terça-feira, 26 de abril de 2011

Hattori: o minimalista (de verdade) da Saucony


A Saucony, que já havia dado um importante passo em direção aos tênis minimalistas ao lançar o Kinvara, lançará no próximo mês, nos EUA, seu modelo mais adequado à corrida quase descalça: o Saucony Hattori.

Ele possue uma porção de características que o qualificam como tênis mínimo:
- Tem "Drop zero", ou seja, não há diferença de altura entre o calcanhar e a frente do pé
- É extremamente flexível
- Não tem suporte para o arco dos pés
- Quase ou nenhum amortecimento
- Tem forma larga para deixar o pé se movimentar livremente.

O Hattori pesa 187 gramas e ainda não tem previsão de lançamento no Brasil, por enquanto. O pessoal do BirthdayShoes.com recebeu um exemplar do tênis e fez uma filmagem para mostrá-lo.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Comprou um Five Fingers? Legal! Agora, vá com calma, por favor.



A leitura do Livro “Nascido para Correr”, do jornalista norte-americano Christopher McDougall (editora Globo, R$ 50; 383 pags.)  fez com que várias pessoas, por todo o mundo, passassem a correr descalças ou com tênis diferentes do tradicionais (leia a matéria: “Correr descalço ou quase: uma tendência?”).

Embora seja um movimento ainda pequeno em relação ao enorme número de corredores “calçados”, já há um número considerável de corredores descalços (ou quase) em provas no exterior, como alguns leitores da revista têm nos relatado.

Agora que a rede de lojas Track &Field passou a vender os Vibram Five Fingers (ou VFF), muitos  poderão matar sua curiosidade e correr com essa “luva” para os pés.

CAUTELA. No entanto, devo alertar a todos que querem experimentar os VFF, para sejam cautelosos. Como a técnica de corrida é diferente da que a maioria das pessoas estão acostumadas a usar, o estímulo neuro-muscular também é diferente. O maior desafio de correr com os Five Fingers é a postura correta da corrida e de ter paciencia com a transição.

TÉCNICA. Assim como quando corremos descalços deve-se primeiro pousar com o médio-pé para aí então, colocar o calcanhar no chão e prosseguir para a próxima passada. Tente realizar o primeiro contato com o chão logo abaixo do seu centro de gravidade, de forma com que seus joelhos fiquem ligeiramente flexionado durante esse estágio. Na transição, procure tirar os pés do chão, ao invés de se empurrar com os dedos dos pés. É algo parecido com o que nós todos fazemos quando ficamos correndo no mesmo lugar.

Dica: Eu recomendo correr pequenas distâncias, algo entre 100 a 200 metros completamente descalços para ver como nosso corpo se porta e observar como é natural não usar o calcanhar no primeiro estágio da pisada. Após ver como a técnica funciona, calce o VFF para uma primeira corrida-teste.

OUÇA O CORPO. Mais do que nunca a máxima de que devemos “ouvir o corpo" deve ser aplicada ao uso do VFF. Sua primeira corrida com o calçado não deve passar de 400 metros, com velocidade bem leve. No segundo dia deve-se avaliar como seu corpo reagiu e reavaliar a distância.  Tente sempre observar sua postura e no caso de sentir dores, tente identificar sua origem. Em caso de dor nos tendões, principalmente no de aquiles, é caso de parar imediatamente e voltar a correr só no próximo dia.  Às vezes é necessário conviver com algumas dores musculares no início, mas não abuse para não “pagar” no futuro.

CADÊNCIA. Para evitar que se fique "pulando" enquanto corre, o ideal é manter um número alto na cadência de passadas, pelo menos 180 passos por minuto (ou 90 por perna). Isso faz com que a corrida seja mais eficiente e econômica do ponto de vista de gasto energético. Para ficar mais fácil, conte os passos de apenas um de seus pés por 30 segundos, se der igual ou mais que 45, você está no caminho certo.

TRAVESSEIRO. Deve-se procurar correr da forma mais “leve” possível – como se tivesse correndo em cima de travesseiros. Quando o corredor atinge com perfeição a técnica “descalça”, o VFF não faz barulho, assim como quando corremos descalços. Lembre-se também de deixar os ombros sempre relaxados.

TRANSIÇÃO. Vá aumentando gradualmente a distância conforme perceber que sua musculatura está "em ordem". Esse período é de intensa obsevação de como suas panturrilha e tendões estão evoluindo com o novo estímulo. Não faça loucuras, como correr 10 km no primeiro dia, ou na segunda ou mesmo na terceira semana. Vá devagar, começando com pequenas distâncias, até se sentir seguro para aumentar cada vez mais um pouco. Lembre sempre de parar quando sentir dores mais fortes, agudas ou persistentes. O período de adaptação, até que se consiga correr na mesma velocidade e como o mesmo volume de quilometragem varia de pessoa para pessoa, mas pode chegar a 6 meses. Muitos especialistas em corrida descalças dizem para que o corredor espere pelo menos um ano para participar de forma competitiva de corridas.

LESÕES. Apesar de muitos defensores da corrida descalça falarem que tem menos lesões do que os corredores “calçados”, ninguém está imune a elas. As lesões mais comuns são fraturas no metatarso (por bater os pés com força demais no chão) e a “Dor no topo do pé” (uma espécie de pontada no peito do pé - eu já tive), que em geral é associada ao aumento de volume de quilometragem sem critérios ou paciência. Na maioria das vezes, os que se queixam de lesões são os corredores na fase de transição – é muito raro ouvir falar de corredores descalços mais experientes que tenham se lesionado por algum desses motivos.

BENEFÍCIOS PARA TODOS. Mesmo que você não queira largar o seus tênis de corrida, os VFF podem ser uma boa forma de fortalecer seus pés e estimular, de forma mais abrangente, a musculatura das pernas e dos pés. Faça a transição nos dias de treino leve, e de pequenas distâncias, como um trote de 6 km, por exemplo. Você pode substituir o tênis pelos VFF no último km e aumentar gradualmente até se sentir seguro para fazer o treino completo com eles.

Meu conselho para quem está começando com os VFF é simples: tenha calma e paciência, que os resultados virão com o tempo.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Corri a meia de SP...descalço

Faz pouco mais de um ano em que eu comecei a correr com aquela tal "luva" para os pés, o Vibram Five Fingers. Corri com dois modelos, o KSO e o Bikila. Depois veio o RunAmoc e comecei a sentir vontade de correr sem nada nos pés. E ontem, corri minha primeira prova absolutamente descalço.

Lógico que esse caminho teve alguns percalços. Apesar da musculatura já estar muito bem adaptada, a pele dos pés tem algumas particularidades. Todos nós corredores, quando corremos e sentimos alguma dor muscular, sabemos que ela é oriunda do exercício em si, e em geral, "corremos" por cima da dor e continuamos nosso caminho.

Para correr descalço, se você sente alguma dor na pele da sola do pé, em geral, significa que você ganhou uma bolha. Demorou algum tempo para que eu pudesse entender o momento em que eu deveria parar de correr imediatamente para evitar incômodos. A partir do momento em que passei a captar as mensagens de bolhas prenunciadas, evoluí rapidamente.

Ontem, na Meia de SP, corri ao lado do amigo Fausto Corteze, que faz parte do grupo de corredores de Jundiaí do qual faço parte - os Corredólatras. Havíamos combinado de correr em um ritmo bem conservador, de acordo com a planilha que nós dois estamos seguindo rumo à Maratona de Porto Alegre, dia 22 de maio,

Começamos bem devagar mesmo, e o primeiro km passamos com 6:10 min/km. Mas conseguimos imprimir um ritmo progressivo e terminamos a prova com 1h54.

Meus pés terminaram muito bem a prova. Os piores lugares para correr foram alguns trechos do Minhocão, em que o asfalto estava muito ruim - tipo choquito -, mas no geral, fiquei muito feliz por terminar com meus pés inteiros, apenas um pouco doloridos. O forte calor que marcou a prova só enquentou mesmo o asfalto no final da prova, mas era absolutamente suportável.

Vou correr a Maratona de Porto Alegre descalço? Sinceramente, eu não sei. Muita água vai passar embaixo da ponte, mas completar essa Meia me mostrou que pode ser viável.

Queria agradecer o amigo Erik Neves pela sugestão de levar minha huarache em uma pochete, caso os pés pedissem água, o que não foi necessário. Também preciso deixar meu muito obrigado ao Fausto pela companhia durante a prova. Se tivesse corrido sozinho, com certeza teria relaxado e não teria forçado na segunda parte, quando o calor passou a castigar.

BOM HUMOR. Durante a prova, alguns corredores curiosos vieram conversar comigo, perguntando se eu ia correr todo o percurso descalço, etc. Outros tiravam sarro como quando encontrei o Tomaz: "Que foi? Esqueceu o tênis?". O mais divertido mesmo foi quando faltavam cerca de 2 km para o final da prova e escutei alguém comentar: "Caramba, a gente vai 'perder' para aquele cara que tá descalço!"

Eu não sei quanto à vocês, mas eu só corro para ganhar de mim mesmo. :)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Correr descalço ou com um Newton?



Ontem, dia 8, compareci a uma palestra chamada “Join the Natural Running Revolution. Learn how to run faster, stronger, more efficiently, and with less injury” (“Faça parte da revolução da corrida natural. Aprenda como correr mais rápido, mais forte, com mais eficiencia e com menos lesões”) ministrada por Iam Adamson, que é diretor de Pesquisa e Ensino da Newton Running. O evento foi organizado pela Track & Field, que comercializada os tênis Newton desde novembro de 2010, conforme foi publicado neste blog  (clique aqui para ler).

Se eu não soubesse de que o Newton é uma marca de tênis de corrida, acharia que a palestra era um grande incentivo para se correr descalço. Quando Adamson perfilou o histórico do uso de calçados pela humanidade e citou os estudos feitos em Harvard, pelo professor de Biologia Evolucionária Daniel Lieberman, ficou claro que a marca está perfilada a esse estilo de corrida, a tal “corrida natural”, em que a pisada começa pela parte da frente dos pés (não pelos dedos) e a postura de nosso corpo passa a ser mais ereta do que projetada para a frente, ou seja, como se estivéssemos correndo descalços. Falou também sobre o “problema” da elevação do calcanhar e do período de “breque” quando há o contato do calcanhar com o chão durante a pisada, que faz com que haja, supostamente, mais gasto energético quando corremos.

Os tênis da Newton são feitos de modo com que você não consiga começar a pisada com o calcanhar como nos tênis convencionais e para isso, lançam mão de uma espécie de salto na parte da frente do tênis. A impressão quando se calça o modelo é de que a parte da frente é mais alta do que a de trás, e quando corremos essa impressão muda. Eu recebi um Newton para experimentar e posteriormente falo o que achei.

Das coisas que Adamson falou, uma me chamou bastante a atenção. Ele disse que tem gente que usou o tênis por mais de 1.600 km (!). Se isso for realmente verdade será muito bom para os bolsos dos corredores, pois como se sabe, um tênis convencional de corrida dura cerca de 500 km, dependendo da marca, pois é quando o amortecimento deixaria de ser eficiente.

Mas vá devagar ao pote. Assim como correr descalço ou com os Vibram Five Fingers (aquela "luva" para os pés), é necessário um período de adaptação muscular que não ocorre de uma hora para outra. A dica é ir introduzindo o tênis no final dos treinos, ou naquele dia em que que a planilha manda você fazer um trote de 5 km.

De qualquer forma, os Newton serão testados para o Guia do Tênis da edição de abril da CR, aguardem!

No site da Track & Field há mais informações sobre os Newton (Clique aqui)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Five Fingers no Brasil, em março



Se você é um dos corredores que morria de vontade de experimentar correr "quase" descalço com aquela "luva para os pés" tão falada por aí - inclusive na própria Contra-Relógio (clique aqui para ler) -, pode preparar suas panturrilhas.

A empresa Davison Division começará a distribuir o Vibram Five Fingers no Brasil através das lojas da rede Track & Field, a partir de março.

A princípio, apenas os modelos KSO, Sprint e Classic estarão disponíveis, com preço entre R$ 289 e R$ 310 (segundo a assessoria de imprensa).

O modelo feito especificamente para os corredores, o Bikila, chegará às prateleiras em maio.

A Davison Division mantém uma página no Facebook e conta no Twitter para quem quiser obter mais informações.

Mais detalhes na edição de fevereiro da CR.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O que há de novo entre os tênis mínimos?


New Balance  Minimus Trail


Surgiram algumas novidades para aqueles que ficaram curiosos ao ler a matéria "Os tênis mínimos estão chegando" (Contra-Relógio 204,  setembro de 2010 - clique aqui para ler).

A New Balance  americana já colocou uma página especial em seu site a respeito da linha Minimus (clique aqui para ver). São três modelos, um para uso casual, um para "rua" (road) e outro para trilha (foto). Esses modelos serão lançados mundialmente em março de 2011, e isso inclui o Brasil.


The Adam, da Altra


Outra opçao agora é a Altra (http://altrarunning.com) que diferentemente da NB, leva a sério o "zero drop", o que significa que não há diferença entre a altura do calcanhar dos tênis para o restante do pé. Eles também tem três modelos na linha, o The Adam, The Instint e o The Lone Peak. O The Adam (foto) é uma espécie de Vibram Five Fingers Bikila só que sem os dedos separados. Os tênis da Altra serão comercializados nos EUA a partir do primeiro semestre de 2011, mas sem previsão de venda por aqui.

Vamos aguardar 2011 para ver o que as outras grandes marcas vão lançar para este novo segmento de tênis de corrida.

Enquanto isso fica a sugestão de leitura: Correr descalço ou quase: uma tendência (CR 198, março de 2010)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Assisti o filme que conta a história de Abebe Bikila



Quem mora em São Paulo sabe que estava rolando até ontem a  34ª Mostra Internacional de Cinema. Me envergonho em dizer que poucas vezes fui assistir algum filme da Mostra esses anos todos.

Porém desta vez tive um bom motivo e fui assistir a última exibição de "O Atleta", que conta a história do etíope Abebe Bikila, primeiro bicampeão olímpico da maratona (Roma 1960 e Tokyo 1964), sendo que em ambas bateu o recorde mundial. O filme, que conta com excelente fotografia, alterna cenas introspectivas de Abebe com gravações oficiais das maratonas olímpicas que participou. A história mostra a redenção de Abebe após o acidente que o deixou paraplégico - mais do que uma tragédia para um corredor. Segundo o filme, o etíope era um sujeito do tipo caladão e ainda sentia o gosto amargo de não ter conseguido completar a Maratona dos Jogos Olímpicos do México (1968).

O início da película mostra as lindas paisagens em que Bikila treinava. Aliás, é muito boa a atuação de Rasselas Lakew, que conseguiu imitar com perfeição o jeitão de correr de Abebe. Lakew é um "faz tudo": além de ser o ator principal, assina o roteiro, produz e também dirige o filme, tudo em parceria com Davey Frankel. Rasselas é etíope e se mudou para os EUA para estudar cinema, e atualmente mora em NovaYork.

Havia um fato histórico que eu desconhecia (outra vergonha minha...), que foi a invasão da Etiópia pelos fascistas italianos liderados por Mussolini durante a 2ª Guerra Mundial. A vitória de Abebe Bikila na maratona da Olimpíada de Roma foi muito simbólica. Bastou apenas um soldado etíope para conquistar a Itália. Bikila pertencia à guarda pessoal do Imperador Haile Selassie (Alguém já ouviu falar nesse nome?).

Não há previsão da entrada do filme em circuito comercial e temos que rezar para que pelo menos, fique disponível em DVD no Brasil.

Veja o trailer: