão. Ele apertou o ritmo e me seguiu até a maldita subida, momento em que chegamos em uma garota que estava na nossa frente.

Subi junto com a menina, que corria forte, mas estava lutando para continuar correndo naquele ritmo. "Vamos lá", eu disse. "Não deixa eu ganhar de você", brinquei. Ela sorriu. "Pode ir, obrigada", respondeu. Quando apontei na reta final, com cerca de 200 metros para a chegada, ouço o locutor oficial do evento anunciar: "Lá vem a primeira mulher dos 10 km." Opa, Eu? Estou tão feminino assim?! Então a galera começa a gritar "Vai, Bruna!" Ufa, não era comigo e, sim, com a garota que eu tinha deixado para trás....

Acelerei e passei debaixo do pórtico parando o cronômetro que marcava 43:33 - 1 minuto e 11 segundos mais rápido que o meu melhor tempo nos 10 km até então, obtido há 4 anos atrás.

Não é que a camiseta do Augusto deu sorte mesmo?

Para coroar o recorde mundial pessoal, ainda subi no pódio como terceiro colocado da categoria 40-49! Nunca havia subido no pódio antes. Isso são coisas que só a pequenas provas podem proporcionar para caras do bloco intermediário como eu.

Obrigado pelo convite, Augusto. Valeu muito a pena!

Ah! Antes que alguém pergunte nos comentários, eu corri com um Vibram Five Fingers KSO, o mesmo que usei em Foz do Iguaçu. Sim, continuo correndo descalço nos treinos, mas cada vez mais chego à conclusão que é melhor competir com alguma proteção nos pés para me concentrar apenas na velocidade e na prova em si.

sábado, 28 de julho de 2012

Da educação das pessoas

09:40 da manhã do sábado.

Estava eu no final de um treino de 10 km, quando entrei em uma rua que recentemente virou mão única. Na esquina, uma moto titubeia e entra na contramão.

Aviso: "É contramão!".

O motoqueiro resmunga: "EU SEI!".

Então, digo: "Se sabe, não entre".

Ele foi enfático: "VTNC!" e outros impropérios.

Eu paro, estupefato e penso: "Aviso que é contramão e recebo um xingamento em troca?"

A moto para e faz meia-volta. Eu corro em direção ao veículo e digo: "Pô, precisava xingar?"

O rapaz continua: "VTNC, VTNC!".

E então, tomo a decisão mais drástica e passo a seguir a moto dizendo: "Bom, se é para xingar, por que você não xinga mais alto? Ninguém está escutando..."

Ele olha para trás e continua com os xingamentos.

E então, um transeunte grita: "Para com isso, boca suja!".

Uma dona de uma casa diz: "O que é isso menino? Que falta de educação!"

O motoqueiro acelera, meio que embaraçado com a situação e some, dessa vez na mão correta. Recebo o apoio dos populares. "Que absurdo", diz uma senhora. "Você está certo, se xingasse de volta não teria graça para ele", completa.

Eu? Fui embora para o meu último quilômetro rindo da situação kafkiana.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Quando não ouvir o seu técnico

Todos nós sabemos que temos dias e dias quando vamos competir e treinar. O colega de blog André Savazoni já escreveu sobre isso em um de seus posts.

Ontem, na Meia-Maratana das Cataratas, aconteceu comigo. Desde o início do ano venho tentando bater minha marca pessoal de meia-maratona. Na verdade o que eu queria mesmo era quebrar a barreira de 1h40. Corri duas meias em 2012 e quebrei nas duas tentativas – uma na Meia de São Paulo e outra na Golden 4 Asics de BH.

O meu técnico, Wanderlei de Oliveira tinha me orientado a fazer 4:53 min/km, o que predizia um resultado de 1h43 para então, sentar a moringa na Golden 4 Asics Rio para fazer sub 1h40. Ele também tinha pedido tal ritmo pois sabia que o percurso de Foz, apesar de rápido e ondulado e agora tinha duas fortes subidas.

Por estar trabalhando na prova, pude ter o privilégio de largar logo atrás dos atletas de elite e decidi ser conservador no primeiro km. Em geral fico sempre “ligado” no ritmo que estou fazendo na prova, deixando o visor do meu Garmin com o ritmo instantâneo, ritmo médio do km, ritmo médio total e o ritmo em que fechei o último km. Dessa vez, decidi deixar simplesmente o tempo total e a quilometragem, pois talvez dessa maneira poderia me sentir menos pressionado.

No km 3, quando parei de sofrer com o frio de 4 graus que fazia com que as “costas” das minhas mãos
ficassem doloridas, já tinha notado que já estava no ritmo programado pelo Wanderlei e o “problema” é que estava me sentindo bem. Sei que temos que ter cuidado com esse “estou me sentindo bem, acho que vou apertar o ritmo”, mas não conseguia me segurar. Para fazer abaixo de 1h40, é necessário fazer um ritmo médio de 4:45 min/km, o que significa passar os 10 km com 47:30. Passei com 47:50 e vi que talvez conseguisse o tão almejado tempo.

Do km 11 em diante, 2 km depois do retorno da prova (o percurso é de ida e volta, mas a largada fica 2 km adiante da chegada), um sujeito passou a correr do meu lado e nos fizemos companhia por cerca de 5 km forçando o ritmo. Foi no km 15, depois de tomar o isotônico fornecido pela organização foi que espiei pela primeira vez o GPS que já marcava 4:45 min/km de ritmo médio. Mas quem usa GPS, sabe que isso é falso. O GPS sempre apitava a passagem dos kms com certa antecedência, então para acreditar que conseguiria os 4:45 min/km, teria que fazer 4:43 min/km no Garmin para garantir o resultado real.

Já no km 18, vi que o sub era inevitável, e que era só manter o ritmo e não quebrar. Nesse instante, passa por mim um corredor da equipe dos Bombeiros do Paraná (que aliás, foram homenageados por seu centenário) e diz: “Somos dois!” e aponta para o seu Vibram Five Fingers.

Continuei em frente sabendo que os 800 metros finais da Meia de Foz eram em forte subida – só que antes dela, havia uma longa descida em que aproveitei para correr o mais rápido possível a fim de compensar o ritmo mais lento que teria nos finalmentes dos 21 km.

Foi ótimo avistar o pórtico de chegada, olhar o relógio e ver que tinha acabado de virar de 1:38 para 1:39. Acelerei e bati o cronômetro com 1:39:53 (no resultado final ficou 1:39:54).

Era realmente o meu dia. Sei que ainda estou curtindo o rebote fisiológico da Maratona de Porto Alegre, que mudei minha alimentação (papo para outro post) e que por isso emagreci 3 quilos. Tudo isso contribuiu para que eu batesse meu recorde mundial pessoal de Meia-Maratona e rompesse a barreira mental dos 1h40, que vinha me incomodando. Mas é óbvio, que sem o treinamento adequado não chegaria a lugar nenhum.

Ao Wanderlei, mandei a seguinte mensagem: “Chefe, não consegui fazer o programado. Me desculpe – Fiz 1:39:53!!! Obrigado!”.

Tem vezes em que temos que não escutar o nosso técnico, contato que façamos mais rápido do que ele(a) pediu. Ainda bem que deu certo!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Minimalistas: Skechers está quase chegando lá

A Skechers foi um ponto além no desenvolvimento de seus tênis e ficando cada vez mais próximo do que seria um modelo minimalista por definição.

O primeiro passo nessa direção foi feito com o Go Run, modelo usado pelo maratonista norte-americano Meb Keflezighi e também pelo editor-assistente e vizinho de blog André Savazoni.

Agora a marca americana vai apresentar um modelo aprimorado em que as peças do solado interagem de forma independentes ao contato com o chão, além de ser drop zero, ou seja, não há diferença de altura entre o calcanhar e a frente dos pés.

O tênis será lançado no Brasil apenas no primeiro semestre do ano que vem, mas a marca soltou esse vídeo de apresentação do Go Bionic. Apesar de ter mais amortecimento do que eu considero como ideal, o modelo parece ser bem interessante.

SKECHERS GObionic QR from SKECHERS USA on Vimeo.



Leia aqui um review do Go Bionic feita por Peter Larson, do site RunBlogger (em inglês)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A corrida descalça e a curiosidade científica



A comunidade científica/esportiva adora o tema "correr descalço". Porém, ao invés de tentar entender o porquê de correr descalço gerar menos impacto nas articulações, parece que a diversão atual de parte desse pessoal é pegar argumentos dos descalços e produzir estudos para tentar derrubá-los. Tudo bem, isso faz parte do jogo.

Já tivemos aquele em que disseram que correr com um tênis de 150 gramas é mais vantajoso do ponto de vista metabólico do que correr descalço (leia aqui). Daí você tem acesso ao estudo e vê que o "descalço" era correr de meias antiderrapantes em uma esteira. Descalço é descalço e acabou. Estar de meias não é estar descalço.

Hoje, o amigo Cássio Politi me mandou o seguinte tuíte: "@Sergio_CR Viu isso? O estudo diz que barefoot não fortalece os pés. Difícil de engolir, não? http://bit.ly/MvxIaM". Fui lá ler. É o blog Sweat Science, do Alex Hutchinson, que leio com frequencia. Lá ele fala sobre o estudo apresentado por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, EUA, no último congresso da Faculdade Americana de Medicina Esportiva, dia 31 de maio.

O título é "Magnetic Resonance Analysis of Intrinsic Foot Musculature during Running in Shod and Barefoot Conditions" (ou, "Análise de resonancia magnética da musculatura intrínseca do pé durante a corrida com tênis e descalço"). A intenção dos pesquisadores era ver se havia diferença na ativação dos músculos dos pés com as duas condições. Pegaram quatro corredores (isso mesmo, apenas quatro) e fizeram uma ressonância magnética no pé direito de cada um deles. Então, os quatro corriam uma milha (isso mesmo, apenas uma milha, ou 1,609 km) descalços na esteria e a ressonância era feita novamente. 48 horas depois, repetiam a experiência com os corredores usando tênis.

Conclusão dos pequisadores: correr uma milha na esteira não resulta em ativação significativa dos músculos intrínsecos dos pés (jura? ah, vá!). Correr descalço não resulta em ativação maior desses músculos comparativamente à correr com tênis. Isso sugere que correr descalço talvez (isso mesmo, talvez) não resulte em fortalecimento dos músculos intrínsecos dos pés."

Para começo de conversa, existem várias maneiras medir o esforço da musculatura durante qualquer tipo exercício. Já vi fazerem isso em laboratórios de biomecânica. Colocam-se eletrôdos nos pés e se consegue ver quanto calor tal ponto está produzindo, portanto, acionamento da musculatura (se algum expert do assunto estiver lendo, por favor me corrija). Agora por que foram medir antes e depois de correr? Método científico? Sei lá! E tem mais, 1,6 km? Não dá tempo nem de aquecer o corpo, companheiro!

No final das contas, eu acho isso tudo divertido: ver parte da comunidade científica pesquisando o assunto e olhando de forma errada. São os cientístas que tem que ver as coisas "por fora da caixa". Até porque eu, na minha insignificancia, não consigo provar que correr descalço deixa o meu pé mais forte ou não. Para mim, já está provado que correr com a técnica da corrida descalça resulta em menos impacto na corrida. Eu sinto isso, literalmente na pele. São mais de dois anos sem me lesionar.

A técnica da corrida descalça, ou técnica natural, pode ser praticada com qualquer tênis (vide o amigo e fisioterapeuta David Homsi, que mesmo usando um tênis "tradicional" corre começando a pisada com o antepé). É lógico que com um tênis com o calcanhar elevado e muito "amortecimento", isso fica muito mais difícil de ser feito. Eu mesmo não corro exclusivamente descalço.

Bom mesmo é saber que há cientistas que não procuram simplesmente tentar derrubar os argumentos dos descalços/minimalistas, e que há muitos estudos rolando por aí sobre esse assunto, inclusive no Brasil, e teremos muito assunto e estudos para discutir futuramente.

Mas, por favor, meus caros colegas do mundo acadêmico, apresentar um trabalho feito com apenas quatro corredores, correndo apenas uma milha? Faça-me o favor! Me poupe!

domingo, 17 de junho de 2012

Técnica é fundamental

Quando comecei meus experimentos com os tênis minimalistas há 2 anos e meio, minha primeira escolha foi o Vibram Five Fingers. No início, abusei e fiz o que o pessoal no exterior chama de TMTS (Too much, too soon - fazer demais, cedo demais), ou seja, já saí correndo 8 km de cara e minhas panturrilhas gritavam no dia seguinte. Moderei e fui me acertando.

Depois de um certo tempo, comecei a ter uma tal de TOFP (Top of the foot pain), uma dor aguda no peito do pé - fruto de técnica incorreta. Só quando decidi tirar o Five Fingers e começar a correr descalço eventualmente, foi que entendi o que estava fazendo de errado. Minha cadência (quantidade de vezes em que o pé toca no chão durante a corrida, medida em passos por segundo) estava abaixo de 180 e ainda pousava os pés um pouco à frente do meu centro de gravidade.

Fui acertando a técnica correndo ora com as sandálias do tipo huarache, ora descalço e fui aprimorando o jeito de correr. De vez em quando corria com o Vibram e não dava certo. Apareciam certas dores e passei a me distanciar deles. Até criei minha própria teoria da conspiração: separar os dedos dos pés não é natural. Até faz sentido. Acho que tirando o dedão, rola uma certa conversa entre os dedos, do tipo: "Escuta, acabei de encostar no chão, e você?", e o mindinho responde: "Eu já saí do chão" e assim por diante.

Correndo descalço e com as huaraches os dedos ficam livres para se esticarem e se mexerem sem interferencia alguma. Portanto, os VFF eram vilões. Meses passaram e quando fui correr a Tribuna, em Santos, decidi dar outra chance às luvas dos pés. Deu certo. Na verdade, deu mais certo do que eu pensava. Na verdade, foi ótimo.

Ontem, antes de começar a Maratona de São Paulo (que acompanhei pela TV, pois tinha festa junina da escola dos meus filhos*), calcei os VFF e fiz um excelente treino de 15 km. Minha teoria da conspiração era uma fraude. Se tem alguma conversa entre os dedos dos pés eu realmente não sei, mas cheguei à conclusão de que o que importa é realmente a técnica da corrida. Se ela não é boa, não importa o que você está calçando - você terá problemas. Com os tênis minimalistas, isso é fundamental.

Foi por isso que escrevi a matéria que está na edição deste mês da Contra-Relógio - "Adapte-se aos tênis minimalistas", em que faço um pequeno guia para aqueles que desejam correr com os tênis mínimos não cometam erros que eu cometi e que possam colher bons frutos e uma corrida com uma técnica mais "limpa", ou como nós que corremos descalços chamamos: com uma técnica natural.

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* Lógico que depois do treino acompanhei a MSP e fiquei emocionado com a vitória do Solonei. Por tudo que esse cara passou nos últimos meses, vejo a conquista em São Paulo como uma volta por cima e a retomada da confiança que ele tanto precisa. Vamos ver o que ele vai aprontar na Maratona de Nova York, onde tem presença já confirmada. Parabéns, Solis!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Adidas e Nike com um pezinho no minimalismo

Se existe algum tênis que a Nike pode chamar de minimalista, este é o Nike Free 3.0.


Não confunda com o Nike Free Run 3, que é 5.0. Essas graduações - 3.0, 5.0, 7.0 etc - foram inventadas pela marca quando desenvolveram a plataforma Free. A idéia era graduar o quanto se fica perto do chão, portanto, quanto menor a graduação, mais, digamos assim, "descalço".

O Free tem algumas características de tênis minimalistas como a forma larga e a flexibilidade extrema. Na verdade, pode-se dizer que foi a Nike que começou com essa história de tênis que fazem com que você corra como se estivesse descalço - isso em 2004. Mas o problema, a meu ver, foi permanecer com amortecimento alto e não terem zerado o "drop" (diferença de altura entre o calcanhar e a frente dos pés). No caso, o 3.o tem um drop de 4 mm e o 5.o tem 7.2 mm. E é por isso que não considero os Free minimalistas, mas o 3.0 está quase lá.

A marca reconhece que não conseguiu "trabalhar" bem o marketing da novidade à época (2004), tanto que os Free(s) tiveram vida muito curta aqui no Brasil e o 3.0 nunca havia chegado por aqui. Com essa nova demanda por tênis mais livres (desculpe-me o trocadilho),  a Nike voltou para a prancheta para colocar os Free no forno com o mesmo conceito original, mas com o cabedal adotando as tecnologias mais recentes da marca, como colagens a laser e tecidos mais "inteligentes".

O que realmente diferencia o 3.0 é o desenho do solado, em que os sulcos de flexibilidade acompanham melhor a anatomia dos pés. Antes que alguém pergunte, sim, o tênis da foto é a versão feminina.



Quando colocar as mãos, quero dizer, os pés em um Free 3.0, passo minhas impressões para vocês.

Ah! Ele custa R$ 330 e o pesa 200 gramas (BR 42).



ADIDAS. Foi divulgado  no site Minimalist Running Shoe os novos tênis da coleção Adipure que serão lançados no segundo semestre nos EUA.

A marca alemã decidiu apostar na transição do "drop" a partir de três modelos de tênis. O primeiro é o Motion, que tem 11 mm de drop, depois vem oGazelle, com 7 mm e finalmente o Adapt, com 4 mm - mesmo drop do Free 3.0 da Nike.

É claro que o que mais me atrai é o Adapt, que apesar de não ser drop zero, tem um cabedal que mais parece uma meia e foi muito elogiado pelo site, pois é feito de um tecido elástico (ele está presente nos três modelos). Aliás, por que não fizeram um modelo sem drop nenhum? Podia ser uma mescla dos nomes da marca Adipure Adizero...

No Brasil? Sem previsão ainda.