Ninguém melhor do que Christopher McDougall, autor do livro "Nascido para Correr" para falar quem foi Caballo Blanco. O livro não só mudou a forma de ser ver a corrida, mas também na forma de correr de milhares de corredores mundo afora. A indústria de running também teve que se mexer para se adequar a onda dos tênis minimalistas, que teve um enorme demanda de consumidores influênciados pelo livro. Se Mcdougall não tivesse encontrado Caballo Blanco, o livro poderia nunca ter sido escrito.
Tomei a liberdade de fazer uma tradução livre do artigo publicado originalmente da revista da BBC e reproduzido no Blog de McDougall:
"A coisa mais misteriosa sobre o desaparecimento de Micah True – mais conhecido como Caballo Blanco, o White Horse das montanhas de Sierra Madre - na semana passada, foi que dessa vez, ele sabia onde estava.
Ele não estava abrindo com um facão uma nova trilha no interior do México ao saber que um bandido estava aguardando por ele na antiga.
Ele não tinha partido ao amanhecer para correr durante o dia todo através dos Copper Canyons no México para visitar as casas escondidas dos seus amigos reclusos, o índios tarahumara. Ele não estava fazendo barulho através do deserto do Mojave em uma caminhonete anciã, tentando conseguir alguns meses a mais de comida como um se fosse um carreto.
Ao invés disso, ele colocou água na vasilha do seu cachorro, disse a um amigo que voltaria antes do almoço, trotou por 5 km na estrada em direção a um ótimo parque em Gila, Novo México – e desapareceu.
As notícias chegaram na última terça. Nas primeiras luzes da manhã da sexta, amigos e fãs de Cavallo que dirigiram a noite toda para chegar lá, se reuniram e montaram times de busca e resgate. Entre eles, campeões de ultra-distâncias, como Kyle Skaggs e Scott Jurek, o recordista americano das 24 horas. O ator Peter Sarsgaard também chegaria logo.
Eu estava a 1.200 km de lá quando soube, mas havia tanta gente indo, que demorei duas ligações e 10 minutos para conseguir uma carona. Fui com Luis Escobar, fotógrafo e diretor de corrida, o mesmo que conheci quando fomos em busca de Cavallo há seis anos atrás.
A primeira vez que ouvi falar em Caballo Blanco foi em 2005, quando eu tentava aprender o segredo dos Tarahumara, que chamam a si mesmos de 'povo-corredor'. Por centenas de anos, histórias fantásticas sobre sua velocidade e resistência saíram dos Copper Canyons, localizados no nordeste mexicano, e em raras ocasiões, os próprios tarahumaras.
Em 1993, um corredor tarahumara de 55 anos, usando uma sandália caseira e sua vestimenta nativa, apareceu na linha de largada da Leadville Trail 100 (milhas) – uma corrida dificílima através das montanhas rochosas equivalente a 4 maratonas – e derrotou um field internacional de ultra-corredores de elite. No ano seguinte, outro tarahumara estilhaçou o recorde da prova. E então, eles voltaram para os canyons para nunca mais voltar.
Se você estudar o vídeo da corrida de 1994, verá uma figura esquálida correndo passo-a-passo com um corredor tarahumara. Ele está lá por um instante e sai para o lado pouco antes da chegada e desaparece na multidão.
Descobri que ele era um ex-boxeador profissional que estava se recuperando de um coração partido a partir do uso de longas e perambulantes corridas nas trilhas do Colorado. Quando os tarahumara precisaram de alguém para guiá-los nas últimas 50 milhas da corrida, ele se candidatou.
Algo sobre aquela noite – sobre a experiência de deslizar silenciosamente no escuro ao lado de um estranho de outro século – deve ter ter afetado Caballo profundamente, porque logo após os tarahumara irem embora, Michael Randall Hickman foi atrás deles.
Ele renasceria – primeiramente como Micah True, se auto-nomeando buscador da sabedoria ancestral, e depois, para entreter as crianças tarahumaras com seus gritos e batidas no chão, como Caballo Blanco.
Quando consegui localizá-lo, ele já estava há quase 15 anos vivendo entre os tarahumara. O segredo deles, me contou, era simples – os tarahumaras lembram que os humanos são criaturas em movimento constante, e se nós esquecermos que sobrevivemos e prosperamos pela maior parte de nossa existência como corredores de longas distâncias, iremos sofrer as mesmas consequências de qualquer outro animal engaiolado – doenças, alterações de humor, distúrbios alimentares e tristeza profunda.
Os tarahumara não são mais inteligentes que nós. Eles só tem mais memória.
Aprenda a fina arte de correr, Caballo me disse, e você pode mudar a sua vida.
'Não lute contra a trilha. Use o que ela te oferece', disse. 'Lição dois – pense fácil, leve, suave e rápido. Você começa com o fácil, porque se é tudo o que você consegue, já não é tão ruim. Então trabalhe no leve. Faça sem esforço, como se você não se importasse se rampa é muito alta ou o quão longe você tem que ir.'
'Quando tiver praticado isso a ponto de ter esquecido que você estava praticando, trabalhe em ser suave. Você não precisa se preocupar com a última lição. Quando você tiver aprendido as três primeiras, você será rápido.'
O sonho de Caballo era fazer com que o resto no mundo soubesse que havia uma sabedoria ancestral que valia a pena proteger lá nos canyons, e seu método seria criar um festival de corrida de múltiplos dias no coração do território tarahumara.
Nove meses depois de Caballo me mostrar com mudar minha técnica, fui capaz de retornar aos Copper Canyons em 2006 com ases da corrida, como Scott Jurek e Luis Escobar, para as Ultramaratona 50 milhas de Caballo Blanco. Desde então, a corrida cresceu acima até da expectativa mais louca de Caballo – este ano, no dia 4 de março, mais de 400 tarahumara e quase 100 corredores de fora participaram, incluindo German Silva, bicampeão da Maratona de Nova York [1994-95].
'Nunca o vi tão feliz', me disse Will Harlan, um dos amigos de Caballo. 'Ele parecia estar muito tranquilo e centrado mesmo ao ver um número recorde de tarahumaras indo para Urique para participar da corrida.'
Três semanas depois, Caballo já estava indo do México ao Arizona para visitar sua namorada que, como eu, Sarsgaard e outros milhares, tinha se transformado com sua mensagem. No caminho, ele parou na Pousada Gila Wilderness no Novo México, um lugar que já tinha visitado diversas vezes.
Na segunda-feira, ele saiu para uma corrida de 6 horas com Guadajuko, um vira-lata mexicano que ele havia adotado e batizado como 'o cão fantasma'. Na terça, ele decidiu fazer um treino rápido de 20 km antes de pegar a estrada. As patas de Guadajuko ainda estavam doloridas, então Caballo o deixou na varanda e disse ao zelador da pousada que ele voltaria em duas horas.
Cinco dias depois ele foi finalmente encontrado ao lado de um riacho relativamente próximo da pousada. Sua morte ainda é um mistério. Mas um dos corredore que o econtraram disse que Caballo parecia tranquilo – como se ele tivesse parado para tirar uma soneca após uma longa e gloriosa perambulada através da mata, e nunca mais acordou."
Descanse em paz, Caballo.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
quarta-feira, 7 de março de 2012
Aprenda os princípios da corrida descalça com o Dr. Mark
O médico Mark Cucuzzella é o diretor executivo do Natural Running Center, site que se dedica a propagar a corrida descalça e com tênis mínimos, ou melhor, em ensinar a se correr da melhor forma possível. Mark além de ser médico de família, corre maratonas e também é dono da primeira loja dos EUA a vender exclusivamente tênis minimalistas, a Two Rivers Treads, que fica em sua cidade natal, Shepherdstown, na Virgínia do Oeste.
Ele postou um vídeo muito bom e detalhado do que ele vêm ensinando já há algum tempo: a melhor forma de se correr. E ele está...descalço.
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Ele postou um vídeo muito bom e detalhado do que ele vêm ensinando já há algum tempo: a melhor forma de se correr. E ele está...descalço.
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segunda-feira, 5 de março de 2012
Novo estudo diz que não há vantagem metabólica no correr descalço...
...contanto que você esteja correndo com um tênis que pese 150 gramas e não comece a pisada com o calcanhar, ou seja, contanto que você seja um corredor mais eficiente.
O estudo chamado "Metabolic Cost of Running Barefoot versus Shod: Is Lighter Better?" (ou "Custo Metabólico de correr descalço ou com tênis: quanto mais leve melhor?") foi submetido por Jason Franz, Corbyn M. Wierzbinski e Rodger Kram e aceito pelo American College of Sports Medicine. A intenção era quatificar os "efeitos metabólicos" ao se adicionar massa aos pés dos corredores e comparar o consumo de oxigênio e a potência metabólica quando se corre descalço ou com tênis.
Eles selecionaram 12 corredores com boa experiência na corrida descalça e colocaram os sujeitos correndo na esteira com uma velocidade de 12 km/h (5 min/km). Durante um período de 5 minutos, o atleta corria descalço, alternava para tênis leves (150 gramas - Nike MayFly), tênis de 300 gramas e 400 gramas. Para cada situação foi medido o consumo máximo de oxigênio, produção de dióxido de carbono e a potência metabólica.
O resultado é que correndo com tênis de competição, se constata uma vantagem metabólica de 3 a 4% em relação à corrida descalça. Os tênis de 300 g e 400 g "perderam" a disputa.
Então há de se concluir que correr de tênis é melhor que correr descalço, certo? Calma lá, cowboy. Vamos ver por "fora da caixa". O estudo foi feito com corredores "descalços" experientes. Portanto, todos eles começavam a pisada com o antepé, tinham a pisada mais curta e eram, portanto, corredores mais eficientes do ponto de vista do gasto energético.
Então, é assim que eu vejo a conclusão da pesquisa: para se obter vantagem metabólica usando tênis de competição (150 gramas ou menos), é necessário correr descalço para aumentar sua eficiência biomecânica. Ou seja, correr descalço é benéfico ao ponto de se ter rendimento melhor correndo com tênis leves (competição ou minimalistas).
Se a pesquisa tivesse usado outros grupos de corredores, como os que tradicionalmente começam a pisada com o calcanhar, é óbvio que os resultados teriam sido diferentes, como já notado em outros estudos como os do professor Daniel E. Lieberman, da Universidade de Harvard.
Mais um estudo interessante, com resultados igualmente interessantes. Está ficando cada vez mais evidente de que menos é mais e está mais do que na hora das macas repensaram o amortecimento dos tênis.
--------------------------------------
EDIÇÂO
Um leitor deste blog, Adolfo Neto, alertou que o estudo é questionável já que os corredores não correram absolutamente descalços na esteira, e sim, usando uma meia de yoga anti-derrapante. Isso mudaria totalmente os resultados da pesquisa pois os corredores foram avaliados de forma incorreta, já que não puderam correr descalços de verdade, ou seja, sem nada nos pés.
Eu estou de acordo com ele, pois qualquer coisa que se coloca nos pés, por mais leve que seja, muda a percepção do solo, altera-se a postura e não se corre do mesmo jeito. Digo isso por experiência própria.
Aliás, decidiram colocar as meias "por motivos higiênicos e de segurança", o que revela desconhecimento da corrida descalça e preconceito, pois era só limpar a esteira com um papo embebido de álcool que ela já estaria pronta para outra.
O estudo chamado "Metabolic Cost of Running Barefoot versus Shod: Is Lighter Better?" (ou "Custo Metabólico de correr descalço ou com tênis: quanto mais leve melhor?") foi submetido por Jason Franz, Corbyn M. Wierzbinski e Rodger Kram e aceito pelo American College of Sports Medicine. A intenção era quatificar os "efeitos metabólicos" ao se adicionar massa aos pés dos corredores e comparar o consumo de oxigênio e a potência metabólica quando se corre descalço ou com tênis.
Eles selecionaram 12 corredores com boa experiência na corrida descalça e colocaram os sujeitos correndo na esteira com uma velocidade de 12 km/h (5 min/km). Durante um período de 5 minutos, o atleta corria descalço, alternava para tênis leves (150 gramas - Nike MayFly), tênis de 300 gramas e 400 gramas. Para cada situação foi medido o consumo máximo de oxigênio, produção de dióxido de carbono e a potência metabólica.
O resultado é que correndo com tênis de competição, se constata uma vantagem metabólica de 3 a 4% em relação à corrida descalça. Os tênis de 300 g e 400 g "perderam" a disputa.
Então há de se concluir que correr de tênis é melhor que correr descalço, certo? Calma lá, cowboy. Vamos ver por "fora da caixa". O estudo foi feito com corredores "descalços" experientes. Portanto, todos eles começavam a pisada com o antepé, tinham a pisada mais curta e eram, portanto, corredores mais eficientes do ponto de vista do gasto energético.
Então, é assim que eu vejo a conclusão da pesquisa: para se obter vantagem metabólica usando tênis de competição (150 gramas ou menos), é necessário correr descalço para aumentar sua eficiência biomecânica. Ou seja, correr descalço é benéfico ao ponto de se ter rendimento melhor correndo com tênis leves (competição ou minimalistas).
Se a pesquisa tivesse usado outros grupos de corredores, como os que tradicionalmente começam a pisada com o calcanhar, é óbvio que os resultados teriam sido diferentes, como já notado em outros estudos como os do professor Daniel E. Lieberman, da Universidade de Harvard.
Mais um estudo interessante, com resultados igualmente interessantes. Está ficando cada vez mais evidente de que menos é mais e está mais do que na hora das macas repensaram o amortecimento dos tênis.
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EDIÇÂO
Um leitor deste blog, Adolfo Neto, alertou que o estudo é questionável já que os corredores não correram absolutamente descalços na esteira, e sim, usando uma meia de yoga anti-derrapante. Isso mudaria totalmente os resultados da pesquisa pois os corredores foram avaliados de forma incorreta, já que não puderam correr descalços de verdade, ou seja, sem nada nos pés.
Eu estou de acordo com ele, pois qualquer coisa que se coloca nos pés, por mais leve que seja, muda a percepção do solo, altera-se a postura e não se corre do mesmo jeito. Digo isso por experiência própria.
Aliás, decidiram colocar as meias "por motivos higiênicos e de segurança", o que revela desconhecimento da corrida descalça e preconceito, pois era só limpar a esteira com um papo embebido de álcool que ela já estaria pronta para outra.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
De olho nos minimalistas, Nike aposta no cabedal
A nova aposta da Nike é o cabedal. Apresentada hoje (21/2) em uma convenção para funcionários e imprensa em Nova York pelo próprio presidente da marca, Mark Parker, a tecnologia chamada Nike Flyknit visa proporcional o mínimo possível na parte superior do calçado para que ele seja muito leve e "moldável" ao pé do corredor.
O primeiro a ser lançado será um modelo de competição, o Nike Flyknit Racer (foto). Ele será muito leve mesmo - 160 gramas (nº 40 masculino), sendo que o cabedal contribui com apenas 34 g desse total. Ele é 19% mais leve que o Zoom Streak 3 (atual modelo top de competição da marca americana).
A Nike continua investindo no amortecimento, e esse modelo é minimalista apenas no design do cabedal, já que a forma é estreita e ainda há amortecimento de sobra.
Os modelos de competição e o Flyknit Trainer (segundo a Nike, o tênis para o corredor comum - 220 gramas) serão lançados nos EUA em julho. E aqui no Brasil? Se seguirmos o cronograma de lançamentos da marca, só em 2013.
O vídeo promocional abaixo, mostra um pé descalço a correr "invisível" deixando marcas no asfalto, depois o próprio pé descalço passa a ser construído. E é então que o cabedal começa a aparecer vagarosamente, enchendo os olhos daqueles que esperavam um tênis minimalista para valer da Nike. E então surge o tênis por completo, com amortecimento "convencional" e forma estreita. Não foi dessa vez, pessoal!
[youtube]JUdNeFh2SDo[/youtube]
Leia aqui as informações oficiais da Nike (em inglês)
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Para ser minimalista, o tênis TEM que ser minimalista
Vira e mexe e me meto em discussões sobre tênis minimalista, ou mínimos, com chamamos aqui na Contra-Relógio. E foi por causa de um bate-papo que tive com o amigo Kléber Corrêa lá no Facebook que decidi escrever este post.
O que tem acontecido é que há muito desconhecimento e achismo no que tange os tais tênis minimalistas. E para piorar, algumas marcas estão adotando alguns princípios de tênis mínimos e aí, falam que o tênis é minimalista, aumentando a confusão.
Vamos lá. O que seria um tênis minimalista? Tênis minimalista é aquele que simula a corrida descalça. Portanto, o ideal seria um modelo que não interfira em nada o modo natural de se correr. Seu pé tem que se sentir livre, como se não estivese usando nada. O solado tem que ser fino e sem amortecimento para que você possa perceber as diferenças do piso por onde você passa. Um dos fatores mais importantes é não ter diferença de altura entre o calcanhar e a frente dos pés, ou seja, sem salto, para que o corredor fique desde o início da corrida na postura correta e não com o corpo projetado para a frente.
Aqui vai um resumo das características que um tênis minimalista deve ter:
1) Tem que ser "Drop zero", ou seja, não pode haver diferença entre a altura do calcanhar e a frente dos pés
2) Flexibilidade. O tênis deve ser flexível ao ponto de poder "enrolar" ele com a mão.
3) Forma larga. Principalmente na parte da frente dos pés. É lá que os dedos do corredor podem se mexer livremente.
4) Quase nada ou nenhum amortecimento. Por que descalço você não tem proteção nenhuma, então se tiver, que seja apenas um proteção.
5) Não ter suporte medial. O arco dos pés tem que se movimentar livremente.
Não fui eu que inventei esses conceitos. Eles foram elaborados por corredores descalços que em geral são as pessoas as quais as marcas tem recorrido para testar ou ajudar no desenvolvimento de modelos específicos para esse novo nicho de mercado.
Exemplos de tênis:
Tênis mínimos de verdade que são possíveis comprar no Brasil: Vibram Five Fingers, Saucony Hattori (muito em breve nas lojas), New Balance Mininus Trail (as versões novas virão drop zero)
Exemplo de tênis que tem algumas características de minimalistas: Nike Free Run, Saucony Kinvara, Asics Blur 33, Skechers Go Run (também em breve nas lojas).
Tênis de competição não são minimalistas. Apesar de terem pouco amortecimento, grande maioria tem a forma estreita e muitos tem suporte medial. Mas, sem dúvida estão quase lá.
Muitas das grandes marcas estão desenvolvendo tênis mínimos ou quase e a confusão vai aumentar. O importante é sabermos nos informar e não sermos influenciado facilmente pelo marketing.
O que tem acontecido é que há muito desconhecimento e achismo no que tange os tais tênis minimalistas. E para piorar, algumas marcas estão adotando alguns princípios de tênis mínimos e aí, falam que o tênis é minimalista, aumentando a confusão.
Vamos lá. O que seria um tênis minimalista? Tênis minimalista é aquele que simula a corrida descalça. Portanto, o ideal seria um modelo que não interfira em nada o modo natural de se correr. Seu pé tem que se sentir livre, como se não estivese usando nada. O solado tem que ser fino e sem amortecimento para que você possa perceber as diferenças do piso por onde você passa. Um dos fatores mais importantes é não ter diferença de altura entre o calcanhar e a frente dos pés, ou seja, sem salto, para que o corredor fique desde o início da corrida na postura correta e não com o corpo projetado para a frente.
Aqui vai um resumo das características que um tênis minimalista deve ter:
1) Tem que ser "Drop zero", ou seja, não pode haver diferença entre a altura do calcanhar e a frente dos pés
2) Flexibilidade. O tênis deve ser flexível ao ponto de poder "enrolar" ele com a mão.
3) Forma larga. Principalmente na parte da frente dos pés. É lá que os dedos do corredor podem se mexer livremente.
4) Quase nada ou nenhum amortecimento. Por que descalço você não tem proteção nenhuma, então se tiver, que seja apenas um proteção.
5) Não ter suporte medial. O arco dos pés tem que se movimentar livremente.
Não fui eu que inventei esses conceitos. Eles foram elaborados por corredores descalços que em geral são as pessoas as quais as marcas tem recorrido para testar ou ajudar no desenvolvimento de modelos específicos para esse novo nicho de mercado.
Exemplos de tênis:
Tênis mínimos de verdade que são possíveis comprar no Brasil: Vibram Five Fingers, Saucony Hattori (muito em breve nas lojas), New Balance Mininus Trail (as versões novas virão drop zero)
Exemplo de tênis que tem algumas características de minimalistas: Nike Free Run, Saucony Kinvara, Asics Blur 33, Skechers Go Run (também em breve nas lojas).
Tênis de competição não são minimalistas. Apesar de terem pouco amortecimento, grande maioria tem a forma estreita e muitos tem suporte medial. Mas, sem dúvida estão quase lá.
Muitas das grandes marcas estão desenvolvendo tênis mínimos ou quase e a confusão vai aumentar. O importante é sabermos nos informar e não sermos influenciado facilmente pelo marketing.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Novo estudo diz que iniciar a pisada com o calcanhar pode causar mais lesões
Um novo estudo da turma do professor Daniel E. Lieberman, de Harvard, constatou que corredores que pousam com o calcanhar tem o dobro de lesões dos que pousam com a frente dos pés.
O estudo chamado "Foot strike and injury rates in endurance runners" (ou "Pisada e taxas de lesões em corredores de endurance"), já submetido e aceito pelo American College of Sports Medicine (Faculdade Norte-Americana de Medicina Esportiva), e ainda a ser publicado, teve como proposta saber se havia diferença nas taxas de lesões entre corredores que começam a pisada com o calcanhar e com a frente dos pés.
Para isso, foram coletadas as características de pisada de corredores de média e longa distância de um time de cross-country de uma faculdade e quantificado seu histórico de lesões, incluindo a incidência de lesões específicas, a severidade de cada ocorrência como sendo leve, moderada ou grave.
O resultado foi o seguinte: dos 52 corredores estudados, 36 (59%) começavam a pisada com o calcanhar e 16 (31%) com a frente dos pés. Aproximadamente 74% dos corredores experimentaram lesões moderadas ou graves a cada ano, mas aqueles que pousavam habitualmente com o calcanhar tinham aproximadamente o dobro da taxa de repetição de lesões por estresse do que aqueles que usavam a frente dos pés para começar a pisada.
Como conclusão se chega ao óbvio: competidores desse time de cross-country da faculdade estudada têm altíssimos índices de lesão. Mas o que ficou evidente foi que aqueles que pousavam com o calcanhar se lesionavam muito mais do que usavam a frente dos pés para iniciar a pisada. A hipótese levantada pelos pesquisadores é de que a ausência de impacto na força reativa durante o início da pisada com a frente dos pés contribui para as taxas menores de lesões desse grupo.
Não é de se admirar que o professor Daniel Lieberman esteja nesse estudo. Foi da autoria de seu grupo aquele trabalho tão falado em janeiro de 2010, "Foot strike patterns and collision forces in habitually barefoot versus shod runners" (ou "Padrões de pisada e forças de colisão em corredores habitualmente descalços versus corredores com tênis") publicado na revista Nature, e que causou muito barulho questionar a eficiência dos tênis de corrida convencionais e demonstrar que correr descalço causaria menos impacto nos corredores.
O que era muito escutado e escrito na época é que eram necessários mais estudos para poder verificar as conclusões. Bom, eles estão chegando. E agora?
O estudo chamado "Foot strike and injury rates in endurance runners" (ou "Pisada e taxas de lesões em corredores de endurance"), já submetido e aceito pelo American College of Sports Medicine (Faculdade Norte-Americana de Medicina Esportiva), e ainda a ser publicado, teve como proposta saber se havia diferença nas taxas de lesões entre corredores que começam a pisada com o calcanhar e com a frente dos pés.
Para isso, foram coletadas as características de pisada de corredores de média e longa distância de um time de cross-country de uma faculdade e quantificado seu histórico de lesões, incluindo a incidência de lesões específicas, a severidade de cada ocorrência como sendo leve, moderada ou grave.
O resultado foi o seguinte: dos 52 corredores estudados, 36 (59%) começavam a pisada com o calcanhar e 16 (31%) com a frente dos pés. Aproximadamente 74% dos corredores experimentaram lesões moderadas ou graves a cada ano, mas aqueles que pousavam habitualmente com o calcanhar tinham aproximadamente o dobro da taxa de repetição de lesões por estresse do que aqueles que usavam a frente dos pés para começar a pisada.
Como conclusão se chega ao óbvio: competidores desse time de cross-country da faculdade estudada têm altíssimos índices de lesão. Mas o que ficou evidente foi que aqueles que pousavam com o calcanhar se lesionavam muito mais do que usavam a frente dos pés para iniciar a pisada. A hipótese levantada pelos pesquisadores é de que a ausência de impacto na força reativa durante o início da pisada com a frente dos pés contribui para as taxas menores de lesões desse grupo.
Não é de se admirar que o professor Daniel Lieberman esteja nesse estudo. Foi da autoria de seu grupo aquele trabalho tão falado em janeiro de 2010, "Foot strike patterns and collision forces in habitually barefoot versus shod runners" (ou "Padrões de pisada e forças de colisão em corredores habitualmente descalços versus corredores com tênis") publicado na revista Nature, e que causou muito barulho questionar a eficiência dos tênis de corrida convencionais e demonstrar que correr descalço causaria menos impacto nos corredores.
O que era muito escutado e escrito na época é que eram necessários mais estudos para poder verificar as conclusões. Bom, eles estão chegando. E agora?
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Nas provas com o pé no chão, literalmente
Até domingo retrasado, minhas únicas experiências em correr descalço em provas se resumiam a ter corrido a meia de São Paulo (Yescom) no início do ano em um ritmo para lá de conservador, e os últimos 7 km de duas das meias-maratonas Golden Four Asics (BH e SP).
Depois de ter melhorado minha técnica (leia aqui), perdi o "pudor" e experimentei correr mais duas provas sem nada nos pés.
A primeira delas foi a Volta da Pampulha no dia 4 de dezembro. Como passei dois dias trabalhando na entrega dos kits da corrida, o cansaço acabou dando as caras. Encaixei um ritmo entre o confortável e o forte e completei a prova em 1h33 - quase 20 minutos mais rápido que minha primeira participação na prova há cerca de 7 anos atrás - com tênis. Na Pampulha tive o privilégio de correr os últimos 10 km ao lado de Leonardo Liporati, que já corre sem tênis há 6 anos e já completou algumas maratonas dessa maneira. Também tivemos a companhia do Roger, mais um da turma descalça de Belo Horizonte.
A segunda experiência foi ontem na 2ª Corrida pela Gentileza, em Jundiaí. Foi a primeira vez que corri descalço "diretinho", com o Tomaz Lourenço costuma dizer. Corri focado o tempo todo e completei a prova em 45:30 (tempo corrigido, já que os 44:12 que meu relógio marcou não podem ser levados em consideração pois a própria organização admitiu que a prova estava mais curta devido a uma ingerência do controle de tráfego da cidade). Isso significa que já consigo correr descalço nas provas com o mesmo ritmo que eu corria com os tênis.
Nas duas provas os meus pés terminaram inteiros e alguns amigos e outros curiosos pediram para ver o meu pé após a prova e se surpreendiam pela sola do meu "tênis natural" estar absolutamente zerada, sem marcas ou bolhas. Confesso que até eu estava surpreso - sinal que estou indo no caminho certo.
Hoje já penso em ampliar minha experiência e, quem sabe, correr uma maratona descalço - coisa inimaginável para mim há 2 anos atrás quando fiz a transição para calçados minimalistas.
Só o tempo, o treinamento e, logicamente, meus pés, dirão se isso será possível.
Depois de ter melhorado minha técnica (leia aqui), perdi o "pudor" e experimentei correr mais duas provas sem nada nos pés.
A primeira delas foi a Volta da Pampulha no dia 4 de dezembro. Como passei dois dias trabalhando na entrega dos kits da corrida, o cansaço acabou dando as caras. Encaixei um ritmo entre o confortável e o forte e completei a prova em 1h33 - quase 20 minutos mais rápido que minha primeira participação na prova há cerca de 7 anos atrás - com tênis. Na Pampulha tive o privilégio de correr os últimos 10 km ao lado de Leonardo Liporati, que já corre sem tênis há 6 anos e já completou algumas maratonas dessa maneira. Também tivemos a companhia do Roger, mais um da turma descalça de Belo Horizonte.
A segunda experiência foi ontem na 2ª Corrida pela Gentileza, em Jundiaí. Foi a primeira vez que corri descalço "diretinho", com o Tomaz Lourenço costuma dizer. Corri focado o tempo todo e completei a prova em 45:30 (tempo corrigido, já que os 44:12 que meu relógio marcou não podem ser levados em consideração pois a própria organização admitiu que a prova estava mais curta devido a uma ingerência do controle de tráfego da cidade). Isso significa que já consigo correr descalço nas provas com o mesmo ritmo que eu corria com os tênis.
Nas duas provas os meus pés terminaram inteiros e alguns amigos e outros curiosos pediram para ver o meu pé após a prova e se surpreendiam pela sola do meu "tênis natural" estar absolutamente zerada, sem marcas ou bolhas. Confesso que até eu estava surpreso - sinal que estou indo no caminho certo.
Hoje já penso em ampliar minha experiência e, quem sabe, correr uma maratona descalço - coisa inimaginável para mim há 2 anos atrás quando fiz a transição para calçados minimalistas.
Só o tempo, o treinamento e, logicamente, meus pés, dirão se isso será possível.
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