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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Review do Vibram Five Fingers SeeYa

Comprei o Vibram Five Fingers SeeYa  quando estive em Nova York para o lançamento do Puma Mobium, em fevereiro. Eu não tinha muito tempo para procurar coisas específicas e quis comprar algo que dificilmente estaria à venda no Brasil. Explico: apesar da Davison Division ter trazido alguns modelos do VFF para cá, aparentemente a operação parou e não devemos ver os modelos mais novos nas prateleiras das lojas. É até por isso que estamos vendo os VFF com preços tão reduzidos por aí.

[caption id="attachment_4407" align="alignnone" width="595"]Seeya_10 Da esq. para a dir.: VFF KSO, SeeYa e Bikila[/caption]

PESO. O SeeYa é o VFF mais leve que já calcei. São 126 gramas contra 153 g do KSO e 164 g do Bikila. O tecido de mesh cobre totalmente o cabedal e tem o toque muito agradável, bem diferente dos outros dois modelos citados. Até os tecidos sintéticos que compõe a alça que tem velcro para ajuste são bem finos, o que contribui para o baixo peso.

VISUAL. O SeeYa é menos chamativo que seus antecessores (tirando a cor, claro). Acho que o fato da borracha do solado não subir para cobrir as pontas dos dedos como no KSO e no Bikila ajudam bastante nisso e o tornam menos "estranhos". Com ele no pé a sensação é de estar com uma meia, pois o mesh é bem fino.

CALÇE. Dentre os modelos que já usei, esse é o VFF mais fácil de calçar. Isso começa pelo "colar", bem mais largo, que facilita a introdução do pé e o encaixe dos dedos em seus "bolsos" particulares.

COSTURAS. Ainda não entendo como a Vibram insiste em colocar algumas costuras na parte interna do cabedal. Tenho amigos usam os VFF sem meias e não tem problemas, mas eu tenho. Para usar os VFF preciso de uma meia (já fiz até um post sobre isso) mas acho isso ruim, pois isso diminui o retorno sensorial dos pés.

PERFORMANCE. Por ser mais fino e maleável, o SeeYa é o melhor modelo de VFF com o qual corri. Fiz algumas rodagens e corri a Meia-Maratona de Campinas usando ele (com meias). Ainda sinto que esse lance de separar dos dedos dos pés não é natural e dificulta um pouco a flexão dos mesmos durante a aterrisagem. Mas isso acontece em uma escala bem menor no SeeYa do que nos outros.

ADAPTAÇÃO. Se você já tem experiência com os VFF ou descalço, certamente vai gostar desse modelo, mas se você nunca correu com um desses, recomendo que leia primeiro a seção de adaptação do site para não ir com sede demais ao pote.

QUANTO CUSTA. O SeeYa custa US$ 100 nos EUA e para comprá-lo você terá que usar sites de lojas de tênis estrangeiras e pagar os impostos pelos Correios. Outra opção é trazer de uma viagem ou contar com aquele amigo ou amiga para trazer um para você.

FOTOS

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Obs: A Vibram lançou o modelo EL-X, que segundo o site Birthdayshoes.com, é 10% mais leve que o SeeYa. No entanto, não ele não tem a alça de velcro para o ajuste e a Vibram o categoriza como um modelo de fitness e não de corrida.

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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Escritos de corredor para corredor



Reproduzo aqui a resenha "De Corredor para Corredor" publicada na edição de setembro da Contra-Relógio.

Apesar de ter sido escrito há 33 anos atrás e de ter referências a campeões da época, "Era uma vez um corredor" ainda captura sensações que nós corredores sentimos. Difícil não ser afetado por ele.

Veja bem: a distância é tipicamente americana – 1 milha. O ambiente universitário, de disputas e camaradagem também. As músicas citadas - nunca ouvi. Mas o que faz tão especial? A capacidade do autor em descrever com exatidão as dificuldades e as sensações pelas quais Quenton Cassidy, o protagonista, passa durante seus treinos e provas.

O autor, o norte-americano John L. Parker Jr, que foi um excelente corredor e amigo de Frank Shorter (vencedor da Maratona dos Jogos Olímpicos de Munique, Alemanha), escreveu e publicou o livro por conta própria em 1978 e era estocado no porta-malas do carro e vendido pelo mesmo. O livro foi tão lido e procurado que por fim acabou sendo publicado por uma editora convencional.

A história é basicamente sobre a busca de Quenton Cassidy em se tornar um campeão e de todos os sacrifícios que tem que fazer para chegar lá, com a ajuda de um amigo que vira seu técnico. Pessoalmente, fiquei com vontade de testar meus próprios limites após virar a última página. O livro é cheio de referências a corredores de expressão, como o próprio Frank Shorter, Roger Bannister, Paavo Nurmi, Kip Keino, entre outros.

A tradução, a cargo de Claudio Figueiredo, é digna de elogios. Todos os termos relacionados a ritmo, distância e “tecnicismos”, aos quais nós, corredores, estamos acostumados, foram respeitados – o que é pouco comum. O autor publicou uma sequência do livro há cerca de 3 anos, chamada “Again to Carthage” (“De volta à Cartago”, em português) em que o protagonista larga a corrida, mas decide voltar a treinar, agora para disputar uma vaga na maratona das Olimpíadas. Contatada, a editora ainda não tem planos para publicá-lo.
TRECHO

“Depois da décima quinta série de quatrocentos metros, teria de pensar por um momento para se lembrar do próprio nome. Mas agora ele tinha seus quatrocentos metros inteiros de descanso, que corria com pequenos passos, saboreando cada instante. Sua mente deixou a condição neutra e se deliciou num estado de espírito de frivolidade. Estava morrendo de sede; a língua tinha colado no céu da boca e não precisava mais cuspir os tufos brancos de saliva congelada, pois não havia mais nenhum.”

SERVIÇO
“Era uma vez um corredor”, John L. Parker Jr. (Editora Intrínseca; 246 pags.; R$ 29,90)